Salário mínimo: veja o que dá para comprar com R$ 1.741
Projeção com os preços mais recentes do Dieese mostra que a cesta básica consumiria de 37% a 57% do novo piso, dependendo da capital
Exame.com
Veja o que é possível comprar com salário mínimo 2027 | Divulgação/José Cruz/Agência Brasil
O governo federal fechou a proposta orçamentária de 2027 com a previsão de um salário mínimo de R$ 1.741, um aumento de R$ 120, ou 7,4%, sobre os R$ 1.621 em vigor. O número ainda pode mudar até dezembro, quando sai o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) que fecha a conta do reajuste, mas já serve para uma pergunta concreta: quanto desse piso ficaria comprometido só com comida?
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A resposta depende de onde o trabalhador mora. Usando os preços da cesta básica de julho de 2026, os mais recentes levantados pelo Dieese em parceria com a Conab, e projetando sobre eles o novo mínimo previsto para 2027, o peso da alimentação vai de pouco mais de um terço a quase 60% da renda líquida.
Na ponta mais pesada está São Paulo, a cesta mais cara do país em julho, a R$ 915,01. Esse valor consumiria 56,82% do mínimo líquido projetado para 2027, contra os 61,02% que a mesma cesta representava sobre o piso de julho de 2026. Cuiabá (R$ 881,27) viria em seguida, com 54,72% da renda, e Florianópolis (R$ 860,73), com 53,45%.
No outro extremo, Aracaju tinha a cesta mais barata, a R$ 594,07, o equivalente a 36,89% do mínimo líquido projetado. Maceió (R$ 618,60) e Natal (R$ 631,51) apareciam logo acima, na casa dos 38% a 39%. Vale lembrar que, no Norte e no Nordeste, a composição da cesta é diferente: pesquisa-se menos carne, troca-se a farinha de trigo pela de mandioca e não se inclui a batata, o que ajuda a explicar os valores mais baixos.
Na média das 27 capitais, a cesta de julho representaria em torno de 45% do mínimo líquido de 2027, ante os 49,34% medidos sobre o piso da época. A diferença mostra o efeito combinado de dois movimentos: um reajuste projetado de 7,4% no salário e uma queda generalizada nos preços dos alimentos em julho, quando a cesta recuou em 26 das 27 capitais.
Traduzindo em horas de trabalho, um paulistano precisou de 124 horas e 11 minutos para comprar a cesta em julho, com o mínimo de R$ 1.621. Se o mesmo custo fosse pago com um salário de R$ 1.741, a jornada cairia para cerca de 115 horas e 40 minutos, quase um dia inteiro de trabalho a menos no mês.
O alívio, porém, é mais aparente que estrutural. A conta parte da hipótese de que os preços de julho de 2026 continuariam iguais em 2027, o que não vai acontecer. O próprio governo revisou para cima a inflação usada no cálculo do mínimo, citando risco de o El Niño pressionar os alimentos. Se a cesta subir junto com o piso, o ganho de poder de compra encolhe ou desaparece.
O mesmo levantamento do Dieese que traz o custo da cesta serve de base para o cálculo do salário mínimo necessário, o valor que cobriria todas as despesas de uma família de quatro pessoas previstas na Constituição. Em julho, esse piso ideal foi estimado em R$ 7.687,01, ou 4,74 vezes o mínimo vigente.
Os preços da cesta básica são os divulgados pelo DIEESE e pela Conab referentes a julho de 2026, os mais recentes disponíveis, período em que o salário mínimo era de R$ 1.621. O valor de R$ 1.741 é a previsão do governo para 2027, constante da proposta orçamentária, e ainda sujeita a alteração.
O percentual de comprometimento usa o mínimo líquido, ou seja, após o desconto de 7,5% referente à Previdência Social, mesmo critério adotado pelo DIEESE. Sobre R$ 1.741, o líquido é de R$ 1.610,43. O peso de cada cesta é o resultado da divisão do seu custo por esse valor.
Trata-se, portanto, de uma projeção: cruza preços de um mês de 2026 com um salário previsto para 2027. Serve para dimensionar o poder de compra do piso anunciado, não para medir o custo real da cesta em 2027, que dependerá do comportamento dos preços ao longo do próximo ano.
