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"Quem deve estar preocupado conosco é os EUA", diz Lula

Em entrevista à TV Globo, presidente defendeu negociações comerciais, mas não descartou medidas de reciprocidade contra os norte-americanos

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Vicklin Moraes
Lula em entrevista a TV Globo | Reprodução/Globoplay

Lula em entrevista a TV Globo | Reprodução/Globoplay

O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que o Brasil pode recorrer à Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos caso as negociações entre os dois países não avancem. Em entrevista à TV Globo nesta quinta-feira (15), Lula disse que prefere buscar um entendimento com o governo norte-americano, mas afirmou que Washington também depende de produtos e recursos brasileiros.

"Quem deve estar preocupado com a gente são os EUA, porque eu não fiz a Lei da Reciprocidade, não quero fazer. Eu quero continuar negociando, mas, se for necessário fazer, nós vamos fazer. E eu acho que eles vão ter problemas conosco, porque nós temos coisas de que eles precisam mais do que coisas de que eu preciso deles", declarou.

Entre os recursos que podem ampliar a relevância estratégica do Brasil está o conjunto de elementos químicos conhecidos como terras raras.

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Tarifaço

Em agosto, o governo brasileiro abriu o processo de reciprocidade para avaliar uma resposta às tarifas de Trump sobre produtos brasileiros. A legislação estabelece uma série de etapas técnicas, jurídicas e diplomáticas antes de qualquer decisão.

Críticos de Lula acusam o candidato à reeleição de virar as costas para as negociações. O Planalto, porém, alega que não houve real abertura da Casa Branca para negociações, e que as tarifas aplicadas ao Brasil são descabidas.

O USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) decidiu taxar o país duplamente no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio. O primeiro tarifaço, de 25%, foi aplicado por práticas consideradas desleais no comércio entre os países, como o sistema de pagamentos Pix, o uso de materiais de desmatamento ilegal, pirataria e benefícios de livre comércio a outros países, como Índia e México. O outro, de 12,5%, usou como justificativa por uma suposta permissividade ao trabalho análogo à escravidão.

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