Economia

Brasil cresce abaixo do mundo e amplia perda de poder de compra

Dados do Fundo Monetário Internacional mostram desaceleração da economia brasileira, queda no ranking global e impacto direto no consumo das famílias e nas PMEs

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Colheita de soja em Maringá | Reuters/Rodolfo Buhrer

Os dados mais recentes do Fundo Monetário Internacional escancaram uma realidade desconfortável, o Brasil continua crescendo, mas em um ritmo insuficiente para acompanhar o mundo e, principalmente, para recuperar o poder de compra da população. A economia brasileira, que avançou 2,3% em 2025, já mostra sinais claros de desaceleração, com projeções entre 1,9% e 2% para 2026, enquanto a média global segue mais acelerada, estimada em 3,1%. O resultado é simples e direto, o país cresce, mas perde posição relativa, e isso começa a pressionar toda a cadeia produtiva.

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Esse descompasso não é apenas técnico, ele se traduz em perda de relevância econômica e em um ambiente mais hostil para quem empreende. Em 2025, o Brasil caiu para a 11ª posição entre as maiores economias do mundo, sendo ultrapassado pela Rússia. No ranking de crescimento, a situação é ainda mais preocupante, o país aparece apenas na 39ª posição entre 50 economias analisadas no último trimestre de 2025, consolidando sua presença na parte inferior da tabela global, um sinal claro de perda de tração.

Mas o impacto mais sensível não está nos rankings, está no bolso do brasileiro e, por consequência, no caixa das empresas. A perda de poder de compra é um fenômeno que vem se acumulando ao longo de décadas. Entre 1980 e 2025, o PIB per capita global cresceu 675%, enquanto o brasileiro avançou 428%, ampliando a distância em relação ao restante do mundo. Desde 2015, essa diferença se intensificou, com a renda média nacional evoluindo abaixo da média global.

Mesmo com o reajuste do salário mínimo para R$ 1.621 em janeiro de 2026, a realidade das famílias segue pressionada. O poder de compra da cesta básica ainda não voltou aos níveis pré-pandemia, enquanto a inflação, especialmente de alimentos e serviços, continua corroendo o orçamento. O cenário é paradoxal, o desemprego está em níveis baixos, mas o consumo não reage na mesma intensidade, limitado pelo custo de vida elevado. Para as pequenas e médias empresas, isso significa menos giro, maior dificuldade de repasse de preços e compressão de margens.

Por trás desse desempenho, estão problemas estruturais conhecidos e persistentes. A produtividade da economia brasileira segue praticamente estagnada desde a década de 1990, especialmente nos setores de indústria e serviços. Os investimentos em infraestrutura e tecnologia continuam abaixo do necessário para sustentar um ciclo de crescimento mais robusto. Ao mesmo tempo, o ambiente de negócios ainda é marcado por burocracia elevada e desequilíbrios fiscais que aumentam o custo de operação das empresas, afetando principalmente as PMEs, que têm menor capacidade de absorver esses impactos.

A política monetária também entra nessa equação. Com juros projetados em torno de 13% ao final de 2026, o país mantém uma postura necessária para controlar a inflação, mas que, ao mesmo tempo, limita o crédito, o consumo e os investimentos produtivos. Para as pequenas e médias empresas, isso significa capital mais caro, menor acesso a financiamento e crescimento mais lento.

O retrato para 2026 é claro, o Brasil até cresce, mas não o suficiente para reduzir a distância em relação às economias mais dinâmicas, nem para devolver rapidamente o poder de compra perdido pela população. Para as pequenas e médias empresas, que dependem diretamente do consumo interno, esse cenário representa um desafio adicional, crescer em um ambiente onde o cliente tem menos capacidade de compra exige mais eficiência, mais estratégia e, principalmente, mais produtividade.

No fim do dia, o problema não é apenas crescer pouco, é crescer menos do que o mundo e pagar o preço disso no dia a dia da economia real, especialmente para quem está na linha de frente, vendendo, produzindo e tentando crescer apesar do ambiente.

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