Salário mínimo: veja o que dá para comprar com R$ 1.741Projeção com os preços mais recentes do Dieese mostra que a cesta básica consumiria de 37% a 57% do novo piso, dependendo da capitalEconomia2026-08-25T14:40:41.801ZO governo federal fechou a proposta orçamentária de 2027 com a um aumento de R$ 120, ou 7,4%, sobre os R$ 1.621 em vigor. O número ainda pode mudar até dezembro, quando sai o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) que fecha a conta do reajuste, mas já serve para uma pergunta concreta: A resposta depende de onde o trabalhador mora. Usando os preços da cesta básica de julho de 2026, os mais recentes levantados pelo Dieese em parceria com a Conab, e projetando sobre eles o novo mínimo previsto para 2027, o peso da alimentação vai de pouco mais de um terço a quase 60% da renda líquida. Na ponta mais pesada está São Paulo, a cesta mais cara do país em julho, a R$ 915,01. Esse valor consumiria 56,82% do mínimo líquido projetado para 2027, contra os 61,02% que a mesma cesta representava sobre o piso de julho de 2026. Cuiabá (R$ 881,27) viria em seguida, com 54,72% da renda, e Florianópolis (R$ 860,73), com 53,45%. No outro extremo, Aracaju tinha a cesta mais barata, a R$ 594,07, o equivalente a 36,89% do mínimo líquido projetado. Maceió (R$ 618,60) e Natal (R$ 631,51) apareciam logo acima, na casa dos 38% a 39%. Vale lembrar que, no Norte e no Nordeste, a composição da cesta é diferente: pesquisa-se menos carne, troca-se a farinha de trigo pela de mandioca e não se inclui a batata, o que ajuda a explicar os valores mais baixos. Na média das 27 capitais, a cesta de julho representaria em torno de 45% do mínimo líquido de 2027, ante os 49,34% medidos sobre o piso da época. A diferença mostra o efeito combinado de dois movimentos: um reajuste projetado de 7,4% no salário e uma queda generalizada nos preços dos alimentos em julho, quando a cesta recuou em 26 das 27 capitais. Traduzindo em horas de trabalho, um paulistano precisou de 124 horas e 11 minutos para comprar a cesta em julho, com o mínimo de R$ 1.621. Se o mesmo custo fosse pago com um salário de R$ 1.741, a jornada cairia para cerca de 115 horas e 40 minutos, quase um dia inteiro de trabalho a menos no mês. O alívio, porém, é mais aparente que estrutural. A conta parte da hipótese de que os preços de julho de 2026 continuariam iguais em 2027, o que não vai acontecer. O próprio governo revisou para cima a inflação usada no cálculo do mínimo, citando risco de o El Niño pressionar os alimentos. Se a cesta subir junto com o piso, o ganho de poder de compra encolhe ou desaparece. O mesmo levantamento do Dieese que traz o custo da cesta serve de base para o cálculo do salário mínimo necessário, o valor que cobriria todas as despesas de uma família de quatro pessoas previstas na Constituição. Em julho, esse piso ideal foi estimado em R$ 7.687,01, ou 4,74 vezes o mínimo vigente. Como a comparação foi feita Os preços da cesta básica são os divulgados pelo DIEESE e pela Conab referentes a julho de 2026, os mais recentes disponíveis, período em que o salário mínimo era de R$ 1.621. O valor de R$ 1.741 é a previsão do governo para 2027, constante da proposta orçamentária, e ainda sujeita a alteração. O percentual de comprometimento usa o mínimo líquido, ou seja, após o desconto de 7,5% referente à Previdência Social, mesmo critério adotado pelo DIEESE. Sobre R$ 1.741, o líquido é de R$ 1.610,43. O peso de cada cesta é o resultado da divisão do seu custo por esse valor. Trata-se, portanto, de uma projeção: cruza preços de um mês de 2026 com um salário previsto para 2027. Serve para dimensionar o poder de compra do piso anunciado, não para medir o custo real da cesta em 2027, que dependerá do comportamento dos preços ao longo do próximo ano.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/salario-minimo-veja-o-que-da-para-comprar-com-r-1-741