Casa Branca fez reunião secreta sobre caso Epstein, diz NYT
Reportagem do New York Times afirma que integrantes do governo Trump discutiram estratégias para lidar com a pressão por divulgação de documentos


O presidente dos EUA, Donald Trump | Flickr
Altos integrantes do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participaram de uma reunião reservada para discutir a crise provocada pelos chamados "arquivos Epstein". As informações foram reveladas em reportagem exclusiva publicada nesta quarta-feira (10) pelo "The New York Times".
Segundo o jornal, o encontro ocorreu em 17 de julho de 2025, na Sala de Situação da Casa Branca e reuniu integrantes do núcleo político e jurídico do governo. Entre os participantes estavam o vice-presidente JD Vance, a chefe de gabinete Susie Wiles e então procuradora-geral Pam Bondi, destituída do cargo em abril.
O encontro ocorreu no mesmo dia em que o jornal "The Wall Street Journal" publicou uma reportagem sobre a relação entre Trump e Epstein, aumentando a preocupação da Casa Branca com a repercussão do tema. Segundo o "The New York Times", Trump tentou, sem sucesso, impedir a publicação por meio de contatos com executivos do grupo de mídia.
A reunião aconteceu após a divulgação de um memorando do Departamento de Justiça e do FBI sobre o caso Jeffrey Epstein. O documento afirmava que as autoridades não haviam encontrado uma suposta lista de clientes associada ao financista, o que provocou forte reação entre apoiadores de Trump e ampliou a pressão por mais transparência.
De acordo com o "The New York Times", Vance liderou a conversa e defendeu a divulgação ampla dos documentos relacionados ao caso para reduzir especulações e evitar novos desgastes políticos. O vice-presidente avaliou que o Congresso poderia acabar impondo a abertura dos arquivos e, por isso, sustentou que a Casa Branca deveria se antecipar e conduzir o processo por iniciativa própria.
Vance também teria sugerido uma entrevista com Ghislaine Maxwell, ex-companheira de Epstein condenada por tráfico sexual, para que ela esclarecesse publicamente questões ligadas ao caso. A proposta, porém, enfrentou resistência dentro do governo, já que assessores temiam uma reação negativa da opinião pública a qualquer aproximação com Maxwell.
Outros integrantes do grupo discutiram alternativas capazes de demonstrar transparência, mas sem aumentar o desgaste político de Trump. Nesse contexto, James Blair fez críticas à estratégia de comunicação adotada até então e alertou para o risco de uma eventual coletiva de imprensa sair do controle, afirmando que o grupo ainda teria muito a ajustar antes de se expor publicamente.
A alternativa vista como menos arriscada foi recorrer a tribunais federais para tentar obter a liberação de depoimentos do grande júri relacionados a investigações anteriores. O grupo acreditava haver uma probabilidade elevada de que os juízes mantivessem o sigilo desses materiais, o que permitiria ao governo deslocar para o Judiciário a responsabilidade pela eventual não divulgação dos documentos.
Em resposta a um pedido de comentário, a porta-voz da Casa Branca, Abigail Jackson, reiterou as alegações de Trump de inocência em relação a Epstein.
Ela afirmou que, ao divulgar documentos, cooperar com o Congresso e apoiar novas investigações, o presidente teria feito mais pelas vítimas do que qualquer outra pessoa.















