Economia

Dólar sobe e fecha a R$ 5,50 com novos capítulos das tensões entre Brasil e EUA

Diante da incerteza sobre os limites da sanção dos Estados Unidos contra Moraes, ações de bancos registraram forte desvalorização na bolsa

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SBT News, com informações da Reuters
19/08/2025, 21:31 • Atualizado em 20/08/2025, 02:13
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O dólar subiu 1,19% frente ao real nesta terça-feira (19), encerrando o dia cotado a R$ 5,50. A cotação é a maior em duas semanas. O movimento ocorre em meio à percepção de agravamento das tensões diplomáticas e comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

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Com a agenda internacional esvaziada, investidores concentraram a atenção nas negociações do governo Lula para tentar reverter a tarifa de 50% aplicada pelos EUA sobre produtos brasileiros no início do mês.

No entanto, agentes do mercado avaliam que as dificuldades do governo em avançar no diálogo com Washington aumentaram após decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na prática, a decisão impede que o ministro Alexandre de Moraes, também do STF, sofra no Brasil as consequências das sanções impostas a ele pelos EUA no mês passado com base na Lei Magnitsky — ainda que Dino não tenha citado diretamente essa medida.

O governo norte-americano, sob a gestão do presidente Donald Trump, aplicou as sanções a Moraes sob a acusação de autorizar prisões arbitrárias e restringir a liberdade de expressão. Moraes é relator do processo em que o ex-presidente Jair Bolsonaro é acusado de planejar um golpe de Estado.

Trump tem associado a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros ao que chama de “caça às bruxas” contra Bolsonaro por parte da Justiça brasileira.

Durante o dia, analistas financeiros destacaram que a decisão de Dino pode dificultar ainda mais as negociações e abrir espaço para uma resposta dos Estados Unidos. Uma das possibilidades seria a aplicação de sanções a instituições financeiras que não cumprirem determinações norte-americanas.

Ações de bancos despencam

As ações dos bancos que operam no Brasil caíram nesta terça-feira. O temor tomou conta do mercado financeiro, com as entidades no meio do fogo cruzado entre governo Trump e STF.

Diante da incerteza sobre os limites da sanção dos Estados Unidos contra Moraes, as ações de bancos registraram forte desvalorização na bolsa brasileira e contribuiram com queda de mais de 2% do Ibovespa nesta terça.

A ação que mais perdeu valor foi a do Banco do Brasil, instituição em que Moraes recebe o salário de ministro do STF. Em nota, o BB afirmou, sem entrar em detalhes, que está "preparado para lidar com temas complexos e sensíveis que envolvem regulamentações globais".

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