Governo

Invasores do Palácio do Planalto danificaram obra estimada em R$ 8 milhões

Tela As Mulatas, de Di Cavalcanti, foi encontrada com sete rasgos

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Guilherme Resck
09/01/2023, 19:23 • Atualizado em 31/10/2023, 14:54
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Obra As Mulatas danificada (Reprodução)

Obra As Mulatas danificada (Reprodução)

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A tela As Mulatas, que foi danificada durante a invasão promovida por bolsonaristas ao Palácio do Planalto no domingo (8.jan), é estimada em R$ 8 milhões. A informação foi divulgada nesta 2ª feira (9.jan) pela Secretaria de Comunicação Social (Secom).

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A obra é a principal peça do Salão Nobre, localizado no terceiro andar do Palácio. Ela foi encontrada com sete rasgos, de diferentes tamanhos, após a invasão. A Secom acrescenta que a tela "é uma das mais importantes da produção de Di Cavalcanti". Apesar de ter seu valor estimado em R$ 8 milhões, peças da magnitude de As Mulatas costumam chegar a montante até cinco vezes maior em leilões.

Ainda no terceiro andar, invasores destruíram completamente a obra O Flautista, de Bruno Giorgi, que consiste numa escultura de bronze e é avaliada em R$ 250 mil; quebraram em vários pontos a escultura de parede em madeira de Frans Krajcber, estimada em R$ 300 mil; utilizaram como barricada a mesa de trabalho de Juscelino Kubitscheck; quebraram o vidro da mesa-vitrine de Sérgio Rodrigues, que abriga as informações do presidente em exercício; e destruíram completamente o Relógio de Balthazar Martinot, que é do século XVII e foi um presente da Corte Francesa para Dom João VI. Há apenas dois relógios de Martinot, relojoeiro de Luís XIV. O outro encontra-se no Palácio de Versalhes, na França, mas tem metade do tamanho da peça do Planalto. Esta possui valor considerado fora do padrão.

No segundo andar do Palácio do Planalto, invasores vandalizaram o corredor que dá acesso às salas dos ministérios que funcionam no prédio. "Há muitos quadros rasurados ou quebrados, especialmente fotografias. O estado de diversas obras não pôde ainda ser avaliado, pois é necessário aguardar a perícia e a limpeza dos espaços para só daí ter acesso às obras", pontua a Secom.

Já no térreo, foram danificadas a obra Bandeira do Brasil (1995), de Jorge Eduardo, uma pintura que reproduz a bandeira nacional hasteada em frente ao prédio; e destruíram totalmente a galeria dos ex-presidentes. A obra foi encontrada boando sobre a água que inundou o andar, depois de os golpistas abrirem os hidrantes do local.

Segundo a Secom, "ainda não é possível ter um levantamento minucioso de todas as pinturas, esculturas e peças de mobiliário destruídas". As peças apontadas foram identificadas em avaliação preliminar. Para o diretor de Curadoria dos Palácios Presidenciais, Rogério Carvalho, será possível recuperar a maioria das obras vandalizadas. Entretanto, estima ser "muito difícil" a restauração do Relógio de Balthazar Martinot.

"O valor do que foi destruído é incalculável por conta da história que ele representa. O conjunto do acervo é a representação de todos os presidentes que representaram o povo brasileiro durante este longo período que começa com JK. É este o seu valor histórico", pontuou. Ainda em suas palavras, "do ponto de vista artístico, o Planalto certamente reúne um dos mais importantes acervos do país, especialmente do Modernismo Brasileiro".

Por meio de nota, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), lamentou e repudiou "com veemência" a invasão e depredação praticada por bolsonaristas a prédios públicos no domingo. Segundo a organização, "Brasília está inscrita na lista de bens do Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1987, reconhecimento que engloba as características urbanísticas e arquitetônicas da Esplanada dos Ministérios e da Praça dos Três Poderes".

A diretora e representante da Unesco no Brasil, Marlova Noleta, contatou a ministra da Cultura do Brasil, Margareth Menezes, e colocou a entidade à disposição para apoiar o trabalho de restauração do patrimônio, que vem sendo coordenado pela pasta e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Nesta 2ª, a Unesco e o Minc farão uma reunião para tratar sobre o assunto.

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