Economia

"Movimento orquestrado", diz Ministério da Agricultura sobre Carrefour francês parar de vender carne do Mercosul

Pasta ainda afirmou que "não aceitará tentativas vãs de manchar ou desmerecer a reconhecida qualidade e segurança dos produtos brasileiros"

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Felipe Moraes
21/11/2024, 10:47 • Atualizado em 22/11/2024, 00:18
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Carne bovina brasileira | Divulgação/Valter Campanato/Agência Brasil

Carne bovina brasileira | Divulgação/Valter Campanato/Agência Brasil

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O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) chamou de "movimento orquestrado" a decisão do Carrefour francês de parar de vender carne produzida em países do Mercosul, bloco do qual Brasil faz parte.

Em nota divulgada nessa quarta-feira (20), a pasta comandada pelo ministro Carlos Fávaro afirmou que "não aceitará tentativas vãs de manchar ou desmerecer a reconhecida qualidade e segurança dos produtos brasileiros e dos compromissos ambientais brasileiros".

"O Mapa lamenta tal postura que, por questões protecionistas, influenciam negativamente o entendimento de consumidores sem quaisquer critérios técnicos que justifiquem tais declarações", disse o ministério.

"O posicionamento do Mapa é de não acreditar em um movimento orquestrado por parte de empresas francesas visando dificultar a formalização do Acordo Mercosul - União Europeia, debatido na reunião de cúpula do G20 nesta semana", completou.

A pasta também rechaçou declarações do CEO da empresa, Alexandre Bompard, sobre carnes de países do Mercosul, justificando que o Brasil tem uma das "legislações ambientais mais rigorosas do mundo e atua com transparência no setor".

"O rigoroso sistema de Defesa Agropecuária do Mapa garante ao país o posto de maior exportador de carne bovina e de aves do mundo, mantendo relações comerciais com aproximadamente 160 países, atendendo aos padrões mais rigorosos, inclusive para a União Europeia que compra e atesta, por meio de suas autoridades sanitárias, a qualidade e sanidade das carnes produzidas no Brasil há mais de 40 anos", detalhou o Mapa.

Entenda decisão

O Carrefour anunciou ontem que deixará de comercializar carne produzida nos países do Mercosul. A decisão foi comunicada pelo CEO da empresa, Alexandre Bompard, em carta enviada ao sindicato dos agricultores franceses.

O executivo também pediu que restaurantes e outros estabelecimentos adotem a mesma postura. A rede afirmou que a medida não afetará suas operações no Brasil. A decisão surge em meio a protestos de agricultores franceses contra o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul.

Os agricultores têm realizado manifestações como bloqueio de estradas e despejo de lixo e esterco em prédios públicos. Eles alegam que o tratado criará uma concorrência desleal.

O acordo entre os dois blocos busca ampliar o comércio de bens, mas enfrenta oposição em países europeus devido a preocupações com o meio ambiente e a regulamentação agrícola.

Leia nota completa do Ministério da Agricultura e Pecuária sobre decisão do Carrefour francês:

"O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) reitera a qualidade e compromisso da agropecuária brasileira com a legislação e as boas práticas agrícolas, em consonância com as diretrizes internacionais.

Diante disso, rechaça as declarações do CEO do Carrefour, Alexandre Bompard, quanto às carnes produzidas pelos países do Mercosul.

No que diz respeito ao Brasil, o rigoroso sistema de Defesa Agropecuária do Mapa garante ao país o posto de maior exportador de carne bovina e de aves do mundo, mantendo relações comerciais com aproximadamente 160 países, atendendo aos padrões mais rigorosos, inclusive para a União Europeia que compra e atesta, por meio de suas autoridades sanitárias, a qualidade e sanidade das carnes produzidas no Brasil há mais de 40 anos.

Vale reiterar que o Brasil possui uma das legislações ambientais mais rigorosas do mundo e atua com transparência no setor. Apresentou à União Europeia propostas de modelos eletrônicos que contemplam as etapas iniciais do Regulamento de Desmatamento da União Europeia (EUDR), demonstrando compromisso com uma produção rastreável e transparente, sendo que os modelos privados de rastreabilidade são amplamente reconhecidos e aprovados pelos mercados europeus.

O Mapa lamenta tal postura que, por questões protecionistas, influenciam negativamente o entendimento de consumidores sem quaisquer critérios técnicos que justifiquem tais declarações.

O posicionamento do Mapa é de não acreditar em um movimento orquestrado por parte de empresas francesas visando dificultar a formalização do Acordo Mercosul - União Europeia, debatido na reunião de cúpula do G20 nesta semana. O Mapa não aceitará tentativas vãs de manchar ou desmerecer a reconhecida qualidade e segurança dos produtos brasileiros e dos compromissos ambientais brasileiros.

Mais uma vez, o Mapa reitera o compromisso da agropecuária brasileira com a qualidade, sanidade e sustentabilidade dos alimentos produzidos no Brasil para contribuir com a segurança alimentar e nutricional de todo o mundo."

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