Economia

Quem foi Constantino Junior, fundador da Gol que liderou aquisição da Varig

Empresário mineiro criou a primeira low cost aérea do Brasil e comprou a Varig por US$ 320 milhões em 2007

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Constantino Junior é o nome por trás de uma das maiores transformações da aviação comercial brasileira. Fundador da Gol Linhas Aéreas Inteligentes, ele foi o executivo que introduziu o modelo baixo custo, baixa tarifa no país e liderou, em 2007, a aquisição da Varig, até então a companhia aérea mais tradicional do Brasil.

Nascido em Patrocínio, Minas Gerais, em 12 de agosto de 1968, Constantino cresceu em um ambiente empresarial ligado ao transporte.

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Filho de Nenê Constantino, fundador do Grupo Áurea, começou a trabalhar aos 14 anos como digitador em uma das empresas da família. Aos 15, aprendeu a pilotar aviões, unindo duas paixões que marcariam sua trajetória: aviação e velocidade.

Formou-se em Administração de Empresas e complementou a formação com programas executivos voltados à gestão corporativa. Ainda jovem, passou a atuar diretamente nos negócios do grupo familiar, onde adquiriu experiência operacional antes de assumir posições estratégicas.

A criação da Gol

Em janeiro de 2001, ao lado dos irmãos Joaquim, Ricardo e Henrique, fundou a Gol Linhas Aéreas Inteligentes.

A empresa nasceu com uma proposta inédita no Brasil: operar com frota padronizada de Boeing 737, reduzir custos operacionais, vender passagens pela internet e eliminar serviços considerados supérfluos.

O primeiro voo, entre Brasília e Congonhas, marcou o início de uma mudança estrutural no setor.

Sob a liderança de Constantino como presidente, a Gol forçou uma queda generalizada nos preços das passagens aéreas. Em pouco mais de uma década, cerca de 65 milhões de brasileiros viajaram de avião pela primeira vez, segundo a própria empresa.

Em 2004, apenas três anos após a fundação, a Gol realizou uma abertura de capital simultânea na Bovespa (nome da Ibovespa à época) e na Bolsa de Nova York, captando US$ 281 milhões. O movimento consolidou a empresa como um dos principais players do setor e transformou Constantino em uma das figuras mais influentes do empresariado brasileiro.

A aquisição da Varig

O passo mais controverso de sua carreira veio em 2007. Em meio à recuperação judicial da Varig, Constantino liderou a compra da VRG Linhas Aéreas, empresa criada para abrigar os ativos operacionais da antiga companhia, por US$ 320 milhões.

A operação foi possível graças à nova Lei de Falências, que permitia a venda de ativos sem sucessão de passivos.

A Gol incorporou a marca Varig, o programa de fidelidade Smiles, aeronaves e slots estratégicos em aeroportos como Congonhas e Guarulhos, sem assumir dívidas trabalhistas e previdenciárias acumuladas ao longo de décadas.

Do ponto de vista jurídico, a operação foi considerada inovadora e acabou confirmada posteriormente pelos tribunais. Do ponto de vista empresarial, porém, revelou-se um desafio maior do que o previsto.

Prejuízos, crise e mudança de comando

A integração entre Gol e Varig expôs diferenças profundas de cultura, frota e sistemas operacionais. Em 2008, agravada pela crise financeira global, a companhia registrou um prejuízo recorde de R$ 1,38 bilhão.

Anos depois, Constantino reconheceria o erro estratégico da operação.

Mesmo assim, a Gol manteve posição de destaque no mercado doméstico e, em 2013, chegou a deter 37,3% de market share, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Em 2012, Constantino deixou a presidência executiva da companhia e passou a atuar como presidente do conselho de administração. A gestão operacional foi assumida por Paulo Kakinoff.

No ano seguinte, liderou a abertura de capital da Smiles, empresa responsável pelo programa de fidelidade da Gol.

Grupo Abra e expansão regional

A partir de 2022, Constantino assumiu papel central na criação do Grupo Abra, holding que reuniu Gol e Avianca, com participações em outras companhias da América do Sul.

Como CEO do grupo, passou a comandar uma operação regional com presença em cinco países, mirando escala e integração internacional.

Automobilismo e perfil pessoal

Fora da aviação, Constantino manteve ligação constante com o automobilismo. Competiu como piloto na Porsche GT3 Cup Challenge Brasil, onde foi vice-campeão em 2008 e campeão em 2011.

Ao longo da carreira, recebeu diversos prêmios empresariais nacionais e internacionais, incluindo reconhecimentos por inovação, liderança e empreendedorismo.

O legado

Constantino Junior morreu neste sábado, 24, aos 57 anos, em São Paulo, após enfrentar um câncer.

Deixou como legado a democratização do transporte aéreo no Brasil, duas aberturas de capital, uma das aquisições mais complexas da história do setor e um modelo de negócios que redefiniu a aviação comercial no país.

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