Economia

Rali, susto e retomada: o novo jogo do Ibovespa em 2026

Após recordes, sustos e recuperação em fevereiro, grandes bancos veem espaço para alta, mas defendem estratégias diferentes diante dos balanços e dos juros

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09/02/2026, 11:25 • Atualizado em 09/02/2026, 11:25
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Painel de cotações da B3 | Germano Lüders/Exame

Painel de cotações da B3 | Germano Lüders/Exame

O Ibovespa começou 2026 acelerado e já passou por um teste de fôlego. Desde o primeiro pregão do ano até o fechamento da sexta-feira (06), o índice acumula alta de cerca de 13,5%, saltando dos 161.125 pontos do fim de 2025 para a faixa dos 183 mil pontos, após ter alcançado 187.333 pontos no melhor momento do ano.

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A primeira semana cheia de fevereiro concentrou esse movimento. O índice avançou forte nos pregões iniciais, embalado pela expectativa de cortes mais intensos na Selic e pelo fluxo estrangeiro, mas sofreu uma realização abrupta na quarta-feira, quando caiu 2,14%.

A correção foi atribuída à leitura negativa dos balanços e das projeções do setor bancário, que mostraram margens pressionadas e crescimento mais contido para 2026. Ainda assim, a recuperação parcial nos dias seguintes reforçou a percepção de que o mercado segue em tendência positiva, embora menos linear.

Entre analistas e grandes instituições, o consenso é que a bolsa brasileira entrou em um processo de reprecificação.

A avaliação predominante é de que os múltiplos seguem abaixo da média histórica, enquanto o ciclo de queda dos juros começa a alterar a lógica de alocação dos investidores, reduzindo a atratividade relativa da renda fixa e empurrando recursos para ativos de risco. O fluxo estrangeiro, que somou entre R$ 23 bilhões e R$ 26 bilhões apenas em janeiro, é visto como um dos principais pilares de sustentação do índice.

BTG vê avanço possível, mas rali concentrado

O BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) mantém uma visão construtiva para a bolsa brasileira no médio prazo. Em relatório divulgado no início de janeiro, o banco projetou que o Ibovespa pode alcançar até 220 mil pontos em 2026, desde que haja redução dos prêmios de risco, inflação sob controle e um ambiente macroeconômico relativamente organizado.

Ao analisar o rali recente, o BTG destaca que a alta do índice está concentrada em um conjunto restrito de ações de grande capitalização e elevada liquidez, que exercem peso relevante na composição do Ibovespa.

A instituição também chama atenção para o impacto das compras via ETFs, que direcionam recursos automaticamente para os papéis de maior peso no índice e tendem a amplificar os movimentos. Segundo o banco, o número de ações em circulação do EWZ atingiu o nível mais alto desde antes da pandemia, impulsionando o desempenho do índice.

No mercado doméstico, o BTG observa que, embora os fundos de ações locais ainda registrem resgates líquidos no início do ano, há uma desaceleração relevante em relação a 2025. Para o banco, uma eventual estabilização ou reversão desse fluxo pode funcionar como um impulso adicional para as ações brasileiras.

Itaú BBA projeta alvo em 200 mil pontos

Na avaliação do Itaú BBA, a sequência recente de recordes do Ibovespa ainda não esgotou o potencial de alta do índice. A leitura técnica do banco indica espaço para o principal indicador da Bolsa brasileira buscar a região dos 200 mil pontos, mesmo após a valorização acumulada.

Em relatório divulgado no fim de janeiro, o banco destacou que a alta segue sustentada pela maior parte dos índices setoriais, muitos negociando em máximas históricas ou nos níveis mais elevados dos últimos 12 meses. Segundo a instituição, esse alinhamento técnico aumenta a probabilidade de continuidade da tendência positiva.

Do ponto de vista gráfico, o Itaú BBA aponta suportes em 175.500, 172.500 e 163.300 pontos. Esse último patamar, segundo o banco, é o nível que preserva a tendência de alta no gráfico diário.

Santander destaca fluxo estrangeiro e cautela

Para o Santander, o rali da Bolsa brasileira faz parte de um movimento mais amplo de melhora do sentimento em relação aos mercados emergentes, descrito pelo banco como o mais forte em anos e frequentemente comparado ao ciclo de 2016.

A instituição afirma que há uma demanda incomum por fundos dedicados a emergentes, incluindo investidores globais que historicamente tinham pouca ou nenhuma exposição a esse grupo de países. Nesse contexto, o Brasil aparece como um dos principais destinos do fluxo.

O banco ressalta, porém, que os investidores começam a demonstrar maior cautela após a valorização recente. As ações brasileiras seguem vistas como atrativas em termos de avaliação, mas exigem maior seletividade diante de riscos políticos e macroeconômicos, com destaque para o risco fiscal.

O Santander também aponta que parte do interesse está ligada às taxas de juros locais, com investidores aguardando um primeiro corte efetivo da Selic para ampliar a exposição ao país. No cenário externo, o banco menciona riscos associados a uma política monetária mais acomodatícia do que o esperado nos Estados Unidos.

Recorde no Dow convive com leituras opostas em Wall Street

O movimento não foi exclusivo do Brasil. Nos Estados Unidos, Wall Street também registrou um marco simbólico, com o Dow Jones ultrapassando pela primeira vez o nível dos 50 mil pontos, após um rali puxado por ações industriais, financeiras e defensivas. O recorde reforçou o apetite por risco em parte do mercado, mas não se traduziu em uma alta generalizada dos índices.

Na comparação semanal, a divergência ficou clara. Enquanto o Dow avançou 2,5%, o S&P 500 recuou 0,1% e o Nasdaq caiu 1,9%, pressionado pela realização em empresas de tecnologia e semicondutores. A leitura entre analistas é de que o mercado americano passa por uma rotação interna, com investidores reduzindo concentração em big techs e buscando setores mais ligados ao ciclo econômico, em um ambiente ainda marcado por volatilidade e cautela.

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