Economia

Brasil vive explosão de novos empreendedores e abertura recorde de empresas

Relatórios da Plataforma LinkedIn e dados do Sebrae mostram alta histórica no empreendedorismo, com avanço da IA e protagonismo dos fundadores

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O Brasil está vivendo uma nova onda empreendedora. E ela não é apenas percepção de mercado, é dado concreto. Segundo levantamento recente do LinkedIn, confirmado por informações do Sebrae, o número de profissionais que passaram a se posicionar como “founder” (fundador) cresceu 64% no último ano no país, quase três vezes mais do que em 2022. O movimento acompanha um recorde histórico na abertura de empresas, com 5,1 milhões de novos negócios registrados em 2025, sendo 4,9 milhões deles pequenos negócios.

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O título de fundador deixou de ser apenas um cargo no perfil profissional e passou a representar uma mudança de mentalidade. O relatório SMB Work Change Report, baseado em dados do Economic Graph do LinkedIn, aponta que globalmente o termo “founder” cresce cerca de 60% ano a ano, praticamente triplicando desde julho de 2022. No Brasil, a expansão é ainda mais acelerada, refletindo uma busca maior por independência profissional e protagonismo.

A inteligência artificial aparece como um dos grandes motores dessa transformação. Entre profissionais de pequenas e médias empresas no Brasil, 85% acreditam que a IA vai melhorar a rotina de trabalho. Além disso, 67% afirmam que o contato com a tecnologia os levou a considerar o empreendedorismo como caminho possível. A IA deixou de ser discurso futurista e passou a integrar tarefas de marketing, vendas, análise de dados e gestão operacional.

Mas há um outro lado dessa história que precisa ser analisado com frieza. Parte desse crescimento pode estar ligada não apenas ao aumento do espírito empreendedor, mas também às transformações do mercado de trabalho. O Brasil registrou recorde de trabalhadores por conta própria, ultrapassando 26 milhões de pessoas nessa condição, segundo dados recentes do IBGE. Isso significa que uma parcela relevante pode estar empreendendo por necessidade, por falta de vagas formais ou como alternativa diante da instabilidade econômica.

Além disso, cresce o fenômeno da pejotização e da formalização via MEI, em que profissionais deixam o regime CLT e passam a atuar como pessoa jurídica, muitas vezes prestando serviço para empresas. Esse movimento aumenta o número de CNPJs e de perfis que se apresentam como founders, mas nem sempre representa a criação de empresas estruturadas com potencial de escala. Em muitos casos, se trata de reorganização da força de trabalho e não necessariamente de novos negócios consolidados.

O empreendedorismo feminino também ganhou força. Durante a pandemia, houve aumento de 41% na presença de mulheres empreendendo, com forte atuação no ambiente digital. Outro dado que chama atenção é o crescimento do empreendedorismo 60+, que atingiu 4,3 milhões de brasileiros no fim de 2024, mostrando que empreender deixou de ser movimento restrito aos mais jovens.

No cenário macro, o Brasil alcançou em 2024 a maior taxa de empreendedorismo dos últimos quatro anos, com cerca de 47 milhões de brasileiros envolvidos em atividades empreendedoras, formais ou informais. O país se destaca globalmente pela intensidade desse movimento, mesmo em meio a incertezas econômicas.

Ao mesmo tempo, os relatórios reforçam um alerta. A IA acelera decisões, cruza dados e amplia eficiência, mas não substitui maturidade de gestão. Muitos empresários já adotam tecnologia para automatizar processos, porém ainda enfrentam desafios básicos de fluxo de caixa, controle financeiro e disciplina operacional. Negócios sólidos continuam sendo aqueles que olham números com frequência e tomam decisões consistentes.

O avanço dos novos founders mostra que o Brasil está mais autoral, mais independente e mais digital. Mas também revela um país que busca alternativas diante das pressões do mercado de trabalho. O desafio agora é transformar esse impulso em empresas financeiramente sustentáveis, com estratégia clara e visão de longo prazo. A tecnologia pode potencializar o caminho, mas o crescimento real continua sendo responsabilidade das pessoas que lideram.

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