Justiça

PGR defende que governo deve ter maior poder de voto na Eletrobras

Augusto Aras se manifestou no âmbito de ação movida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva

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Guilherme Resck
Augusto Aras (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

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Em parececer protocolado nesta 4ª feira (17.ago) no Supremo Tribunal Federal (STF), a Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu que seja julgada procedente a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) contra dispositivos da Lei de Desestatização da Eletrobras.

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A ADI foi protocolada em maio e é assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o advogado-geral da União, Jorge Messias, o advogado-geral da União adjunto, Flávio José Roman, e a secretário-geral de Contencioso da AGU, Isadora Maria de Arruda. A ação, com pedido liminar, requer ao Supremo a declaração parcial de inconstitucionalidade de dispositivos da lei (alíneas "a" e "b" do inciso III do artigo 3º).

"Solicita à Corte que dê interpretação à norma para afastar a regra nela expressa, na parte relativa à União, que proíbe que acionista ou grupo de acionistas exerçam votos em número superior a 10% da quantidade de ações em que se dividir o capital votante da empresa. Esse entendimento valeria apenas no caso de acionistas com essa posição antes do processo de desestatização", ressaltou a AGU em comunicado no mês de maio.

Segundo o parecer da PGR, assinado pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, essa limitação violou o direito constitucional de propriedade da União, que possui mais de 40% do capital da Eletrobras, em benefício de acionistas privados - estes com menos de 10% de participação societária.

Aras ressalta ainda que a decisão de mudar o peso dos votos dos acionistas foi tomada em assembleia geral da qual a União não participou e sem qualquer compensação para o poder público, acarretando, assim, em depeciação indevida do patrimônio brasileiro. Dessa forma, o procurador-geral da República defende que a limitação seja aplicada somente ao direito ao voto das ações adquiridas após a privatização, mantendo o poder da União proporcional às ações que esta detém.

Aras sugere também que, antes de apreciar o mérito da ADI, o Supremo dê início a tratativas conciliatórias entre os interessados, para que a União e os acionistas minoritários da Eletrobras possam achar solução consensual para o tema.

O advogado-geral da União comemorou, nesta 4ª, as conclusões do parecer da PGR. Aras, de acordo com Jorge Messias, reconhece, por meio de sua manifestação, "a correção e a legitimidade da tese da AGU apresentada ao Supremo na ADI da Eletrobras". "Aguardamos agora, com esperança, os desdobramentos positivos da ação na Corte em prol do interesse da União", complementou.

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