Justiça

PF informa ao STF que não recebeu imagens de PMs que atuaram em operação com 122 mortos no Rio

Ministro Alexandre de Moraes determinou que governo do estado enviasse registros das câmeras corporais usadas em ação mais letal da história do país

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Dezenas de corpos levados por moradores para praça na Penha, zona norte do Rio de Janeiro, após ação policial | Eusébio Gomes/TV Brasil

A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal (STF), na última quarta-feira (1º), que ainda não recebeu as imagens das câmeras corporais de policiais militares que atuaram na Megaoperação Contenção, considerada a ação policial mais letal da história do país. Realizada em outubro de 2025, nos complexos do Alemão e da Penha, a operação deixou 122 mortos – incluindo cinco agentes de segurança.

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O ministro Alexandre de Moraes havia determinado, em março deste ano, que o governo do estado do Rio de Janeiro enviasse à PF, em mídia física, as imagens capturadas durante a ação.

Segundo o ofício, assinado pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, até o momento, foram recebidas apenas as imagens das câmeras corporais de policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil.

"Não foi recebido qualquer acervo audiovisual relativo às equipes da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), que atuaram na operação com efetivo significativamente maior e número substancialmente superior de dispositivos de gravação corporal", diz o documento enviado ao STF.

Andrei Rodrigues solicita, ainda, mais prazo para concluir a perícia das imagens enviadas. Segundo o diretor da PF, é inviável finalizar o trabalho no prazo de 15 dias estipulado pelo Supremo.

Até o momento, a PF recebeu 400 horas de gravação da Polícia Civil. Segundo o ofício, uma equipe formada por 10 peritos federais está mobilizada para analisar o material, com um prazo de 90 dias estimado para a conclusão. Rodrigues também destaca que, com a chegada das imagens da PM, esse prazo deve aumentar.

O SBT News pediu um posicionamento para a Polícia Militar. Em caso de retorno, o texto será atualizado.

OEA viu indícios de execuções e uso excessivo da força

Um relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão da Organização dos Estados Americanos (OEA), apontou indícios de execuções extrajudiciais, uso excessivo da força e racismo estrutural durante a operação.

O documento foi elaborado após visita da comissão ao Brasil, entre 1º e 5 de dezembro de 2025, quando uma delegação se reuniu com autoridades, especialistas, organizações da sociedade civil e familiares das vítimas, além de realizar inspeção nas áreas onde ocorreram os confrontos.

O relatório registrou denúncias de execuções extrajudiciais, tratamento indigno de pessoas mortas e falhas na preservação das cenas de crime, além de possíveis violações ao direito à vida, à integridade pessoal e às garantias judiciais. Também foram apontadas "graves discrepâncias" entre os objetivos anunciados pelo governo e os resultados da operação.

Embora as autoridades tenham afirmado que a ação tinha como objetivo cumprir mandados judiciais contra integrantes de organizações criminosas, apenas 15 das 117 pessoas mortas eram alvos dessas ordens judiciais.

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