'Inverno dos EVs' Mercado de elétricos desacelera e empresas miram combustão
Demanda da indústria global por veículos movidos a bateria registrou uma queda de 3% em janeiro de 2026 na comparação com igual período do ano anterior


Exame.com
A indústria de veículos elétricos (EVs, na sigla em inglês) entrou em uma fase de desaceleração global, marcada por queda nas vendas e incertezas regulatórias. Nem mesmo a Tesla ficou imune ao chamado “inverno dos EVs”, movimento impulsionado por mudanças nas políticas de incentivo dos Estados Unidos e da China.
A demanda global por carros movidos a bateria recuou 3% em janeiro de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados da consultoria Benchmark Intelligence divulgados pelo Business Insider. Na América do Norte, as vendas caíram 33%. Na China, 20%.
Parte desse movimento está ligada à retirada de estímulos públicos. No mercado chinês, o governo encerrou as isenções fiscais e reduziu os incentivos para a troca de veículos a combustão por modelos 100% elétricos. Nos EUA, a eliminação do crédito fiscal de US$ 7,5 mil para a compra de carros elétricos novos teve efeito semelhante: sem o desconto, o preço final subiu e a demanda esfriou.
O setor automobilístico se prepara, assim, para uma fase de “congelamento profundo”, com a retirada de subsídios que sustentavam a expansão dos EVs. A avaliação de especialistas é que, sem esses incentivos, o ritmo de vendas tende a desacelerar ainda mais, pressionando margens, investimentos e planos de expansão.
Montadoras voltam a investir em veículos a combustão
A crise não atinge apenas a Tesla. Ford, General Motors e Stellantis anunciaram mais de US$ 50 bilhões em encargos ligados aos negócios de veículos elétricos, em um movimento que reflete a desaceleração nas vendas e a revisão de estratégias no segmento.
Segundo a Benchmark Intelligence, as montadoras têm redirecionado investimentos para híbridos e modelos a combustão, após a venda de apenas 90 mil EVs na América do Norte em janeiro, de acordo com o Business Insider. O recuo reforça o ambiente mais desafiador para as empresas que haviam apostado na eletrificação acelerada.
No caso da Tesla, os impactos são visíveis. A montadora vendeu menos de 20 mil veículos na China em janeiro, o menor volume desde o fim de 2022, segundo dados da China Passenger Car Association citados pelo Business Insider. A ausência parcial de novos lançamentos deixou a empresa mais vulnerável em um mercado cada vez mais competitivo.
A concorrência chinesa ganhou força. O modelo YU7, da Xiaomi, lançado em junho de 2025, superou as vendas do Tesla Model Y em janeiro, em proporção superior a dois para um. Em 2025, a BYD também ultrapassou a Tesla como maior vendedora mundial de veículos a bateria.
Ainda assim, o cenário não é favorável apenas para a Tesla. A própria BYD registrou queda de 30% nas vendas em janeiro na comparação anual, sinalizando um início de 2026 desafiador para toda a cadeia produtiva.
Na Europa, a resistência à Tesla se intensificou após comentários do CEO Elon Musk sobre a política local, incluindo o apoio ao partido alemão AfD em 2025. Embora a região tenha registrado crescimento de quase 25% na demanda por elétricos, os números da Tesla caminharam na direção oposta.
Na França, os emplacamentos da marca caíram 42%. Na Noruega, apenas 82 veículos da Tesla foram comercializados no período. No Reino Unido, a perda de competitividade frente aos rivais chineses ficou evidente: em janeiro, a BYD vendeu quatro vezes mais veículos que a Tesla, enquanto os licenciamentos da montadora americana recuaram pela metade.
Ao mesmo tempo, a Tesla sinaliza mudanças estratégicas mais profundas. Musk afirmou a investidores que a empresa deve encerrar os modelos Model S e Model X para priorizar o robô humanoide Optimus. No longo prazo, a aposta é concentrar a produção em veículos autônomos, como o futuro Cybercab.








