Jean Paul Prates avalia ação do governo para conter preço do diesel e defende fundo de estabilização
Ex-presidente da Petrobras diz que medida tem sentido como ação emergencial diante da guerra, mas não resolve o preço de maneira estrutural

SBT News
Jean Paul Prates, ex-presidente da Petrobras, afirmou em entrevista ao SBT News que o pacote do governo para conter o preço do diesel faz sentido como medida emergencial, especialmente em um momento de alta internacional do petróleo, causada por guerra. Segundo ele, a taxação sobre exportações do óleo busca capturar parte do chamado “windfall profit" — lucro extraordinário obtido por produtores quando o preço dispara por fatores externos —, para ajudar a proteger o mercado interno e evitar inflação.
Prates afirmou ainda que a medida só faz sentido enquanto o preço internacional do petróleo estiver alto, sugerindo a criação de um gatilho para suspender o imposto quando o barril voltar a patamares normais.
"Só faz sentido enquanto durar o patamar de alta dos preços. Deveria até ter um gatilho para quando o petróleo chegasse a um determinado preço, e chegasse ao preçode normalidade - em torno de 80 dólares - você suspender a medida ou fazer um 'fade out', uma graduação da retirada disso", afirmou Prates.
Apesar de considerar a medida do governo brasileiro válida e defensiva, Prates diz que ela não resolve estruturalmente o problema dos combustíveis no Brasil, pois o preço final também depende de vários fatores após a refinaria, como distribuição, biocombustíveis e práticas do mercado. Ele explicou que o desconto anunciado de R$ 0,64 no diesel não é garantido na bomba, já que o mercado de combustíveis é livre e pode haver especulação ou ajustes ao longo da cadeia. Mesmo assim, o objetivo principal do pacote seria evitar novos aumentos.
"Não deve nem ser sentido esse desconto agora, necessariamente. Porque já houve, inclusive, aumentos especulativos e, a não ser que haja muita pressão após a refinaria, você deve evitar aumentos."
Prates também defendeu a criação de uma conta permanente de estabilização dos combustíveis, alimentada em períodos de preços baixos ou por receitas extraordinárias do petróleo (como royalties e exportações), para ser usada em momentos de crise.
Sobre a Petrobras, disse que não vê risco de intervenção do governo na empresa e afirmou que o presidente Lula nunca deu ordens diretas para manipular preços, respeitando as decisões via conselho de administração.
O especialista também reforçou que o governo está abrindo mão de receitas federais e tentando conter a inflação, mas que o comportamento final dos preços dependerá também da fiscalização, além, do mercado.









