Nova variante do coronavírus pode ser mais letal, diz governo britânico
País chegou ao patamar de 1.400 mortes diárias pela covid-19
Foto: Pixabay
Sérgio Utsch
• Atualizado em
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Além de mais transmissível, a variante do novo coronavírus identificada na Inglaterra pode ser também mais letal. A informação foi revelada no início da noite desta 6ª feira (22.jan), durante a entrevista coletiva diária do governo britânico sobre a pandemia. "Fomos informados hoje que, além de se espalhar mais rapidamente, há evidências de que a nova variante pode estar associada a um nível mais alto de mortalidade", disse o primeiro-ministro Boris Johnson.
O estudo em que o governo britânico se baseou revelou que a nova forma do vírus pode matar de 30% a 40% mais que as anteriores. Quatro grupos de pesquisadores compararam o índice de mortes entre aqueles contaminados pela nova variante do vírus e os infectados por variantes antigas.
Não há evidências de que a chamada "variante inglesa" seja resistente às vacinas, mas ainda há muitas dúvidas sobre como vão reagir os organismos daqueles contimandos com as novas formas do vírus identificadas na África do Sul e no Brasil. "Há uma preocupação", diz Patrick Vallance, do comitê científico do governo. Alertou, porém, que mais estudos são necessários.
A notícia bombástica veio à tona no momento em que o Reino Unido confirmava a morte de 1.401 doentes com a covid-19 nas últimas 24 horas. A média de óbitos durante a semana ficou acima de 1.200. Na última quarta-feira, 1.820 pessoas morreram, o maior número desde o início da pandemia. Já são 95.981 vítimas no país. Entram nesta estatística apenas aqueles com teste positivo para o novo coronavírus até 28 dias antes do óbito.
VACINAÇÃO
Mais de 400 mil pessoas foram vacinadas nesta 6ª feira. É o maior número desde o início da campanha, em 8 de dezembro. 5,4 milhões de doses já foram administradas. 71% dos britânicos com mais de 80 anos receberam pelo menos uma das duas doses necessárias.
O Reino Unido está aplicando os imunizantes da Pfizer/BioNTech e o desenvolvido pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica Aztrazeneca. O governo espera imunizar todo o grupo prioritário - idosos com mais de 80 anos e profissionais de saúde da linha de frente - até o meio de fevereiro.
Além disso, o índice de reprodução do vírus já sofreu uma redução. O fator R, que indica o número médio de pessoas para quem cada infectado transmite o vírus, está entre 0,8 e 1, segundo dados divulgados hoje pelo Ministério da Saúde do Reino Unido. Mesmo assim, não há previsão de relaxamento do atual lockdown, que só será revisado em meados de fevereiro.
"O número de pessoas sendo contaminadas pelo vírus está mudando, mas ainda está em um patamar extremamente alto", lembrou o cientista Chris Whitty, consultor-chefe do governo. Nesta quarta, foram confirmados 40.261 novos casos. Mas o número real pode ser muito maior. Um levantamento do próprio governo britânico estima que apenas 17% das pessoas com sintomas decidem fazer o teste. Muitas evitam o diagnóstico pra não serem obrigadas a se isolar.
O principal termômetro para uma mudança nas políticas de restrição é a rede hospitalar, onde estão mais de 38 mil pessoas doentes com a Covid, 78% a mais que no pico da primeira onda, em abril do ano passado.