Justiça

Diretor da PF diz que operação contra Ciro não foi resposta à delação de Vorcaro

Andrei Rodrigues afirmou que a colaboração precisa “cumprir requisitos” para ser validada

Imagem da noticia Diretor da PF diz que operação contra Ciro não foi resposta à delação de Vorcaro
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues | Washington Costa/MPO
• Atualizado em

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, disse nesta sexta-feira (8) que a quinta fase da operação Compliance Zero, que apura as fraudes do Banco Master, não foi uma resposta à delação de Daniel Vorcaro, que, como apurou SBT News, foi mal avaliada pelos investigadores da corporação.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

A proposta de delação foi entregue na terça (5), dois dias antes da operação deflagrada pela PF, que teve entre os alvos o senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP, citado por Vorcaro como “amigo da vida".

“Não fazemos nenhuma ação pensando em pressionar para obter algum resultado. A apresentação [da investigação] já tem algum tempo, mas a decisão pelo cumprimento foi ontem. Isso não guarda nenhuma relação entre um fato e outro”, declarou Rodrigues durante evento de formatura de novos agentes da Polícia Federal em Brasília.

Andrei Rodrigues foi questionado ainda sobre o futuro do processo contra Vorcaro caso a PF não aprove o acordo de colaboração premiada.

Ele disse desconhecer os termos da delação, mas lembrou que ela “precisa cumprir vários requisitos” para ser validada. “Se não atender esses requisitos, não é validada e o processo segue seu curso”, pontuou.

A PF mostrou, na operação de quinta (7), que tinha material suficiente para deflagrar novas operações e que Vorcaro precisa trazer mais detalhes que a corporação ainda não tenha para que a delação seja homologada. A relação com Ciro Nogueira, por exemplo, não estaria esmiuçada na proposta, segundo apurou a reportagem.

Retorno de delegados cedidos

O diretor da PF também comentou sobre a intenção do presidente Lula (PT) de reconvocar todos os delegados cedidos a outros órgãos. Segundo Rodrigues, são cerca de 150, incluindo os que estão lotados em secretarias de segurança pública.

Segundo Rodrigues, não é "razoável" que delegados estejam fora da função primordial para ficar em ministérios e gabinetes de ministros.

O ministro da Justiça, Wellington César Lima, disse que enviou ao diretor-geral da PF um pedido de explicações sobre as atividades prestadas por cada policial.

“Depois, será feito um exame sobre quais atividades são convergentes com as atribuições da Polícia Federal, especialmente no combate ao crime organizado e à segurança pública”, completou.

A ideia de exigir o retorno de delegados cedidos foi mencionada pela primeira vez por Lula em evento em 23 de abril. Na ocasião, ele disse que pediu ao Ministério da Justiça que convidasse todos os delegados "que estão fora da da Polícia Federal" para retornar aos seus postos com o objetivo de reforçar o combate ao crime organizado.

Últimas Notícias