Ibovespa dispara e dólar volta a R$ 5,00
Principal vetor de alívio para os mercados veio do mercado de commodities, especialmente do petróleo


Exame.com
Após três sessões consecutivas de queda, o Ibovespa voltou a subir com força nesta quarta-feira (20) e encerrou o pregão em alta de 1,77%, aos 177.355 pontos, perto da máxima do dia, de 178.198 pontos, e distante da mínima de 174.279 pontos.
Na véspera, o índice havia recuado 1,52%, pressionado pela aversão ao risco no exterior, pela alta dos rendimentos dos Treasuries e pela piora do cenário político-eleitoral doméstico, apagando metade dos ganhos acumulados no ano. Após fechar abril com valorização de 16,26% em 2026, o Ibovespa reduziu a alta acumulada para 10,07%.
O movimento desta quarta mostrou uma recuperação disseminada no mercado brasileiro, com 73 das 79 ações que compõem o índice fechando no campo positivo.
Entre as blue chips, Vale (VALE3) e os grandes bancos avançaram mais de 1%, ajudando a sustentar a recuperação do índice. Na ponta positiva, destaque para CSN Mineração (CMIN3), que disparou 10,29%, Cury (CURY3), com alta de 8,53%, Renner (LREN3), que avançou 7,77%, e Marfrig (MRFG3), que subiu 7,09%.
As exceções ficaram por conta das ações ligadas ao petróleo. Petrobras (PETR3 e PETR4) liderou as perdas do pregão, com quedas superiores a 3%, acompanhada por Prio (PRIO3) e SLC Agrícola (SLCE3), que também fecharam em baixa de 1% e 1,61%, respectivamente.
Dólar cai
No câmbio, o dólar devolveu parte dos ganhos da sessão anterior e encerrou o dia em queda de 0,74% frente ao real, cotado a R$ 5,003. O movimento ocorreu após a moeda americana ter avançado na véspera em meio ao aumento da aversão ao risco global.
Alívio no petróleo impulsiona mercado
O principal vetor de alívio para os mercados nesta quarta veio do mercado de commodities, especialmente do petróleo. O contrato do Brent para julho despencou 5,62%, a US$ 105,02 por barril, enquanto o WTI para o mesmo mês caiu 5,66%, a US$ 98,26 por barril.
A queda foi impulsionada pelas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre um possível avanço nas negociações com o Irã. Pela manhã, o republicano afirmou que as tratativas estão em “fase final”, embora tenha reiterado ameaças de novos ataques caso não haja acordo.
“Estamos na fase final das negociações com o Irã. Veremos o que acontece. Ou chegamos a um acordo, ou teremos que tomar medidas um pouco desagradáveis, mas espero que isso não aconteça”, disse Trump a jornalistas antes de embarcar no Air Force One.
A percepção de que um entendimento pode estar próximo ganhou força após a emissora árabe Al Arabiya informar, citando fontes, que os trabalhos para finalizar o texto de um acordo entre Estados Unidos e Irã estão em andamento e que a conclusão poderia ser anunciada nas próximas horas.
Segundo operadores, a forte queda do petróleo reduziu o chamado “prêmio geopolítico” embutido nos preços da commodity, melhorando o humor global e favorecendo ativos de risco, como ações.
“O petróleo estava carregando um prêmio geopolítico muito alto por causa da guerra, do risco de novos ataques e, principalmente, da possibilidade de interrupção no Estreito de Ormuz. Quando Trump afirmou que as negociações estão em ‘fase final’ e que o conflito poderia terminar rapidamente, o mercado reduziu parte desse prêmio de risco”, afirmou Leonardo Andreolli, especialista em investimentos da Hike Capital.
O especialista pondera, porém, que o movimento ainda não representa uma mudança estrutural no mercado de petróleo.
“O movimento do petróleo hoje parece mais uma correção de prêmio geopolítico do que uma virada estrutural de oferta e demanda. O mercado está precificando uma chance maior de desescalada, mas ainda existe um risco binário: se houver acordo, o petróleo pode devolver mais prêmio; se as conversas fracassarem e houver ataque, o barril pode voltar a subir rapidamente”, disse Andreolli.
Para Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, a alta das bolsas não foi provocada diretamente pela queda do petróleo, mas pela mudança na percepção em torno do conflito no Oriente Médio.
“Um dos pontos cruciais não é efetivamente o preço do petróleo em si que está fazendo os mercados subirem. O que está fazendo realmente é a conjuntura das narrativas e das decisões sendo tomadas com relação ao conflito, que parece, pelo que vem saindo tanto dos Estados Unidos quanto de outras sinalizações, muito mais próximo de um fim”, afirmou.
Segundo Moliterno, o mercado passou a enxergar uma possibilidade maior de normalização do fluxo comercial global.
O ambiente mais favorável ao risco também impulsionou as bolsas americanas. Em Nova York, os principais índices fecharam em forte alta, apoiados pela queda dos rendimentos dos Treasuries, pela desvalorização do petróleo e pela expectativa em torno do balanço trimestral da Nvidia, que deve testar novamente a força da tese de inteligência artificial em Wall Street.
O Dow Jones subiu 1,31%, aos 50.009,35 pontos. O S&P 500 avançou 1,08%, aos 7.432,97 pontos, enquanto o Nasdaq ganhou 1,54%, aos 26.270,359 pontos. O setor de tecnologia foi um dos destaques positivos do dia, com alta de 1,87%, enquanto a Nvidia avançou 1,3% às vésperas da divulgação do balanço.









