Justiça

TSE libera para julgamento ações que podem levar à cassação de Cláudio Castro

Processos estavam suspensos por pedido de vista; relatora já votou por cassação e nova eleição no RJ

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Camila Stucaluc
20/02/2026, 06:11 • Atualizado em 20/02/2026, 06:11
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Governador Cláudio Castro (PL) | Agência Brasil

Governador Cláudio Castro (PL) | Agência Brasil

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) marcou para o dia 10 de março a retomada do julgamento que pode levar à cassação do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). A sessão foi interrompida em novembro do ano passado após pedido de vista do ministro Antônio Carlos Ferreira, que liberou o processo na quinta-feira (19).

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Castro é acusado de abuso de poder político e econômico na campanha eleitoral de 2022. Segundo o recurso do Ministério Público Eleitoral (MPE), o governador usou a máquina pública para fortalecer sua imagem e conquistar apoio político, por meio da Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos (Ceperj).

A ação apura se a fundação foi utilizada indevidamente durante as eleições, após indícios de contratações em massa sem concurso público e remunerações fora dos padrões administrativos, feitos em dinheiro vivo, sacados diretamente na boca do caixa. A suspeita é de que Castro tenha se beneficiado de um esquema de distribuição de cargos e recursos para obter apoio político no pleito.

Antes do julgamento ser paralisado, a relatora do caso, ministra Isabel Gallotti, votou pela cassação e inelegibilidade do governador do Rio de Janeiro. A magistrada ainda determinou a realização de eleições suplementares ao governo do estado e a retotalização dos votos para o cargo de deputado estadual a partir da cassação do deputado estadual Rodrigo Bacellar — suspeito de participar do esquema.

No parecer, Isabel afirmou que as condutas investigadas, cronologia, extensão territorial, montante financeiro, forma de remuneração e massiva exposição pública dos investigados revelaram um “elaborado esquema” de uso da estrutura administrativa estadual e de seus recursos. Segundo ela, a finalidade foi influenciar as eleições e garantir a permanência no poder e o favorecimento de aliados.

“O alto grau de reprovabilidade das condutas é manifesto. As ações não foram atos isolados ou improvisados, mas uma estratégia implementada no âmbito do governo do estado”, disse a ministra, em seu voto.

A defesa de Castro, por sua vez, sustentou a ausência de provas que relacionem o governador às supostas contratações irregulares e que as inaugurações de obras ocorreram antes do período eleitoral, sem vínculo com qualquer candidato. Os advogados defenderam a manutenção do entendimento do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), que absolveu Castro das acusações em maio de 2024.

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