Eleições

Último debate em SP: Boulos liga prefeito a corrupção e Nunes ataca deputado por radicalismo

Candidatos protagonizaram encontro com poucas propostas e diversas provocações

P
M
Paulo Sabbadin, Murillo Otavio
Guilherme Boulos e Ricardo Nunes no último debate eleitoral promovido pela TV Globo - Reprodução/Globo

Guilherme Boulos e Ricardo Nunes no último debate eleitoral promovido pela TV Globo - Reprodução/Globo

Ricardo Nunes (MDB) e Guilherme Boulos (Psol), candidatos à Prefeitura de São Paulo, realizaram na noite desta sexta-feira (25) o último debate antes do segundo turno das eleições. O encontro foi marcado por provocações e acusações de crimes entre os candidatos.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

O deputado de esquerda tentou associar o atual prefeito a suspeitas de corrupção, citando a "máfia das creches" e a presença do cunhado de Marcola - líder do PCC - em órgão da prefeitura sob a administração de Nunes. Em contrapartida, o candidato à reeleição tentou colar em Boulos a imagem de baderneiro, radical, a favor da legalização das drogas.

O debate começou morno, mas ganhou tensão no final do primeiro bloco. Com a possibilidade de movimentação livre pelo cenário, os adversários ficaram cara a cara e, em alguns momentos, se estranharam.

O debate na TV Globo foi dividido em quatro blocos, com o primeiro e o terceiro com temas livres, e o segundo e o quarto com assuntos pré-definidos e negociados com as campanhas. Em meio a provocações, as propostas para a cidade ficaram de lado. Os temas que mais geraram respostas sobre desafios para a próxima administração municipal foram transporte e moradia. Veja abaixo como foi o andamento do debate, bloco a bloco.

Primeiro bloco

Os principais temas discutidos no bloco inicial foram segurança pública, privatização de serviços e a pandemia de covid-19.

O atual prefeito questionou Boulos sobre o voto contrário dele a um projeto, no Congresso Nacional, que aumentava penas para criminosos. O candidato do Psol, que é deputado federal, respondeu que não participou da sessão da Câmara em questão.

Depois, circulando à vontade no cenário, Boulos pediu aos eleitores que não tenham medo e optem pela mudança. O deputado aproveitou para questionar Nunes sobre a privatização dos cemitérios, alegando aumento nos custos para as famílias paulistanas.

Declarando-se liberal, o prefeito defendeu a privatização da Sabesp. Sobre o serviço funerário, negou o aumento nos preços e prometeu melhorias no serviço.

Por sua vez, Boulos questionou Nunes sobre declarações, feitas por ele no passado, elogiando atitudes do ex-presidente Jair Bolsonaro, dizendo que "fez tudo certo" durante a pandemia de covid-19. Nunes tentou fugir da resposta, mas ao ser questionado pela terceira vez, disse: “Quem enviou a vacina [para São Paulo] que você tomou foi o Bolsonaro.”

Embora fora da alçada da prefeitura, Nunes insistiu no tema das drogas, alegando que Boulos é a favor da legalização. O candidato do Psol esclareceu que vê a questão como um problema de segurança e também de saúde. “Eu diferencio usuário de traficante”, argumentou Boulos.

Neste momento, uma leve tensão surgiu entre os candidatos, que se encararam. Questionado sobre ser "duas caras", Boulos afirmou: "quem tem duas caras neste debate é você".

Segundo bloco

Com os candidatos escolhendo os temas, Boulos optou por saúde e perguntou a Nunes quanto dinheiro a Prefeitura tem em caixa. O prefeito respondeu que o valor estimado é de cerca de R$ 22 milhões. O deputado do Psol indagou por que esse valor não é utilizado na melhoria dos serviços públicos de saúde na capital.

Nunes respondeu que sua gestão tem investido na área da saúde, que criou diversas UPAs e prometeu a criação de outras. Nesse momento, Boulos afirmou que o prefeito fechou unidades e abriu outras, e que essa manobra não é necessariamente uma melhoria no serviço. Encerrando o assunto, Boulos disse que vai criar o "Poupatempo da Saúde" para zerar a fila de exames em São Paulo.

Em seguida, Nunes escolheu o tema trabalho e questionou Boulos sobre o projeto "Meu Trampo", que oferece cursos gratuitos de empreendedorismo para jovens. Boulos respondeu que "dá pra fazer muito mais". Citando Marta Suplicy, sua vice, o candidato do Psol prometeu a criação do "CEU Profissões", para incentivar a capacitação de jovens da periferia em diversas áreas.

O prefeito citou a redução de impostos como um incentivo para a geração de empregos na cidade e questionou Boulos sobre o voto contrário de seu partido sobre o assunto. Boulos afirmou que a proposta em questão incluía diversos "jabutis", emendas feitas posteriormente que desvirtuam a ideia principal do projeto. Destacando o apoio de Tabata Amaral, candidata derrotada do PSB no primeiro turno, Guilherme afirmou que vai incorporar a proposta "Jovem Empreendedor", programa que oferecerá crédito para jovens que quiserem iniciar um negócio próprio.

Terceiro bloco

Novamente com tema livre, o terceiro bloco teve poucas discussões sobre propostas e ideias para o desenvolvimento da capital paulista.

