Defesa de Zambelli entra com último recurso na Itália para barrar extradição
Ex-deputada está presa desde julho de 2025, quando deixou o Brasil após ser condenada pelo STF por invasão de sistemas do CNJ e adulteração de documentos



Victor Schneider
José Matheus Santos
A defesa da ex-deputada Carla Zambelli entrou nesta sexta-feira (10) com um recurso na última instância da Justiça da Itália para barrar sua extradição, determinada no fim de março.
Ela está presa em Roma desde julho de 2025, quando deixou o Brasil após ser condenada a 10 anos de prisão pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) por invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e adulteração de documentos. A ação foi orquestrada junto ao hacker Walter Delgatti Neto.
O prazo para a análise da Corte de Cassação de Roma é de até seis meses. Findado o período, a decisão de prosseguir com a extradição cabe ao ministro da Justiça italiano – cargo hoje ocupado por Carlo Nordio. Brasil e Itália tem um tratado mútuo de extradição em vigor desde 1993.
No recurso à Suprema Corte de Cassação, ao qual o SBT News teve acesso, os advogados de Zambelli afirmam que, durante o processo que culminou com a condenação da ex-deputada no STF por inserção de dados falsos no sistema do CNJ, o ministro Alexandre de Moraes teria exercido "simultânea e cumulativamente as funções de pessoa ofendida pelo crime, juiz instrutor, juiz de primeiro grau, juiz de segundo grau e juiz da execução nos processos penais que fundamentam o pedido de extradição".
"É preocupante que a Corte de Apelação de Roma nada de significativo tenha observado sobre essa situação processual anômala", afirmam os advogados de Zambelli.
A defesa também diz que Moraes teria subtraído dos autos um relatório da PF que mostraria que não teria havido contatos entre Zambelli e Walter Delgatti Neto, que teria incluído o mandado falso no sistema do CNJ.
Por fim, reafirmam que a ex-deputada tem "um quadro clínico de extrema complexidade" e criticam as condições da "Colmeia", como é conhecida a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, em região ao largo de Brasília, apontando superlotação e falta de assistência médica.
Enquanto Zambelli já estava em território italiano, o plenário do STF a condenou a 5 anos e 3 meses de prisão por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo, no episódio em que perseguiu um homem nas ruas de São Paulo na véspera do segundo turno das eleições de 2022.
Ainda em 2025, o STF declarou o trânsito em julgado das duas condenações, esgotando as possibilidades de recurso. Zambelli renunciou ao mandato de deputada em dezembro do mesmo ano.









