Mundo

Departamento de Educação dos EUA fecha cerco à Columbia sob alegação de antissemitismo

Universidade norte-americana é um dos principais palcos de protestos estudantis contra a guerra na Faixa de Gaza

V
Vicklin Moraes
Departamento de Educação dos EUA fecha cerco à Columbia sob alegação de antissemitismo

Em mais um capítulo do embate entre o governo de Donald Trump e as universidades dos Estados Unidos, o Departamento de Educação declarou nesta quarta-feira (4) que a Universidade Columbia violou leis federais antidiscriminatórias ao tolerar, em 2024, manifestações supostamente antissemitas em seu campus.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Segundo a pasta, a instituição teria infringido o Título VI da Lei dos Direitos Civis de 1964, que proíbe qualquer entidade que receba financiamento federal de praticar discriminação com base em raça, cor ou origem nacional.

A secretária de Educação dos EUA, Linda McMahon, afirmou que a administração da universidade demonstrou "indiferença deliberada" diante de denúncias de assédio contra estudantes judeus.

Em comunicado à imprensa, o Departamento de Educação informou que irá notificar a Middle States Commission on Higher Education (MSCHE), responsável pelo credenciamento de instituições de ensino superior. Se a comissão confirmar a violação, Columbia poderá ter seu credenciamento comprometido — o que afetaria o recebimento de recursos federais.

“As agências credenciadoras têm grande responsabilidade pública como guardiãs do acesso aos recursos federais. Elas decidem quais instituições podem receber empréstimos estudantis e bolsas, como a Pell Grant. Assim como o Departamento de Educação deve garantir o cumprimento das leis federais, os credenciadores precisam assegurar que suas instituições associadas estejam em conformidade com essas normas”, disse McMahon.

Procurada pela agência Reuters, a Universidade Columbia não se manifestou. Um porta-voz da MSCHE confirmou o recebimento de uma carta do Departamento de Educação, mas disse que a organização não comentaria o caso.

Crise entre Trump e universidades se intensifica

A tensão entre a Casa Branca e instituições de ensino superior tem aumentado. No mês passado, a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, exigiu que universidades entregassem registros de estudantes estrangeiros supostamente envolvidos em atos violentos ou protestos. Harvard se recusou a cumprir a ordem. Como resposta, o governo Trump revogou a certificação que permite à universidade matricular estudantes internacionais. A decisão foi suspensa pela juíza federal Allison Burroughs, mas a Casa Branca pode recorrer.

Em 2024, a Universidade Columbia se tornou um dos principais focos de protestos estudantis contra a guerra na Faixa de Gaza, a destruição promovida por Israel em território palestino e o apoio dos Estados Unidos ao seu aliado histórico no Oriente Médio. Durante as manifestações, estudantes palestinos chegaram a ser detidos, entre eles Mohsen Mahdawi, libertado em 30 de abril.

Estudantes protestam em Columbia | Foto: AP
Estudantes protestam em Columbia | Foto: AP

Sob pressão do governo federal, Columbia cedeu e autorizou operações de detenção em seu campus. A universidade também aceitou reestruturar seu departamento de estudos sobre o Oriente Médio como condição para reaver US$ 400 milhões (cerca de R$ 2,3 bilhões) em recursos federais bloqueados pela gestão Trump.

Harvard, por sua vez, manteve sua posição e teve cortados US$ 2,2 bilhões (R$ 12,8 bilhões) em subsídios anuais e outros US$ 60 milhões (R$ 350,5 milhões) em contratos de longo prazo com o governo.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Sete crianças são internadas após ingerirem veneno em escola

Sete crianças são internadas após ingerirem veneno em escola

Imagem da notícia: Governo vê aceno dos EUA na OMC, mas não mudança concreta

Governo vê aceno dos EUA na OMC, mas não mudança concreta

Imagem da notícia: JBS anuncia Wesley Batista Filho como CEO global em 2027

JBS anuncia Wesley Batista Filho como CEO global em 2027

Imagem da notícia: China acelera corrida por robôs humanoides

China acelera corrida por robôs humanoides

Imagem da notícia: Sete crianças são internadas após ingerirem veneno em escola

Sete crianças são internadas após ingerirem veneno em escola

Imagem da notícia: Governo vê aceno dos EUA na OMC, mas não mudança concreta

Governo vê aceno dos EUA na OMC, mas não mudança concreta

Imagem da notícia: JBS anuncia Wesley Batista Filho como CEO global em 2027

JBS anuncia Wesley Batista Filho como CEO global em 2027

Imagem da notícia: China acelera corrida por robôs humanoides

China acelera corrida por robôs humanoides

Últimas notícias

Eduardo Bolsonaro republica apoio de Cleitinho a Flávio

Vídeo compartilhado pelo senador mineiro resgata declaração; PL mantém Flávio Roscoe na disputa pelo governo de Minas

Homem é preso por acidente que matou 3 na Anhanguera (SP)

Suspeito, de 27 anos, voltava de uma festa e teve resultado positivo no teste do bafômetro; outras três pessoas ficaram feridas

Sanders pede suspensão no avanço de inteligência artificial

Senador norte-americano envia carta a líderes da OpenAI, Anthropic e Meta e fala em evitar 'catástrofe'

CBF aprova novas regras para o futebol brasileiro

Medidas passam a valer imediatamente em competições nacionais e buscam aumentar o tempo de bola rolando nas partidas

Trump reduz vacinas recomendadas do calendário infantil

Ordem executiva prevê mudanças na aplicação de vacinas e amplia possibilidade de isenções em estados dos EUA

Trump revogou mais 175 mil vistos ao longo de seu mandato

Ligação com crimes, fraude, violência e segurança nacional está entre os motivos citados pelo Departamento de Estado