Economia

Ibovespa fecha em baixa e perde os 190 mil, enquanto dólar cai: o que explica?

O índice recuou 0,61%, aos 189.578 pontos, na mínima do dia; já a moeda norte-americana encerrou em leve queda de 0,31%, cotada a R$ 4,982

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Ibovespa fecha em baixa e perde os 190 mil, enquanto dólar cai: o que explica? | Germano Lüders/Exame

Pela quarta sessão seguida, o Ibovespa fechou em queda nesta segunda-feira (27). O principal índice acionário da B3 recuou 0,61%, aos 189.578 pontos, na mínima do dia, depois de ter alcançado 191.339,94 pontos na máxima.

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O movimento abriu uma semana carregada por decisões de política monetária no Brasil e no exterior, em um ambiente ainda marcado pelas incertezas geopolíticas envolvendo o Irã. O volume financeiro foi mais fraco do que o habitual, somando R$ 20,6 bilhões.

Dos 82 papéis do índice, apenas seis encerraram o pregão em alta, com destaque para Usiminas (USIM5), Prio (PRIO3), Assaí (ASAI3), Natura (NATU3), Weg (WEGE3) e Hypera Pharma (HYPE3).

Entre as blue chips, apenas a Petrobras fechou no campo positivo. As ações preferenciais (PETR4) subiram 0,45%, enquanto as ordinárias (PETR3) tiveram leve alta de 0,34%, desempenho modesto diante da valorização mais firme do petróleo no dia.

Na outra ponta, às vésperas da divulgação de seu balanço trimestral, a Vale (VALE3) caiu 0,43%, mesmo com o minério de ferro estável. Os principais bancos também recuaram, com perdas em Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e BTG. A Cury (CURY3) liderou as quedas do índice, com baixa de 7,76%.

O dólar à vista encerrou em leve queda de 0,31%, cotado a R$ 4,982, após oscilar entre R$ 4,983 na máxima e R$ 4,964 na mínima do dia.

Petróleo volta a subir

Após o alívio observado na sexta-feira, os contratos futuros de petróleo voltaram a subir com força nesta segunda-feira, refletindo a frustração do mercado com a falta de avanços diplomáticos entre Estados Unidos e Irã. No fechamento, o Brent para junho avançou 2,75%, a US$ 108,23 por barril, na ICE, enquanto o WTI subiu 2,09%, a US$ 96,37 por barril, na Nymex.

Havia expectativa de reuniões no Paquistão no fim de semana, o que não se concretizou. Em meio ao impasse, o portal Axios informou que o Irã teria sugerido negociações focadas inicialmente na reabertura do Estreito de Ormuz e no fim do conflito, deixando questões mais complexas, como o programa nuclear, para uma etapa posterior.

A Casa Branca confirmou que a proposta está sendo avaliada, mas sem detalhar o teor das discussões. A secretária de imprensa, Karoline Leavitt, afirmou que o presidente Donald Trump ainda deve se manifestar, ressaltando que as “linhas vermelhas” dos EUA permanecem claras.

Já o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que Washington não pode aceitar um cenário em que o Irã normalize o controle sobre o estreito.

"A intensificação das tensões entre Estados Unidos e Irã eleva o risco de choques de oferta, com efeitos disseminados sobre custos logísticos, energia e cadeias produtivas. Esse movimento tende a se propagar de forma transversal, influenciando tanto preços correntes quanto expectativas futuras, afirma Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos.

Juros e inversão no fluxo estrangeiro

O mercado também repercutiu nesta segunda o Boletim Focus, que trouxe nova revisão altista para a inflação, leve ajuste negativo no crescimento, manutenção de juros em patamar restritivo e taxa de câmbio mais apreciada.

A projeção do IPCA para 2026 avançou para 4,86%, enquanto o PIB recuou para 1,85%. A Selic permanece estimada em 13% ao ano e o dólar em R$ 5,25 até o fim de 2026. Mais do que os níveis em si, a sequência de revisões indica um deslocamento gradual das expectativas, com piora marginal no equilíbrio entre atividade e preços.”

"A resposta dos ativos domésticos se deu por meio da abertura da curva de juros, pressão sobre o mercado acionário e desempenho inferior de segmentos mais sensíveis ao custo de capital, como construção e consumo discricionário. A persistência inflacionária prolonga a necessidade de uma política monetária restritiva, encarece o financiamento e reduz o fôlego da atividade. O ambiente financeiro se torna mais exigente, com impacto direto sobre decisões de investimento e consumo", disse Brás.

A executiva também destaca que o fluxo estrangeiro registrou saída líquida de R$ 917,96 milhões no mercado à vista no último dado disponível, de quinta, 23, embora o saldo acumulado no ano permaneça positivo. "Esse comportamento sugere maior seletividade na alocação, com reavaliação de riscos diante de um cenário menos previsível", afirma.

Bolsas de NY renovam máximas

Apesar de um desempenho moderado, os índices S&P 500 e Nasdaq voltaram a renovar recordes de fechamento nesta segunda, enquanto o Dow Jones terminou em leve queda. O pano de fundo segue marcado pela cautela com o impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã e pela expectativa de decisões de política monetária ao longo da semana.

O Dow Jones caiu 0,13%, aos 49.168,04 pontos. Já o S&P 500 subiu 0,12%, aos 7.173,93 pontos, e o Nasdaq avançou 0,20%, aos 24.887,10 pontos.

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