Big Techs perdem US$ 900 bilhões após anunciar gastos recordes com IA
Alta de até 165% nos investimentos reacende temores sobre rentabilidade da corrida por inteligência artificial


Exame.com
As ações das grandes empresas de tecnologia recuaram com força após a divulgação de planos que preveem US$ 660 bilhões em investimentos em inteligência artificial (IA) em 2026, movimento que acendeu alertas entre investidores sobre o descompasso entre gastos e retorno financeiro.
Amazon, Google e Microsoft devem perder, juntas, cerca de US$ 900 bilhões em valor de mercado desde a divulgação de seus balanços trimestrais na última semana, segundo o Financial Times. O principal fator de pressão foi o volume elevado de despesas de capital, que superou a leitura positiva dos resultados operacionais, especialmente nas divisões de computação em nuvem.
Os investimentos projetados — superiores ao PIB de Israel — representam uma alta de 60% em relação aos US$ 410 bilhões aplicados em 2025 e um avanço de 165% frente a 2024, quando o setor desembolsou US$ 245 bilhões. Os recursos serão direcionados principalmente a data centers e chips especializados para treinamento e operação de modelos avançados de IA.
"O nível de capex é impressionante", afirmou Jim Tierney, gestor da AllianceBernstein, ao site. Nem mesmo o crescimento de 14% na receita combinada, que chegou a US$ 1,6 trilhão, foi suficiente para conter o pessimismo.
Balanços e perdas
A Amazon liderou as perdas após anunciar que seu investimento anual deve alcançar US$ 200 bilhões, cerca de US$ 50 bilhões acima do esperado. As ações da empresa caíram 11% no pós-mercado. O CEO Andy Jassy afirmou que os aportes são necessários para posicionar a companhia em áreas como IA, chips, robótica e satélites, citando o crescimento de 24% da receita da AWS como sinal de retorno inicial.
A Microsoft foi a mais penalizada, com queda acumulada de 18% desde a divulgação de seus resultados. Apesar do avanço de 26% na receita da divisão de nuvem, para US$ 51,5 bilhões, o mercado reagiu negativamente ao aumento de 66% nos gastos trimestrais com data centers. A empresa também revelou que 45% de seus contratos futuros de nuvem estão ligados à OpenAI, o que levantou preocupações sobre concentração de risco.
Na Alphabet, dona do Google, nem o lucro recorde de US$ 132 bilhões em 2025 e a superação da marca de US$ 400 bilhões em receita anual evitaram a queda das ações, após a empresa anunciar que pretende dobrar seus investimentos para US$ 185 bilhões.
"A sensação de bolha em IA voltou ao radar", disse Brent Thill, analista da Jefferies, ao avaliar que investidores estão mais cautelosos com o setor.
A Meta chegou a anunciar que dobrará seus investimentos para US$ 135 bilhões, mas, apesar de uma reação inicial positiva, as ações devolveram ganhos em meio à queda de 4% do Nasdaq nos últimos cinco dias.
A Apple foi a exceção entre as gigantes de tecnologia. A empresa reportou US$ 144 bilhões em receita trimestral, impulsionada pelas vendas do iPhone 17 nos Estados Unidos e na China, e reduziu seus investimentos em 17%, para US$ 2,4 bilhões no último trimestre. A estratégia de terceirizar parte da infraestrutura de IA, por meio de parceria com o Google, ajudou a conter os gastos.
Enquanto isso, o mercado segue atento aos próximos resultados da Nvidia, líder global em chips para IA. Após anos de expansão acelerada dos investimentos, investidores agora cobram sinais mais claros de retorno financeiro.
"Saímos de um cenário em que gastar mais era suficiente para animar o mercado para outro em que esses investimentos precisam gerar receita em prazos realistas", afirmou Drew Dickson, da Albert Bridge Capital.








