Economia

Após 19 meses, Ibovespa deve ficar abaixo dos 100 mil pontos

Bolsa de valores brasileira está há uma semana com quedas consecutivas

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O principal indicador de como está o mercado financeiro do Brasil, o Ibovespa, deve retornar ao patamar de 19 meses atrás. Era 4 de novembro de 2020 quando a bolsa de valores brasileira, a B3, encerrou sua sessão aos 97.867 pontos. No dia seguinte ocorreu o que analistas já consideram um salto, mais de 3 mil pontos adicionais, chegando aos 101 mil. De lá pra cá, nunca mais ficou abaixo da linha dos 100 mil.

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Mas, o que quer dizer na prática, no dia a dia? Significa que investidores estão comprando menos ações e as empresas ficam com giro de capital mais lento. Claro que não para por aí. Não demora muito para que seus fornecedores sintam a desaceleração e logo o varejo também reflita. Depois será a população. Como? Estagnação no mercado de trabalho. De novo.

Então, aquele alívio que sentimos poucos dias atrás, com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostrando quase 170 mil vagas de trabalho com carteira assinada em abril não é um sinal de que o país saiu da crise e pode, enfim, entrar em uma tendência de crescimento? Ainda não. Não que o mês atual não possa ser de alta. Ainda sim. Porém, de julho em diante a chance é baixa.

É o que avaliam os analistas de olho em fatores como o mercado financeiro dos Estados Unidos. Os norte-americanos tiveram 428 mil vagas de trabalho com carteira assinada em abril. No mês seguinte eram esperadas 318 mil. Só que o Payroll, que equivale ao nosso Caged, revelou que maio teve 390 mil novos postos de emprego. "Ou seja, não decaíram tanto, está pujante", considera o economista-chefe do Rabobank, Maurício Une.

Com o mercado de trabalho mantendo uma certa firmeza, a demanda por produtos de todo tipo pode continuar alta. A inflação aumenta. Para os padrões dos EUA, já está altíssima: 8,3%. Até o fim do ano, Une acredita que vá bater os 8,6%: "Inflação que eles nem conhecem. É uma geração que nunca viu isso acontecer. O mais próximo foi em janeiro de 1982, com 8,4%", lembrou o economista.

Tal cenário deve forçar o FED, banco central estadunidense, a elevar a taxa de juros. A próxima reunião é nesta 4ª feira (15.jun). "Acreditamos que agora a alta seja de 0,5 pontos percentuais. Em julho e setembro também. Em novembro e dezembro mais 0,25 pontos percentuais. Chegando ao final de 2022 com 3% de taxa básica de juros", estima.

A taxa básica de juros mais alta nos EUA faz com que investidores busquem negócios por lá, porque vão receber os retornos em dólares. Assim como deve ocorrer com a Europa e, obviamente, os euros. Pode sobrar pouco para Brasil, mesmo com a Selic subindo ainda. Nesta mesma 4ª feira, o BC pretende anunciar mais um ajuste. Provavelmente, de 0,5 pontos percentuais, avalia Une. Mas, não será suficiente com a indústria sofrendo por falta de insumos. "Em breve vamos ver os indicadores econômicos andando de lado", conclui.

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