Economia

Petróleo cai quase 6% após Trump suspender ataque ao Irã

Por volta das 7h12 (horário de Brasília), o contrato do petróleo Brent para outubro recuava 4,69%, negociado a US$ 83,81 por barril

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As nuvens do pôr do sol brilham sobre as bombas de extração no campo petrolífero de Airankol, operado pela Caspiy Neft na região de Atyrau, no Cazaquistão, em 21 de abril de 2026 | Reuters/Pavel Mikheyev

As nuvens do pôr do sol brilham sobre as bombas de extração no campo petrolífero de Airankol, operado pela Caspiy Neft na região de Atyrau, no Cazaquistão, em 21 de abril de 2026 | Reuters/Pavel Mikheyev

Os preços do petróleo operam em forte queda nesta segunda-feira (3), devolvendo parte dos ganhos acumulados nas últimas semanas, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse ter suspendido um novo ataque ao Irã para dar espaço a um possível acordo sobre o programa nuclear iraniano e a reabertura do Estreito de Ormuz.

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Por volta das 7h12 (horário de Brasília), o contrato do petróleo Brent para outubro recuava 4,69%, negociado a US$ 83,81 por barril. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência de preços nos EUA, caía 5,83%, para US$ 79,73.

O movimento ocorre após Trump informar, em uma publicação na rede social Truth Social, que decidiu adiar uma ofensiva contra o Irã depois de receber um pedido de Teerã e de outros países do Oriente Médio para que as negociações continuassem.

O presidente pontuou que os termos em discussão incluiriam a reabertura "imediata, completa e total" de Ormuz, por onde passa um quinto do escoamento global do petróleo, e o fim da "ameaça nuclear iraniana", segundo informações divulgadas pela imprensa internacional.

As afirmações do mandatário norte-americano foram rebatidas pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei. Ele disse nesta segunda que ainda não há novas conversas diretas com os EUA e que as negociações sobre Ormuz envolvem, no momento, apenas o Omã.

Mercado reduz prêmio de risco

A queda acontece depois de um mês de forte valorização da commodity. Em julho, os contratos do Brent e do WTI avançaram mais de 20%, impulsionados pela retomada do confronto entre Washington e Teerã e pelos ataques a navios petroleiros próximos ao Golfo de Omã.

Na avaliação do analista da IG, Tony Sycamore, o principal ponto de atenção agora é saber se as negociações conseguirão avançar ou se o cenário voltará a se deteriorar, como ocorreu na semana passada, segundo a Reuters.

"[Há] possibilidade de um acordo fracassar à medida que o Irã endurece sua posição e continua a usar como alavanca seu controle sobre o Estreito, potencialmente por meio de um ataque a uma base dos EUA ou a um navio-tanque que transite pela via navegável", detalhou.

O governo iraniano, por outro lado, reagiu com cautela ao anúncio de Trump. O ministro interino da Defesa do país, Seyyed Majid Ibn Al-Reza, afirmou que, embora as declarações façam parte de uma "guerra psicológica", qualquer ameaça será tratada como real.

Já a agência Fars, ligada à Guarda Revolucionária do Irã, classificou a proposta americana como uma "lista de desejos".

Opep+ amplia produção

No domingo (2), a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+) aprovou um aumento de, aproximadamente, 188 mil barris por dia na cota de produção para setembro, concluindo o processo de reversão de uma parcela dos cortes voluntários adotados pelo grupo.

Mas as interrupções nas exportações do Golfo, além de restrições de oferta ligadas a conflitos impediram que os aumentos mensais de produção ao longo de 2026 se traduzissem em um crescimento efetivo da oferta global, de acordo com a agência.

Neste fim de semana, dois petroleiros carregados com petróleo saudita cruzaram o estreito de Bab el-Mandeb, que liga o Mar Vermelho ao Índico, enquanto o fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz desacelerou após relatos de novos ataques a navios.

A agência britânica United Kingdom Maritime Trade Operations informou que outras três embarcações foram atacadas desde sábado (1º).

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