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Controverso, Javier Milei toma posse como presidente da Argentina neste domingo

Chegada ao poder transforma Argentina em polo da direita. Lula não irá à cerimônia em Buenos Aires, que terá Jair Bolsonaro e outras autoridades

Controverso, Javier Milei toma posse como presidente da Argentina neste domingo
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O controverso Javier Milei será empossado neste domingo (10.dez) como novo presidente da Argentina. Vencedor das eleições realizadas em novembro, depois de superar no segundo turno o candidato do atual governo, Sergio Massa, ministro da Economia de Alberto Fernandez, Milei chega ao poder como um personagem repleto de peculiaridades e promete mudanças radicais na economia e na administração pública argentina. 

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Milei transforma ainda a Argentina como um importante polo de concentração da extrema-direita mundial. Sua vitória nas eleições presidenciais foi muito celebrada por dois nomes a quem Milei sempre esteve muito alinhado: os ex-presidentes Jair Bolsonaro, do Brasil, e Donald Trump, dos Estados Unidos. Bolsonaro chegou nesta 5ª feira (07.nov) a Buenos Aires e já se encontrou com o novo presidente argentino. Junto com ele foi uma comitiva de políticos e autoridades brasileiras, entre eles o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi duramente criticado por Milei durante a campanha presidencial argentina, decidiu não ir à posse e enviou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para a cerimônia. Outros dois presidentes de países da América do Sul, com viés de esquerda, não irão à posse: Gustavo Petró, da Colômbia, e Luis Arce, da Bolívia. Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, enviará um representante.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, confirmou presença em sua primeira visita à América Latina desde o início da Guerra da Ucrânia. Também estarão o presidente da Hungria Viktor Orbán; o rei da Espanha, Felipe VI; e o presidente da Armênia, Vahagn Khachaturyan.

A posse de Milei inclui um passeio pelas principais vias do Centro de Buenos Aires, a chegada ao Congresso Nacional, a ida à Casa Rosada, missa e apresentação de gala. Também vai receber líderes e autoridades estrangeiras.

Programação da posse

10h30: Saída do Hotel Libertador
11h00: Chegada ao Congresso Nacional para Assembleia Legislativa
11h10: Assinatura do livro de visitantes ilustres com Victoria Villarruel
11h30: Cerimônia e ato de transferência: Milei prestará o juramento exigido e em seguida receberá os atributos de comando do presidente que deixa o cargo, Alberto Fernández
12h00: Discurso na escadaria do Congresso
12h30: Retorno à Casa Rosada em um conversível Valiant III
13h00: Missa na Catedral Metropolitana de Buenos Aires
13h30: Recepção de líderes e autoridades estrangeiras
17h30: Posse dos Ministros na Sala Branca
18h30: Coquetel
20h00: Apresentação de gala no Teatro Colón

Uma das medidas adotadas por Milei foi reduzir de 18 para 8 o número de ministérios do governo. Um dos ministérios extiontos foi o da educação. Milei é um defensor da fusão dos ministérios da Saúde e da Educação como uma forma de reduzir os gastos públicos. Além disso, ele defende um sistema de educação privado e que não seja obrigatório. Para isso, ele propõe a criação de vouchers pagos pelo governo para quem quiser estudar. 

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+ Alberto Fernández deixa presidência da Argentina sob inflação de 142,7%: "Vários desafios"

Seu ministeriado conta com nomes como Patricia Bullrich, que foi candidata às eleições e ficou em terceiro lugar no primeiro turno, para cuidar da Segurança; Luis Caputo, que volta ao cargo de ministro da Economia, que ocupou durante a gestão do ex-presidente Mauricio Macri; e Luis Petri, ministro da Defesa, e que concorreu a vice-presidente na chapa de Patricia Bullrich.

Ministros de Milei

Ministério da Defesa: Luis Petri
Ministério do Capital Humano: Sandra Pettovello
Ministério da Economia: Luis Caputo
Ministério da Infraestrutura: Guillermo Ferraro
Ministério do Interior: Guillermo Francos
Ministério da Justiça: Mariano Cúneo Libarona
Ministério das Relações Exteriores: Diana Mondino
Ministério da Segurança: Patricia Bullrich
Ministério da Saúde: Mario Russo

Outras figuras importantes na composição do time são Karina Milei, irmã do novo presidente e braço direito dele, e Mario Menem, sobrinho do ex-presidente argentino Carlos Menem, que será o presidente da Câmara dos Deputados.

Quem é Javier Milei

Javier Milei é filho de um motorista de ônibus que se tornou empresário no ramo dos transportes com uma dona de casa. Ele cresceu em um lar violento, em Buenos Aires, e costuma dizer que para ele "os pais estão mortos". Devido ao contexto de agressividade doméstica, cresceu como um jovem solitário e chegou até a jogar como goleiro nas categorias de base do Chacarita Juniors. Além da formação em economia, Milei tem dois mestrados no Instituto de Desarrollo Económico e Social (IDES) e na Universidade Torcuato di Tella. Foi economista-chefe da Máxima AFJP (empresa de previdência privada), economista-chefe do Estúdio Broda (empresa de assessoria financeira) e consultor governamental do Centro Internacional para a Arbitragem de Disputas Sobre Investimentos. Ele também era economista sênior do HSBC. 

Com ideias radicais somadas expostas em comentários agressivos, somados ao seu visual excêntrico e perfil enérgico, Milei foi ganhando visibilidade e popularidade. Passou a mirar voos altos na política e em 2021 se candidatou a deputado nacional da Câmara dos Deputados, pelo Libertad Avanza, mas já mirava conseguir mais popularidade para se lançar à presidência. 

No campo político-ideológico, o presidente eleito de extrema-direita defende posições contrárias ao aborto, mesmo em casos que a mulher tenha sido vítima de abuso sexual. Se eleito, deve acabar com o ministério da Mulher. Ele também costuma negar a existência do aquecimento global e credita, segundo ele, "a teoria à uma invenção cultural". Ele também é contrário ao movimento LGBTQIA+. 

Desafios
O primeiro grande desafio de Javier Milei será reduzir a inflação e diminuir a grande recessão que o país vem enfrentando ao longo da última década e do começo da atual. Milei também precisará vencer a desconfiança de setores que julgam suas ideias muito "radicais", o que pode dificultar, inclusive, apoio dentro do Congresso. Apesar do Libertad Avanza ter saltado de três deputados na Câmara (Milei entre eles) para 37, o presidente argentino terá que contar com o apoio da coligação com o Juntos por el Cambio (93 deputados), de Patricia Bullrich, para conseguir maioria. Apesar da 3ª colocada nas eleições ter apoiado Milei no 2º turno, a negociação com a bancada não deve ser tão simples, devido às ideias disruptivas do novo presidente argentino. 

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