Economia

Dólar cai 4,5% e fica abaixo de R$ 5 após eleição

Flávio Bolsonaro terminou o 1º turno à frente de Lula, contrariando pesquisas; mercado agora recalcula as chances para 25 de outubro

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Dólar cai mais de 4% e volta a ficar abaixo de R$ 5 após o 1º turno | Reprodução/Magnific

Dólar cai mais de 4% e volta a ficar abaixo de R$ 5 após o 1º turno | Reprodução/Magnific

O dólar despencou mais de 4% nesta segunda-feira (5), e voltou a ser negociado abaixo de R$ 5, em uma reação do mercado ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais. A queda acontece depois de Flávio Bolsonaro (PL) terminar a primeira rodada à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em um resultado que contrariou a maior parte das pesquisas.

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Com 99,8% dos votos apurados, Flávio recebeu 47,1% dos votos válidos, contra 45,1% de Lula. A diferença de dois pontos deu ao senador uma vantagem inicial para o segundo turno, segundo avaliação do Goldman Sachs, embora a instituição ressalte que a disputa permanece aberta.

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Nas últimas semanas, o câmbio vinha sendo acompanhado de perto pelos investidores como uma espécie de termômetro das pesquisas. A cada mudança na vantagem atribuída a Flávio ou Lula, o mercado recalibrava suas apostas sobre o resultado eleitoral e, consequentemente, sobre o risco percebido para os ativos brasileiros.

O movimento desta segunda-feira ocorre justamente após uma eleição em que o candidato do PL superou em mais de quatro pontos percentuais a média das pesquisas acompanhadas pelo Goldman Sachs. Lula, por outro lado, terminou dentro do intervalo indicado pelos levantamentos.

O JP Morgan, por exemplo, projeta a queda do dólar frente ao real, esperando que a cotação venha a testar o patamar de R$ 5,00 e possa avançar para R$ 4,95 ou até R$ 4,80 nas próximas semanas.

Por que o resultado mexeu com o dólar

A principal mudança para o mercado está na probabilidade atribuída a cada candidato para o segundo turno. Antes da votação, Lula aparecia à frente na média das pesquisas. Nas urnas, porém, Flávio terminou na liderança.

O Goldman Sachs avalia que o resultado deixa o segundo turno mais competitivo e dá ao candidato do PL uma leve vantagem inicial, justamente pela liderança obtida na primeira rodada.

A disputa, marcada para 25 de outubro, ainda dependerá de fatores como desempenho nos debates, estratégia das campanhas, mobilização dos eleitores e capacidade de atrair os votos dos candidatos eliminados.

Para o câmbio, a questão central é como essa nova distribuição de probabilidades será incorporada pelos investidores ao longo das próximas semanas.

A vantagem de Flávio não ficou concentrada em um único estado. O candidato venceu Lula nos três maiores colégios eleitorais do país.

Em São Paulo, recebeu 51,9% dos votos válidos, contra 38,2% de Lula. Em Minas Gerais, a diferença foi de 48,3% a 43,2%. No Rio de Janeiro, Flávio teve 53%, contra 39,4% do presidente.

O desempenho também superou a base eleitoral obtida por Jair Bolsonaro em 2022 no Sul, no Sudeste e em Minas Gerais, segundo o Goldman Sachs.

O resultado é relevante para a segunda rodada porque esses estados concentram uma parcela expressiva do eleitorado brasileiro e ajudam a definir a dinâmica nacional da disputa.

Para onde podem ir os votos dos candidatos eliminados

Os quatro candidatos que ficaram fora do segundo turno e que o Goldman Sachs classifica como centro-direita ou direita somaram 7,8% dos votos válidos.

Augusto Cury recebeu 2,9%, Renan Santos, 2,3%, Ronaldo Caiado, 2,2%, e Romeu Zema, 0,3%.

Segundo o banco, a maioria dos eleitores desses candidatos tende a se inclinar para Flávio Bolsonaro. A ressalva é que parte desse eleitorado pode já ter migrado para um dos dois finalistas ainda no primeiro turno.

Outro grupo que pode fazer diferença é o dos eleitores que não compareceram às urnas. A abstenção foi de 21,1%, ligeiramente acima dos 20,9% registrados em 2022.

Para o Goldman Sachs, a mobilização desses eleitores será um dos fatores capazes de alterar o equilíbrio da disputa.

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