Cultura

Morre Cacá Diegues, diretor de "Xica da Silva" e "Bye Bye Brasil", aos 84 anos

Cineasta foi um dos fundadores do Cinema Novo, nos anos 1960, e imortal da Academia Brasileira de Letras

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Felipe Moraes
14/02/2025, 11:17 • Atualizado em 15/02/2025, 01:49
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Cineasta Cacá Diegues: um dos nomes mais importantes do cinema brasileiro | Divulgação/Cobogó

Cineasta Cacá Diegues: um dos nomes mais importantes do cinema brasileiro | Divulgação/Cobogó

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O cineasta Cacá Diegues, diretor de filmes como "Xica da Silva" (1976) e "Bye Bye Brasil" (1980) e um dos fundadores do Cinema Novo, morreu nesta sexta-feira (14), aos 84 anos. Ele faleceu no Rio de Janeiro, após complicações em uma cirurgia.

A Academia Brasileira de Letras (ABL), da qual o realizador era imortal, lamentou a morte em postagem nas redes sociais:

"Sua obra equilibrou popularidade e profundidade artística ao abordar temas sociais e culturais com sensibilidade. Durante a ditadura militar, viveu no exílio, mas se manteve sempre ativo no debate sobre política, cultura e cinema."

Início da carreira

Carlos Diegues, mais conhecido como Cacá, nasceu em Alagoas, em 1940. Mudou-se com a família para o Rio de Janeiro e passou infância e adolescência em Botafogo.

Formou-se em direito na PUC do Rio e, na função de presidente do diretório estudantil, começou um cineclube e atividades como cineasta amador, ao lado de nomes como David Neves e Arnaldo Jabor.

Quando ainda era estudante, dirigiu o jornal O Metropolitano, da União Metropolitana de Estudantes (UME), e entrou para o Centro Popular de Cultura (CPC), da União Nacional dos Estudantes (UNE).

As turmas da PUC e do jornal se tornaram núcleos de fundação do Cinema Novo, movimento que Diegues liderou ao lado de cineastas como Glauber Rocha, Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman e Paulo Cesar Saraceni.

Em 1960, com Affonso Beato Neves, ele assinou um dos curtas-metragens pioneiros do movimento, "Domingo".

Filmes de sucesso e prêmios

O primeiro filme profissional de Diegues como cineasta foi "Escola de Samba Alegria de Viver", um dos segmentos da antologia "Cinco Vezes Favela" (1962). Ao longo dos anos 1960, lançou três longas, "Ganga Zumba" (1964), "A Grande Cidade" (1966) e "Os Herdeiros" (1969).

Quando a ditadura recrudesceu, Diegues teve de deixar o Brasil, em 1969, ao lado da então esposa, a cantora Nara Leão (1942-1989). Viveram na Itália e, depois, na França.

No retorno ao Brasil, ele dirigiu "Quando o Carnaval Chegar" (1972) e "Joanna Francesa" (1973). O maior sucesso, "Xica da Silva" (1976), teve Zezé Motta no papel principal.

"Um filme que se aproveita da abertura política para anunciar, em sua exuberância e otimismo, os últimos dias do autoritarismo e a volta da alegria democrática", diz texto no site oficial do cineasta.

Entre fim dos anos 1970 e início da década de 1980, de redemocratização no Brasil, Diegues assinou outros dois sucessos, "Chuva de Verão" (1978) e "Bye Bye Brasil" (1980). Em 1984, realizou o épico "Quilombo".

À época, Diegues defendeu mudança no modelo da Embrafilme, empresa estatal de economia mista que produziu e distribuiu filmes entre 1969 e 1990 e foi encerrada no governo do ex-presidente Fernando Collor de Mello.

Numa fase considerada crítica e economicamente difícil para produzir filmes no Brasil, Diegues fez "Um Trem para as Estrelas" (1987) e "Dias Melhores Virão" (1989).

No período da chamada Retomada, assinou "Veja Esta Canção" (1994), coproduzido pela TV Cultura, e adaptou obras literárias em "Tieta do Agreste" (1996), "Orfeu" (1999) e "Deus É Brasileiro" (2002).

"O Maior Amor do Mundo" (2006), com raro roteiro original escrito apenas por Diegues, e "O Grande Circo Místico" (2018) foram os últimos longas de ficção lançados pelo autor. O inédito "Deus Ainda É Brasileiro", continuação de "Deus É Brasileiro", começou a ser rodado há alguns anos e tinha previsão de estreia em 2025.

Em 2016, recebeu homenagem da escola de samba Inocentes de Belford Roxo no enredo "Cacá Diegues: Retratos de um Brasil em Cena". Já em 2018, foi eleito imortal da Academia Brasileira de Letras.

Entre os principais prêmios recebidos, venceu Candangos de melhor filme e melhor diretor no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, o mais antigo do país, por "Xica da Silva", e reconhecimentos honorários nos festivais de Gramado e Paulínia.

Na década de 1980, concorreu à Palma de Ouro, prêmio máximo do Festival de Cannes, na França, por "Bye Bye Brasil", "Quilombo" e "Um Trem para as Estrelas".

Além do cinema, Diegues teve trajetória frutífera como jornalista e autor de artigos, críticas e ensaios, com diversos livros publicados.

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