Governo quer mais etanol na gasolina contra alta nos preços
Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse que vai propor ao Conselho de Política Energética aumento da mistura de 30% para 32%



Na imagem, bomba enche tanque de carro em posto de gasolina | Reprodução
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse nesta terça-feira (9) que vai submeter uma resolução nas próximas duas semanas ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) para aumentar a proporção obrigatória de etanol anidro na gasolina comum.
A intenção é passar dos atuais 30% (E30) para 32% (E32), com teto para elevar a até 35% (E35) em um futuro próximo, informação que foi antecipada pela coluna de Eduardo Gayer.
Para além da descarbonização da matriz, o governo busca reduzir o volume de importação de gasolina como forma de evitar que a guerra no Oriente Médio afete os preços dos combustíveis no mercado interno.
As declarações foram feitas após reunião de Silveira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no início da tarde. Também estiverem presentes o vice-presidente Geraldo Alckmin, a equipe econômica e representantes do setor de etanol.

O Conselho Nacional de Política Energética é o principal órgão do governo de assessoramento da Presidência da República para diretrizes do setor energético. É presidido pelo ministro de Minas e Energia e reúne representantes de diversos outros ministérios para tratar de temas de segurança energética, desenvolvimento econômico e interesse nacional.
Os encontros do CNPE têm sido adiados sucessivamente neste ano por efeitos do conflito no Oriente Médio, iniciado no fim de fevereiro. As datas já passaram de março para maio, e agora de maio para junho.
Em abril, Silveira já havia dito que o objetivo de médio prazo do governo é alcançar a autossuficiência no mercado interno de gasolina, deixando de depender de fornecedores. O cálculo do ministério é que o acréscimo do etanol anidro reduza em até 500 milhões de litros mensais o volume de gasolina importada, o que daria ao Brasil pela primeira vez na história a condição de autossuficiência.
Evandro Gussi, presidente da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia), estimou que a atual proporção de etanol acrescentado à gasolina contribuiu para que o país economizasse R$ 8 bilhões em importações e que o consumidor deixasse de gastar R$ 2 bilhões nas bombas desde o estouro do conflito no Irã. Gussi destacou que, hoje, o litro do etanol está em média R$ 2,40 mais barato que o da gasolina.
“Nós estamos aqui muito animados com essa consciência de que o Brasil pode reduzir esse consumo de gasolina importa, que o consumidor pode economizar no seu abastecimento, garantindo mais sustentabilidade e segurança energética para o país", afirmou.















