Morre Bud Cort, ator do clássico "Ensina-me a Viver", aos 77 anos
Associado a filmes da Nova Hollywood, intérprete também trabalhou em longas como "M*A*S*H" (1970) e "Voar é com os Pássaros" (1970)

Felipe Moraes
O ator Bud Cort, famoso por interpretar o jovem Harold no clássico "Ensina-me a Viver" (1971), morreu nessa quarta-feira (11), aos 77 anos, nos Estados Unidos. Segundo o The Hollywood Reporter, o artista faleceu por complicações de uma pneumonia.
Nascido em Nova York, em família ligada à cultura — pai músico, líder de big band, e mãe relações públicas dos estúdios Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) —, o ator nasceu com o nome de batismo Walter Edward Cox. Trocou para Bud Cort para evitar confusão com o também intérprete Wally Cox.
Após um período de estudos em NY, foi descoberto pelo grande diretor Robert Altman, dono de sete indicações ao Oscar e vencedor de estatueta honorária. O cineasta escalou Cort em dois filmes significativos da Nova Hollywood, movimento iniciado na segunda metade da década de 1960 que rejuvenesceu e revolucionou a indústria de cinema norte-americana: as comédias "M*A*S*H" (1970) e "Voar É com os Pássaros" (1970), em que encarnou o protagonista, Brewster McCloud.
Foi justamente outra comédia clássica da Nova Hollywood que imortalizou Cort na tela grande: "Harold and Maude" (1971), filme de Hal Ashby lançado como "Ensina-me a Viver" no Brasil. Aqui, ele faz um jovem obcecado pela morte que nutre uma amizade — e depois uma paixão — pela idosa Maude, interpretada por Ruth Gordon, estrela vencedora do Oscar por "O Bebê de Rosemary" (1968).
Apesar do desempenho fraco nas bilheterias e da recepção morna da crítica, o longa conquistou status cult ao longo dos anos. Quando lançado, rendeu a Cort indicações ao Globo de Ouro e ao Bafta.
Um acidente sofrido em 1979 deixou o ator gravemente ferido. Ele teve fraturas e ficou com o rosto desfigurado. Segundo o The New York Times, isso acabou levando Cort a gastar boa parte de seus rendimentos em cirurgias plásticas.
Cort atuou em vários outros filmes populares, como "Invasores de Marte" (1986), "Fogo Contra Fogo" (1995), "Dogma" (1999), "Pollock" (2000), "Show Bar" (2000) e "A Vida Marinha com Steve Zissou" (2005).
O artista também ficou famoso no mundo pop entre fãs dos super-heróis da editora DC Comics. Fez trabalhos de dublagem interpretando o Toyman (Homem-Brinquedo), um dos vilões de Superman, em episódios de desenhos como "Superman: A Série Animada" (1996-2000), "Super Choque" (2000-2004) e "Liga da Justiça sem Limites" (2004-2006). Outro trabalho de voz importante inclui a narração do romance sci-fi "Amores Eletrônicos" (1984).








