Economia

Dólar fecha estável com decisão do Fed, após tocar R$ 5,17

Moeda americana fechou o dia cotada a R$ 5,20 em sessão marcada pela reação do mercado à decisão do Federal Reserve

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Exame.com
28/01/2026, 21:17 • Atualizado em 28/01/2026, 21:17
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Foto: Ricardo Morraes/Reuters

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O dólar à vista encerrou o pregão desta quarta-feira (28) estável frente ao real, depois de ter recuado de forma mais acentuada ao longo da sessão e tocado a mínima de R$ 5,1716.

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A moeda americana fechou cotada a R$ 5,206, em um dia de volatilidade, marcado pela reação do mercado à decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) e às sinalizações vindas do governo de Donald Trump.

O dólar chegou a abrir a sessão em queda firme, refletindo o enfraquecimento da moeda americana no exterior. O movimento levou a cotação a reforçar o menor patamar desde maio de 2024, alcançado na véspera.

A virada ocorreu perto da decisão do Fed de manter os juros inalterados mas, principalmente, segundo analistas, após as declarações do secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, que defendeu a política de "dólar forte". A fala ajudou a sustentar a moeda americana globalmente e limitou a continuidade da queda frente ao real.

O índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas de países desenvolvidos, passou a subir após as declarações e avançava cerca de 0,70% no fim da tarde, aos 96,42 pontos, depois de ter atingido uma mínima de quatro meses na segunda, 26.

Segundo Jonathan Joo Lee, head da mesa de câmbio e internacional da Mirae Asset Brasil, o comportamento do dólar no Brasil esteve totalmente alinhado ao movimento externo. "O real chegou a se valorizar, mas após a fala do Bessent o dólar ganhou força", afirma.

Na leitura de William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, o dia foi marcado por uma recuperação técnica do dólar, sustentada também por uma abertura marginal na curva de juros dos Treasuries, com alta dos yields, especialmente nos títulos de 10 anos.

Segundo ele, a decisão do Fed de manter os juros na faixa dos 3,5% e 3,75%, embora esperada, reforçou uma postura mais cautelosa diante de uma economia ainda resiliente e de uma inflação que segue como ponto de atenção.

O que esperar do dólar

Olhando à frente, o head da mesa de câmbio e internacional da Mirae avalia que a decisão do Fed no curto prazo pode impedir a continuidade da desvalorização da moeda americana.

"Moedas emergentes, inclusive o Real, sofrem pressão maior de desvalorização, mas no médio prazo pode significar economia americana em crescimento estável, menos risco sistêmico global, CPI sob controle, enfim, a estabilidade econômica americana que pode aumentar apetite de risco global, aumentando a demanda para ativos emergentes", afirmou Lee.

O Comitê de Política Monetária (Copom) também decide sua taxa básica de juros nesta quarta. A decisão será divulgada por volta das 18h30. A expectativa do mercado é que a Selic se mantenha em 15%, o que deve limitar o impacto limitado no dólar.

Segundo especialistas consultados pela EXAME, o que pode influenciar mais a moeda no futuro é o posicionamento do BC e o tom do relatório do Copom, especialmente em relação à possibilidade de início de um ciclo de cortes de juros, que pode gerar maior movimentação no câmbio do que a decisão isolada em si.

O que é o dólar à vista

O dólar à vista é o valor negociado no mercado de câmbio para liquidação imediata, geralmente em até dois dias úteis. Esse tipo de câmbio é bastante utilizado em operações de curto prazo feitas por empresas e instituições financeiras.

A cotação do dólar à vista reflete o valor real de mercado no momento da transação, oferecendo transparência para quem precisa fechar negócios com rapidez.

O que é o dólar futuro

O dólar futuro corresponde a contratos de compra e venda da moeda para liquidação em uma data futura. Essa modalidade é negociada na Bolsa de Valores e ajuda empresas e investidores a se protegerem da volatilidade cambial.

Sua cotação varia conforme as expectativas do mercado em relação à economia, podendo se distanciar bastante do dólar à vista em momentos de incerteza.

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