Saída da Ford não afeta otimismo por investimentos no Brasil, diz Montezano
Afirmação do presidente do BNDES foi feita no programa Poder em Foco

O presidente do BNDES, Gustavo Montezano, em entrevista ao programa Poder em Foco
Montezano avaliou que o setor passa por uma reacomodação mundial, com a fusão de várias marcas para sobreviver à concorrência e o surgimento de novas montadoras. "A produtora de carros mais valiosa, hoje, não fazia carros há quinze, vinte anos. A Tesla, que faz carro elétrico, vale múltiplas vezes todas as demais empresas somadas", destacou.
Ele lamentou o fechamento Ford e a perda de empregos, mas disse que o mercado de trabalho precisa ser olhado sob uma perspectiva global. "A gente criou mais de 400 mil novas vagas em novembro. Então, quando se compara cinco mil a mais de quatrocentas mil, é ruim (perder) cinco mil, mas olhando a figura total, o Brasil está andando pra frente e a geração de emprego acontecendo, apesar da crise que a gente viveu", concluiu.
Apoio do Governo
Na visão do presidente do BNDES, do ponto de vista da concessão de crédito, não havia nada que o governo pudesse fazer para tentar manter a Ford no Brasil. "Sob a ótica de financiamento, empréstimo, não havia. Fizemos o melhor possível. Sob a ótica tributária, os aspectos regulatórios do setor, não há nada do meu conhecimento, mas não sou especialista", ressaltou.
Nos últimos 20 anos, a indústria automobilística recebeu dezenas de subsídios, reduções de impostos e linhas de crédito. A estimativa é de que somente a Ford recebeu mais de R$ 3,5 bilhões desde o ano 2000. Montezano informou que o empréstimo mais recente, de 2017, é da ordem de R$ 350 milhões.
O BNDES pediu explicações à empresa, analisa juridicamente os próximos passos a serem adotados e não descarta a possibilidade de cobrar o pagamento antecipado da dívida.
"A gente está avaliando os detalhes juridicamente. O que é o posicionamento deles e qual o reflexo disso aí na nossa relação creditícia. Mas, com um grupo como a Ford, não são R$ 350 milhões que vão mudar completamente a vida deles. No limite do limite, a gente vai exigir o repagamento do empréstimo e isso será decidido, enfim, com fundamentação técnica", explicou.
Novos investimentos
O presidente do BNDES apostou que o setor de saneamento será um dos mais atrativos do Brasil para investidores externos neste ano. "O setor é um carro-chefe no Brasil porque conjuga tanto o financeiro quanto o sócio-ambiental. O que mais procuram hoje é esse equilíbrio. São os investimentos que se chamam ASG - ambiental, social e governança, que é a temática do momento no mercado financeiro", pontuou.
Para Montezano, é exatamente o que oferece o leilão da Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro), marcado para abril. A concessão prevê a arrecadação de mais de R$ 30 bilhões de investimento e geração de mais de quarenta mil empregos. "Além disso, tem um impacto ambiental gigante, melhora a saúde das pessoas, o nível educacional. O turismo valoriza".
Perfil
Gustavo Montezano é engenheiro mecânico e mestre em economia. Começou a carreira no mercado financeiro. No governo Bolsonaro, também foi secretário adjunto de Desestatização e Desinvestimento do Ministério da Economia, deixou o cargo para assumir o BNDES em julho de 2019, por indicação do ministro Paulo Guedes.
O Poder em Foco vai ao ar todo domingo, logo após o Programa Sílvio Santos. É apresentado por Roseann Kennedy, que semanalmente recebe um jornalista convidado. Nesta semana é o sócio-fundador da Agência Infra, Dimmi Amora.















