Economia

Economia americana: sem condições para melhoras nos próximos meses

Livro Bege aponta inflação e taxas de juros ainda elevadas e mercado de trabalho amparando consumo e preços

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Guto Abranches
08/03/2023, 22:34 • Atualizado em 31/10/2023, 16:42
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Mercado financeiro EUA

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O Federal Reserve (Fed), Banco Central dos Estados Unidos, divulgou nesta 4ª feira (08.mar) o levantamento conhecido como Livro Bege, uma compilação dos dados da economia americana a partir do relato das 12 unidades regionais do Fed. A divulgação era muito aguardada depois do pronunciamento do presidente do Fed na 3ª feira (7.mar), que mexeu com o humor dos investidores e analistas.

Jérome Powell, o chairman do Fed, falou claramente em novas e maiores altas nas taxas de juros do país para trazer a inflação para a meta de 2% ao ano. Não ficou de fora, ainda, a possibilidade de os juros permanecerem elevados também por tempo mais longo. Foi o suficiente para que os principais pregões  em Wall Street  caíssem mais de 1% naquele dia. 

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Em linhas gerais, a atividade econômica reportada no Livro Bege teve aumento ligeiro no início de 2023. Gastos do consumidor se mantiveram estáveis na média. Houve melhora nos níveis de estoques de automóveis. Entre as sedes regionais do Fed, algumas sinalizaram que a inflação alta e a consequente taxa de juros também elevada funcionaram para reduzir o poder de compra dos consumidores. Produção da indústria deixou de cair para buscar uma estabilidade. Exceção feita a algumas localidades da costa leste, que tiveram mercado imobiliário observando aumento inesperado. O crédito está mais difícil e a inadimplência aumentou.

Trabalho e inflação

Na área do emprego houve aumentos modestos nas contratações na maioria dos distritos, situação semelhante ao poder de compra dos salários. Dois impulsos que, à semelhança dos meses recentes, ampararam as pressões inflacionárias generalizadas. A expectativa entre os agentes de mercado era por preços moderados ao longo do ano.

Em função do aumento da incerteza, de modo geral analistas e investidores não esperam condições econômicas muito melhores nos próximos meses. "Os Estados Unidos mostram a dificuldade que tem sido combater essa inflação, por ser de demanda e o excesso de liquidez por conta da política monetária e  fiscal expansionista. Eles também tem um problema de desacelerar a oferta, quando o ideal era ampliar a oferta para equiparar à demanda", avalia Bernard Faust, operador de renda variável da One Investimentos. 

Powell tenta de novo

Pela segunda vez esta semana no Congresso americano, o presidente do Federal Reserve, Jérome Powell, falou em taxas de juros altas - e talvez por mais tempo. A senha para o mau humor nos mercados em Wall Street já tinha sido dada na 3ª feira (07.mar) puxando os índices para o vermelho. Ele voltou a ressaltar que dados importantes terão de ser analisados antes da decisão pelo Comitê de Mercado Aberto nas reuniões de 21 e 22 de março. Ao final do dia, as bolsas em Nova York refletiram o dia de oscilações e incertezas e não encontraram rumo consensual: Dow Jones = 0,10%; S&P500 + 0,15% e Nasdaq + 0,44%. 

O Brasil seguiu caminho mais independente dos mercados nos EUA e subiu 1,98% até os 106.294 pontos. Dólar em queda de 1,02% cotado para venda a R$ 5,14.

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