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Sâmia defende foco de Lula no eleitorado paulistano

Ao SBT News, deputada do PSOL defendeu diálogo com indecisos e mulheres da capital paulista para ampliar votos no segundo turno

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A deputada federal reeleita Sâmia Bonfim (PSOL-SP) defendeu que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) priorize o eleitorado da cidade de São Paulo no segundo turno. Ao SBT News, a parlamentar ressaltou que Lula venceu na capital paulista e afirmou que a concentração de eleitores oferece uma oportunidade para ampliar a vantagem na cidade sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Para Sâmia, a campanha deve concentrar esforços no diálogo com os indecisos e com as pessoas que não compareceram às urnas no primeiro turno. Na cidade de São Paulo, Lula recebeu 3.052.349 votos, equivalentes a 46,58% dos votos válidos, contra 42,13% de Flávio. No estado, o petista obteve 9.505.413 votos, ou 38,20%, enquanto o candidato do PL alcançou 51,93%.

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"Eu destacaria sobretudo a população da cidade de São Paulo, que, apesar do cenário não ser positivo no estado, na capital o presidente Lula ganhou, e aqui é onde se concentra o maior número de eleitores de todo o país", afirmou Sâmia ao News Noite desta terça-feira (6). "Então, há uma possibilidade, no diálogo direto com a população paulistana, de ampliar essa diferença de votos."

Sâmia defendeu uma aproximação sobretudo com as mulheres paulistanas, a partir de temas como violência, guerras, circulação de armas e sobrecarga com o trabalho e o cuidado dos filhos. Na avaliação dela, essas preocupações permitem à campanha de Lula estabelecer diferenças nítidas em relação à candidatura de Flávio Bolsonaro.

Ao analisar as dificuldades da esquerda para se conectar com os trabalhadores, Sâmia apontou mudanças no mercado de trabalho, como o avanço de ocupações precárias e intermitentes e o enfraquecimento dos vínculos sindicais. Para ampliar o apoio a Lula, citou medidas como o fim da escala 6x1 e o reajuste do Bolsa Família.

Sobre a relação com o próximo Congresso, Sâmia reconheceu que negociações e acordos fazem parte da atividade política, mas afirmou haver limites para essas composições. A deputada disse enxergar "pouca condição de diálogo" com parlamentares de extrema direita que, segundo ela, desrespeitam a Constituição e buscam reverter decisões judiciais que possam comprometê-los.

Revisão da condenação de Bolsonaro

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Nunes Marques deve liberar para julgamento o caso que pode levar à revisão da condenação de Jair Bolsonaro após o segundo turno, depois de ouvir a Procuradoria-Geral da República (PGR). O magistrado, que também preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pretende evitar uma decisão individual durante a disputa, pelo risco de ser interpretada como interferência na eleição.

Questionada sobre a possibilidade de Nunes Marques rever a condenação de Bolsonaro, Sâmia afirmou que a articulação expõe a prioridade do bolsonarismo: a libertação do ex-presidente e dos demais condenados pela tentativa de golpe de Estado. Ao todo, o STF condenou 29 pessoas nas ações penais da trama golpista, com penas que variam de um ano e 11 meses a 27 anos e três meses de prisão.

"Para mim, isso é escancarar qual é o principal projeto dos bolsonaristas para o país. Não apresentaram nenhuma medida que signifique melhoria da vida do povo brasileiro, nada positivo", disse Sâmia. "O único e principal objetivo é tirar da cadeia pessoas que tentaram cometer um golpe de Estado."

Na avaliação de Sâmia, as tentativas de desgastar o Judiciário também têm como objetivo libertar os condenados pela tentativa de golpe. A deputada apoiou, porém, a discussão sobre mudanças na organização do STF, incluindo os critérios de escolha e a duração dos mandatos dos ministros, e defendeu que Lula trate do tema durante a campanha de segundo turno.

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