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Cultura

Verissimo já foi músico de jazz e vendeu mais de 5 milhões de livros

Escritor, cronista, cartunista e músico, ele conquistou leitores com um estilo leve, bem-humorado e ao mesmo tempo crítico

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Veríssimo: escritor tem mais de 70 livros publicados e 5,6 milhões de cópias vendidas - Acervo Veríssimo / Estado de Minas
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Morreu neste sábado (30), aos 88 anos, o escritor Luiz Fernando Verissimo, um dos nomes mais conhecidos da literatura e do jornalismo brasileiro. Escritor, cronista, cartunista e músico, ele conquistou leitores com um estilo leve, bem-humorado e, ao mesmo tempo, crítico, refletindo sobre o cotidiano, a política e as relações humanas.

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Nascido em Porto Alegre, em 1936, Veríssimo era filho do também escritor Érico Verissimo, autor de clássicos como O Tempo e o Vento. Antes de se tornar escritor, morou nos Estados Unidos, onde começou a desenvolver suas habilidades literárias e seu amor pelo jazz, tornando-se mais tarde saxofonista e integrante da banda Jazz 6.

Sua estreia literária ocorreu nos anos 1970, com O Popular, mas o sucesso veio com coletâneas de crônicas como O Analista de Bagé (1981), que apresentou ao público um dos personagens mais marcantes de sua obra.

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Escritor e jornalista

Durante sua extensa carreira, o escritor construiu um vasto legado, com mais de 70 livros publicados e 5,6 milhões de cópias vendidas.

Iniciou a carreira no jornalismo em 1966, como revisor do jornal Zero Hora, em Porto Alegre, e lançou seu primeiro livro, O Popular, em 1973. Também assinou colunas em jornais como O Estado de S. Paulo, O Globo e Zero Hora, consolidando-se como uma das vozes mais influentes da crônica brasileira.

Como escritor, além de O Analista de Bagé, estão entre as principais obras: A Grande Mulher Nua (1975), Ed Mort e Outras Histórias (1979), O Santinho (1991) e Comédias da Vida Privada (1994), livro de crônicas que foi adaptado para uma série de televisão entre 1996 e 1997.

“Eu comecei a escrever tarde, com mais de 30 anos. Até então, só tinha feito algumas traduções do inglês e não tinha a menor intenção de ser jornalista ou escritor”, lembrou Veríssimo, então aos 80 anos, em entrevista à Folha em 2016.

Verissimo sempre se declarou tímido e avesso a holofotes, preferindo que sua obra falasse por ele. Ele afirmava que se descobriu como escritor após as oportunidades que recebeu como colunista.

“Quando me deram um espaço assinado no jornal, eu, por assim dizer, me descobri. (...) O resto, os contos e os romances, são decorrências do trabalho como cronista. Na música, apenas realizei o sonho de ser jazzista, ou pelo menos poder brincar de ser jazzista”, completou.

Velhice e problemas de saúde

Verissimo enfrentava há anos uma série de complicações de saúde que incluíam a doença de Parkinson, sequelas de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) sofrido em 2021, além de problemas cardíacos.

Ao fim da vida, enfrentava dificuldades de fala e as poucas palavras que ainda balbuciava, eram em inglês, conforme relato de Lúcia Verissimo, de 81 anos e esposa do escritor por 61 deles, à Folha de S.Paulo.

Em entrevista à Folha em 2011, o escritor falava da morte com um misto de tristeza e doçura, sempre com a leveza típica de sua obra.

“A morte é uma injustiça, essa é a melhor descrição. Mas a gente tem de conviver com isso. A gente vai ficando mais lento de pensamento. Nesse sentido, estou sentindo a velhice. Mas aí é tentar aproveitar a vida da melhor maneira. Enquanto der para aproveitar a nossa neta, ir ao cinema, viajar, a gente vai levando”, disse ele em entrevista em 2011.

Em 2013, após deixar o hospital onde havia sido internado na UTI em função de uma gripe que evoluiu para um quadro de infecção generalizada, foi ainda mais direto em nova declaração:

“A morte é uma sacanagem. Sou cada vez mais contra.”

Verissimo deixa a mulher, Lúcia Helena Massa, três filhos e dois netos.

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