Ibovespa fecha em alta de 1,4% e dólar cai para R$ 5,15 com 'montanha russa' do petróleo
Notícias desencontradas sobre a guerra e o Estreito de Ormuz provocaram oscilações, mas a alta avançou e o dólar acabou encerrando com leve queda


Exame.com
O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira, 10, em meio à volta parcial do apetite ao risco dos investidores, que seguiram monitorando os desdobramentos da guerra no Oriente Médio e a forte queda nos preços do petróleo.
Apesar do avanço, o principal índice acionário da B3 encerrou um pouco distante das máximas do dia, quando chegou a subir mais de 2% e ultrapassou os 185 mil pontos. Ao fim do pregão, o Ibovespa avançou 1,40%, aos 183.447 pontos.
O dólar à vista, por sua vez, terminou o dia em queda frente ao real, refletindo o movimento de maior busca por ativos de risco. Pela segunda sessão consecutiva, a moeda americana recuou 0,15%, cotada a R$ 5,157.
Petróleo e Irã no centro da questão
O movimento da bolsa brasileira ocorreu em meio a uma sessão marcada pelo recuo dos preços do petróleo no mercado intermacional.
Rumores de que a Marinha dos Estados Unidos teria escoltado um petroleiro pelo Estreito de Ormuz chegaram a circular no início da tarde e levaram a commodity a cair quase 14%, após uma publicação do secretário de Energia americano, Chris Wright.
A mensagem indicava que militares dos EUA haviam garantido a passagem de um navio pela rota estratégica do Golfo Pérsico, por onde passa cerca de 20% do petróleo produzido no mundo, mas a publicação foi apagada pouco depois pelo secretário americano.
As autoridades iranianas também negaram a informação. O porta-voz da Guarda Revolucionária do Irã, major-general Ali Mohammad Naeini, afirmou que nenhum navio de guerra americano se aproximou da região durante o atual conflito entre Washington e Teerã.
Desde o início dos bombardeios de Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos e da retaliação de Teerã, o tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz foi interrompido, ampliando a volatilidade no mercado de energia e colocando em evidência a importância da rota para o abastecimento global.
Mas, apesar da tensão geopolítica, o petróleo terminou o dia em forte queda. O Brent, referência global, recuou 11,27%, a US$ 87,80 por barril, enquanto o WTI, referência nos Estados Unidos, caiu 11,94%, para US$ 83,45.
Também ajudaram a reduzir a pressão sobre os mercados declarações do ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar. Ele afirmou que o país não busca uma guerra prolongada com o Irã e que coordenará com os Estados Unidos o momento de encerrar o conflito.
As falas vieram na mesma linha de comentários recentes de Donald Trump, que disse estar "muito à frente" em seu cronograma para a operação militar.
Impacto no Ibovespa e no dólar
Diante da queda do petróleo, as petrolíferas fecharam o dia em queda. As ações ordinárias e preferenciais da Petrobras (PETR3 e PETR4) recuaram, assim como as ações da Prio (PRIO3), que divulgará balanço na noite de hoje, recuam.
Apesar do peso da estatal na composição do índice, com mais de 11% de participação, ainda assim o Ibovespa subiu mais de 1% com impulso de outras peso-pesados como Vale (VALE3) e grandes bancos. A mineradora subiu mais de 1%, assim como o Itaú (ITUB4).
"O movimento global de maior apetite ao risco também se refletiu na bolsa, impulsionada principalmente pelo fluxo estrangeiro, que tende a vir com mais força para o Brasil agora que está claro que a taxa de juros deve cair aqui em menor patamar. Esse movimento também contribuiu para a queda do dólar", afirmou Andressa Bergamo, especialista em investimentos e sócia-fundadora da AVG Capital.
No mercado de juros, as taxas futuras acompanharam o movimento de melhora do humor externo e também fecharam em queda, o que beneficiou as ações de varejistas como Magazine Luiza, Azzas, C&A e Renner.
Bergamo pondera, contudo, que mesmo com o fechamento positivo dos mercados, o cenário segue altamente dependente das notícias vindas do conflito no Oriente Médio.
"Qualquer nova informação envolvendo o Estreito de Ormuz ou a evolução das negociações entre os países envolvidos pode continuar provocando oscilações intensas nos próximos pregões".









