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Resenha: ‘Monster Hunter Stories 3’ transforma fórmula clássica em um RPG viciante

Spin-off da Capcom aposta em combate estratégico, vínculo com criaturas e um loop de progressão extremamente envolvente

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Vinícius Gobira
21/04/2026, 15:51 • Atualizado em 21/04/2026, 21:47
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Resenha: ‘Monster Hunter Stories 3’ transforma fórmula clássica em um RPG viciante

Existe um certo cansaço quando se fala em jogos de capturar criaturas. A fórmula já foi repetida tantas vezes que, na maioria dos casos, a sensação é de estar jogando variações do mesmo conceito. Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection surge justamente nesse cenário, e mostra como fazer melhor.

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Para quem nunca mergulhou de verdade no universo da Capcom, esse spin-off funciona como uma porta de entrada inesperada. Ao abandonar a ação em tempo real da franquia principal e apostar em um RPG por turnos, o jogo desacelera o ritmo, mas ganha espaço para aprofundar sistemas, personagens e, principalmente, a relação com suas criaturas.

Um mundo que gira em torno dos monstros

Aqui os monstros fazem parte da vida das pessoas. São parceiros, ferramentas, símbolos de equilíbrio, ou de caos, quando algo sai do controle.

Os chamados Monsties caminham ao lado dos Riders, e essa relação sustenta toda a construção do mundo. Cada região reforça essa ideia, mostrando diferentes formas de convivência e os impactos quando esse vínculo é quebrado.

A história segue um caminho relativamente familiar, com conflitos entre nações e mistérios envolvendo o comportamento das criaturas. Não é revolucionária, mas é bem conduzida. O suficiente para manter o interesse sem tirar o foco do que realmente importa: a jornada e as conexões criadas ao longo dela.

Um sistema de combate que evolui junto com o jogador

O combate por turnos pode parecer simples no início, mas rapidamente revela uma profundidade considerável.

Tipos de ataque, leitura de comportamento dos inimigos, habilidades específicas e sinergia entre equipe criam um sistema que recompensa planejamento. E quando tudo começa a se encaixar, o jogo muda de patamar.

As batalhas deixam de ser automáticas e passam a exigir decisões constantes. Antecipar movimentos, trocar Monsties no momento certo e explorar fraquezas vira parte natural do fluxo. Soma-se a isso animações bem trabalhadas e uma sensação de impacto que nem sempre aparece em jogos do gênero.

É um combate que prende porque responde bem ao jogador.

O loop que sustenta tudo

Se existe um ponto onde Monster Hunter Stories 3 realmente se consolida é no seu loop de progressão. Explorar, coletar ovos, montar equipe, evoluir Monsties, voltar ao campo. Repetir.

Pode parecer simples, mas é extremamente bem amarrado. Cada criatura tem habilidades que impactam diretamente a exploração, abrindo caminhos e incentivando variações na equipe. O sistema de genes, por meio do ritual de legado, adiciona uma estratégia que cresce conforme o jogador se aprofunda.

O jogo ensina aos poucos, e quando você percebe, já está ajustando builds, testando combinações e pensando no próximo upgrade. É o tipo de progressão que acontece naturalmente.

O elefante na sala: Pokémon

É impossível jogar Monster Hunter Stories 3 e não pensar em Pokémon. Não como comparação direta de estilo, mas como conceito.

Aqui, capturar criaturas, montar equipe e evoluir não são apenas sistemas isolados. Tudo conversa entre si. O combate exige atenção, a progressão tem impacto real e o vínculo com os monstros vai além de números.

Em muitos momentos, fica a sensação clara de estar diante de algo que a franquia da Nintendo poderia ter se tornado, ou talvez ainda possa.

Como um jogador de longa data de Pokémon, ficou um gostinho de como poderia ser voar em um Charizard em um grande mundo aberto com gráficos de tirar o fôlego.

Nem tudo sustenta o mesmo ritmo

Apesar de todos os acertos, o jogo não escapa de um problema clássico do gênero: repetição.

O loop que prende também pode cansar. Coletar ovos, farmar (acumular) materiais e otimizar builds fazem parte da experiência do início ao fim. Para quem gosta, isso vira combustível. Para quem não compra a ideia, isso com certeza vai pesar com o tempo.

Conclusão: um RPG que entende o que está fazendo

Monster Hunter Stories 3 é o tipo de jogo que sabe exatamente onde está seu ponto forte e constrói tudo ao redor disso.

Ele entrega um combate sólido, uma progressão viciante e um mundo que faz sentido dentro da proposta.

É um daqueles jogos que fazem você olhar para o lado e pensar que outras franquias poderiam — e talvez deveriam — estar fazendo algo parecido.

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