Logo no início, Boulos questionou Nunes sobre a investigação da "máfia das creches" e os cheques recebidos de um dos suspeitos envolvidos. Nunes afirmou que o psolista mentia sobre o assunto, e o atacou dando a entender que Boulos não trabalha.

O debate seguiu com trocas de provocações. Como vinha fazendo durante toda a campanha, Boulos desafiou Nunes a abrir seus dados bancários. O prefeito se esquivou e acusou Boulos de cometer crimes pelo MTST (Moimento dos Trabalhadores Sem Teto).

Boulos também relembrou um episódio em que Nunes foi acusado por porte de arma e disparo em Embu das Artes, na década de 1990. O prefeito se defendeu, afirmando que apenas separou uma confusão envolvendo um amigo dele.

Seguindo na linha sobre corrupções, Boulos perguntou sobre a indicação do cunhado do traficante Marcola, líder do PCC, para um cargo na prefeitura. Nunes tentou convencer o eleitor de que não teve qualquer influência na presença do funcionário "de carreira", que teria ingressado no serviço público durante o mandato de Luiza Erundina, nos anos 1980.

Quarto bloco

No último bloco do debate, Nunes começou falando sobre o programa "Pode Entrar", criado na gestão de Bruno Covas - prefeito falecido durante o segundo mandato. Boulos reconheceu pontos positivos do projeto, mas afirmou que há espaço para melhorias.

O candidato do Psol abordou o aumento da população em situação de rua na gestão de Nunes que, por sua vez, negou a informação. O prefeito citou ampliação de vagas em hotéis para pessoas sem teto. Boulos relembrou sua trajetória na luta por moradia, e prometeu enfrentar o problema na capital.

Neste momento, a tensão entre os opositores aumentou, especialmente quando Nunes criticou a proximidade física imposta por Boulos. "Dá licença", pediu Nunes para Boulos que se posicionava em frente ao adversário, dificultando que este mostrasse o mapa da cidade que ficava no centro do cenário. Em tom de ironia, Boulos retrucou: "fique à vontade".

O bloco prosseguiu com o psolista falando sobre mobilidade e perguntando a Nunes por que não foram executadas as obras prometidas para o Grajaú, bairro da zona Sul da capital, no início da gestão Covas. O prefeito justificou que ainda falta a licença ambiental.

Boulos tentou provocar o adversário afirmando que as viagens de ônibus em São Paulo foram reduzidas, e que a situação é pior aos domingos, quando o transporte é gratuito. Nunes negou a informação e foi ironizado.

Nunes foi o primeiro a fazer as considerações finais, focando nas promessas de continuidade de obras na cidade, enquanto Boulos encerrou o debate pedindo para que os eleitores não tenham medo e votem em paz. O segundo turno das eleições municipais acontece neste domingo (27).

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Incêndios afetam mais de 200 mil na Espanha e França

Incêndios afetam mais de 200 mil na Espanha e França

Imagem da notícia: Justiça bloqueia R$ 135 milhões em ação do Rioprevidência

Justiça bloqueia R$ 135 milhões em ação do Rioprevidência

Imagem da notícia: Retatrutida: medicamento ainda não é aprovado, diz Anvisa

Retatrutida: medicamento ainda não é aprovado, diz Anvisa

Imagem da notícia: Trump participa de jantar de correspondentes após ataque

Trump participa de jantar de correspondentes após ataque

Imagem da notícia: Incêndios afetam mais de 200 mil na Espanha e França

Incêndios afetam mais de 200 mil na Espanha e França

Imagem da notícia: Justiça bloqueia R$ 135 milhões em ação do Rioprevidência

Justiça bloqueia R$ 135 milhões em ação do Rioprevidência

Imagem da notícia: Retatrutida: medicamento ainda não é aprovado, diz Anvisa

Retatrutida: medicamento ainda não é aprovado, diz Anvisa

Imagem da notícia: Trump participa de jantar de correspondentes após ataque

Trump participa de jantar de correspondentes após ataque

Últimas notícias

Milei receberá mais alta honraria concedida por São Paulo

Cerimônia está prevista para ocorrer no Palácio dos Bandeirantes, antes da Convenção do Partido Liberal

Trump diz que Venezuela não está pronta para eleições

Apesar da declaração, presidente dos EUA reconheceu que o país havia feito avanços sob a liderança da presidente interina Delcy Rodríguez

TCE-SP cobra explicações sobre falhas em trens

Governo e concessionária terão cinco dias para esclarecer ocorrências nas linhas 11, 12 e 13, incluindo incêndio e paralisação de serviços

SpaceX lança 13º voo de teste da nave Starship

Missão da SpaceX levou 20 satélites Starlink V3 e testará melhorias em motores, separação de estágios e escudo térmico

Arábia Saudita ataca Iêmen após ofensiva dos houthis

Ataques aéreos contra cidade portuária controlada pelo grupo insurgente ocorrem dias depois de petroleiros sauditas serem atingidos no mar Vermelho

Anitta lança Equilibrivm ll com referência a Carmen Miranda

Cantora se prepara para turnê especial de álbum que mescla fé, cultura, dança e brasilidades