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Entenda por que Jerome Powell é investigado pela Justiça americana

Estouro de orçamento em obras de edifícios do Federal Reserve coloca o presidente no centro da investigação

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Exame.com
12/01/2026, 19:46 • Atualizado em 13/01/2026, 02:40
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Uma investigação criminal aberta pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ) colocou no centro do debate institucional o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, e reacendeu o embate entre o banco central americano e o presidente Donald Trump. A apuração da Justiça envolve reformas bilionárias nos prédios do Fed em Washington e ocorre em meio a uma escalada de pressões políticas sobre a política monetária dos EUA.

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Powell confirmou no domingo (11) ter sido intimado pelo DoJ, em um gesto "sem precedentes". Foi a primeira vez que o chairman rebateu, publicamente, as pressões que vem sofrendo por parte de Trump.

"Ninguém, nem mesmo o presidente do Federal Reserve está acima da lei. Mas essa ação sem precedentes deve ser vista em um contexto maior, de ameaças da administração e pressões", afirmou.

O que está sendo investigado?

O foco da investigação são projetos de renovação de dois imóveis: o edifício Marriner S. Eccles e um outro na Constitution Avenue, em Washington. Essas reformas começaram a ser realizadas em 2022 e têm previsão de conclusão para 2027. O Fed justificou as reformas alegando que os edifícios não passavam por reparos relevantes desde que foram construídos, na década de 1930.

No entanto, o orçamento previsto para a renovação dos imóveis acabou estourando. Desde que as obras começaram, o investimento ultrapassou em US$ 700 milhões o valor estabelecido inicialmente, chegando a US$ 2,5 bilhões. Trump alega que essa cifra chega a US$ 3,1 bilhões, informação negada por Powell.

O projeto inicial, elaborado em 2021, previa a instalação de elevadores, salas de jantar e até fontes de água, além de estruturas de mármore. Powell diz que nenhum desses "luxos" vingou no projeto final. As melhorias, segundo ele, visavam apenas tornar mais eficiente o consumo de água, energia e outros recursos nos dois edifícios, o que reduziria os custos do Fed ao longo do tempo.

O que diz o Fed

Sobre o estouro do orçamento, o Fed sustenta que os valores passaram do previsto por conta do aumento de custos de materiais e mão de obra, além da descoberta de mais amianto e contaminação tóxica no solo do que o previsto. As intervenções incluem remoção de amianto e chumbo, adequação a normas de acessibilidade e modernização de sistemas elétricos e de ventilação.

A investigação é conduzida pelo escritório do procurador dos EUA para o Distrito de Columbia e foi autorizada pela procuradora Jeanine Pirro, indicada por Trump. Os promotores analisam documentos de gastos, contratos e depoimentos públicos de Powell ao Congresso.

O pano de fundo político

A investigação ocorre após um ano de pressões públicas do governo Trump para que o Fed cortasse juros de forma mais agressiva ou para que Powell deixasse o cargo.

Em um pronunciamento em vídeo, o presidente do Fed afirmou que as investigações são consequência direta da postura independente da autoridade monetária. “Trata-se de saber se o Fed continuará a definir juros com base em dados e condições econômicas ou se a política monetária será ditada por pressão política ou intimidação”, disse.

Trump, por sua vez, afirmou à NBC News que “não sabe nada” sobre a investigação, mas voltou a criticar Powell, dizendo que ele “não é muito bom no Fed” nem “em construir prédios”. O presidente também já sugeriu que poderia demiti-lo, embora a lei permita a remoção de dirigentes do Fed apenas “por justa causa”.

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