Pedidos suspeitos de salário-maternidade passam de R$ 1 bi
Receita barrou solicitações incompatíveis com as regras do benefício, incluindo pedido de R$ 500 mil feito por um MEI do setor de entregas
Caio Barcellos
Agentes da Receita durante operação contra lavagem de dinheiro no setor de combustíveis
A Receita Federal informou nesta terça-feira (8) que impediu o pagamento de mais de R$ 1 bilhão em pedidos considerados suspeitos de reembolso de salário-maternidade. Segundo o Fisco, as solicitações foram apresentadas por empresas de fachada e outras organizações que apresentavam características incompatíveis com as regras para a compensação do benefício.
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O cruzamento de informações fiscais, previdenciárias e cadastrais revelou casos de empresas com apenas um empregado e faturamento próximo de zero que pediam valores elevados, além de solicitações sem correspondência com os registros apresentados ao Fisco.
A Receita também encontrou pedidos relacionados a seguradas sem filhos registrados, empresários que apareciam ao mesmo tempo como proprietários e empregados das próprias empresas e situações em que uma mesma pessoa teria recebido benefícios por diferentes empregadores em um intervalo reduzido.
Um dos casos que chamou a atenção dos auditores foi o de um microempreendedor individual (MEI) do setor de entregas rápidas que pediu R$ 500 mil em reembolso de salário-maternidade. De acordo com o Fisco, a legislação não permite que um MEI faça esse tipo de compensação.
A fiscalização identificou ainda empresas praticamente sem faturamento que apresentavam pedidos elevados e tinham em comum procuradores responsáveis por representar dezenas de outras companhias em situações semelhantes.
Como funciona o reembolso
O salário-maternidade pode ser pago de formas diferentes, a depender do vínculo da beneficiária. No caso de uma empregada de uma empresa, o empregador normalmente antecipa o valor durante o período de afastamento e depois desconta essa despesa das contribuições previdenciárias que teria de recolher.
Esse pagamento antecipado é o que pode gerar crédito para a empresa, mas o mecanismo não permite o reembolso de benefícios pagos diretamente pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), nem autoriza que valores concedidos a outras categorias de segurados sejam transformados em créditos tributários próprios da companhia.
Segundo a Receita, parte das irregularidades identificadas apareceu justamente em pedidos eletrônicos de restituição ou compensação, conhecidos como PER/DCOMP, sem que existisse uma despesa da empresa capaz de justificar os valores solicitados.
Receita alerta para oferta de créditos
O órgão afirmou ter identificado também a atuação de pessoas e empresas que oferecem a contribuintes serviços de recuperação tributária com promessas de créditos elevados ou restituições rápidas.
O Fisco recomenda cautela diante de ofertas que apresentem créditos como garantidos ou prometam valores muito acima do que seria esperado para a atividade da empresa. Mesmo quando o pedido é apresentado por um contador, procurador ou consultoria, a empresa que utiliza informações sem respaldo legal pode ser responsabilizada pelos valores solicitados.
Nos casos em que houver pagamento indevido, a Receita poderá cobrar a devolução dos recursos e aplicar multas. Dependendo das circunstâncias apuradas, os envolvidos também poderão responder a processos administrativos, tributários e criminais.
As investigações continuam para identificar os responsáveis pelos pedidos e verificar a existência de esquemas organizados para obter recursos da Previdência Social de forma irregular.
Pedidos suspeitos de salário-maternidade passam de R$ 1 bi Receita barrou solicitações incompatíveis com as regras do benefício, incluindo pedido de R$ 500 mil feito por um MEI do setor de entregasEconomia2026-09-08T19:48:08.507ZA Receita Federal informou nesta terça-feira (8) que impediu o pagamento de mais de R$ 1 bilhão em pedidos considerados suspeitos de reembolso de salário-maternidade. Segundo o Fisco, as solicitações foram apresentadas por empresas de fachada e outras organizações que apresentavam características incompatíveis com as regras para a compensação do benefício. O cruzamento de informações fiscais, previdenciárias e cadastrais revelou casos de empresas com apenas um empregado e faturamento próximo de zero que pediam valores elevados, além de solicitações sem correspondência com os registros apresentados ao Fisco. A Receita também encontrou pedidos relacionados a seguradas sem filhos registrados, empresários que apareciam ao mesmo tempo como proprietários e empregados das próprias empresas e situações em que uma mesma pessoa teria recebido benefícios por diferentes empregadores em um intervalo reduzido. Um dos casos que chamou a atenção dos auditores foi o de um microempreendedor individual (MEI) do setor de entregas rápidas que pediu R$ 500 mil em reembolso de salário-maternidade. De acordo com o Fisco, a legislação não permite que um MEI faça esse tipo de compensação. A fiscalização identificou ainda empresas praticamente sem faturamento que apresentavam pedidos elevados e tinham em comum procuradores responsáveis por representar dezenas de outras companhias em situações semelhantes. Como funciona o reembolso O salário-maternidade pode ser pago de formas diferentes, a depender do vínculo da beneficiária. No caso de uma empregada de uma empresa, o empregador normalmente antecipa o valor durante o período de afastamento e depois desconta essa despesa das contribuições previdenciárias que teria de recolher. Esse pagamento antecipado é o que pode gerar crédito para a empresa, mas o mecanismo não permite o reembolso de benefícios pagos diretamente pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), nem autoriza que valores concedidos a outras categorias de segurados sejam transformados em créditos tributários próprios da companhia. Segundo a Receita, parte das irregularidades identificadas apareceu justamente em pedidos eletrônicos de restituição ou compensação, conhecidos como PER/DCOMP, sem que existisse uma despesa da empresa capaz de justificar os valores solicitados. Receita alerta para oferta de créditos O órgão afirmou ter identificado também a atuação de pessoas e empresas que oferecem a contribuintes serviços de recuperação tributária com promessas de créditos elevados ou restituições rápidas. O Fisco recomenda cautela diante de ofertas que apresentem créditos como garantidos ou prometam valores muito acima do que seria esperado para a atividade da empresa. Mesmo quando o pedido é apresentado por um contador, procurador ou consultoria, a empresa que utiliza informações sem respaldo legal pode ser responsabilizada pelos valores solicitados. Nos casos em que houver pagamento indevido, a Receita poderá cobrar a devolução dos recursos e aplicar multas. Dependendo das circunstâncias apuradas, os envolvidos também poderão responder a processos administrativos, tributários e criminais. As investigações continuam para identificar os responsáveis pelos pedidos e verificar a existência de esquemas organizados para obter recursos da Previdência Social de forma irregular.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/pedidos-suspeitos-de-salario-maternidade-passam-de-r-1-bi