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Réus por ataque aos Poderes prestaram serviços na campanha de membros da CPMI

Wenderson Luiz Barros e Ademar Guinzelli foram pagos por candidatos no ano passado

Réus por ataque aos Poderes prestaram serviços na campanha de membros da CPMI
Golpistas em frente ao Palácio do Planalto (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
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Pelo menos dois integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de janeiro tiveram como fornecedores de campanha eleitoral, no ano passado, um atual réu por envolvimento no ataque às sedes dos Três Poderes em Brasília. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que o deputado federal bolsonarista André Fernandes (PL-CE) pagou R$ 2 mil a Wenderson Luiz Brandão Barros para prestar serviços gerais, e o senador Jorge Seif (PL-SC), também aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, R$ 840 a Ademar Guinzelli para fazer distribuição de panfletos.

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Tanto Barros como Guinzelli se tornaram réus, no último mês, por incitação ao crime e associação criminosa; o Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou denúncias contra eles apresentadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no âmbito do inquérito 4921, que apura a responsabilidade dos autores intelectuais e das pessoas que instigaram os atos golpistas de 8 de janeiro.

Barros, de 23 anos, e Guinzelli, de 56, chegaram a ser presos no início do ano por envolvimento no ataque. Os flagrantes foram convertidos em preventiva. Posteriormente, porém, ambos foram liberados mediante monitoração por tornozeleira eletrônica. O primeiro mora em Fortaleza e, conforme sua página no LinkedIn, tem experiência como supervisor de segurança na empresa Power Segurança e Vigilância. Já o segundo é morador de Santa Catarina. Ele fez publicações de apoio ao então presidente Jair Bolsonaro (PL) no Facebook, no ano passado. Em 22 de agosto, trocou sua foto de perfil por uma com os números dos então candidatos Colatto, a deputado federal, Jorginho Mello, a governador, e Bolsonaro, a presidente, todos do Partido Liberal (PL).

Em outra imagem publicada por ele em 10 de dezembro, uma frase se referia ao candidato derrotado na eleição presidencial como "presidente reeleito" e dizia que o "povo brasileiro" estava entregando o diploma de eleito a Bolsonaro.

Ademar Guinzelli segura bandeira do Brasil (Reprodução/Facebook)
Ademar Guinzelli foi preso no início do ano por envolvimento no ataque aos Poderes | Reprodução/Facebook

A reportagem entrou em contato com os gabinetes de André Fernandes e Jorge Seif e questionou se os parlamentares conhecem os respectivos fornecedores e se chegaram a falar com eles na campanha ou posteriormente. Em nota, a assessoria de imprensa de Seif -- ex-secretário nacional de Pesca e Aquicultura do governo Bolsonaro -- diz que a campanha dele "mobilizou colaboradores de todo o estado de Santa Catarina". "Todos os que trabalharam para a sua eleição tiveram seus nomes e rendimentos declarados à Justiça Eleitoral, com prestação de contas homologada. A dimensão da campanha não permitiu ao senador eleito conhecer pessoalmente todos os seus colaboradores. A pessoa de Ademar é totalmente desconhecida do senador, antes ou depois da campanha eleitoral, considerando também que Seif tem contato diário com centenas de pessoas", acrescentou. 

Fernandes, que é membro titular da CPMI e autor do requerimento para instalação da comissão, não se manifestou até o momento, mas o espaço permanece aberto. No mês passado, a Polícia Federal (PF) concluiu que ele teve envolvimento no ataque às sedes dos Três Poderes. Segundo a corporação, o político praticou o delito de "incitar, publicamente, a prática de crime, qual seja, de tentar, com emprego de violência ou grave ameaça, abolir o Estado Democrático de Direito, impedindo ou restringindo o exercício dos Poderes constitucionais".

Na primeira reunião da CPMI, em 25 de maio, o deputado falou ter "total interesse" que seja investigado o episódio de 8 de janeiro no colegiado, "linha por linha, pessoa por pessoa, detalhes por detalhes, e não que aconteçam investigações dentro de quatro paredes, onde ninguém sabe o que está acontecendo".

"Como é o caso onde o Supremo Tribunal Federal me investiga porque eu fiz uma crítica ao ativismo judicial no dia 8 de janeiro. Não estava também aqui em Brasília, mesmo assim estou dentro desse inquérito", complementou.

Ele discordou da escolha da senadora Eliziane Gama (PSD-MA) para ser a relatora da comissão e rebateu uma fala proferida pela parlamentar na reunião: "Ela diz aqui que nunca se viu, desde o regime militar, o que aconteceu no 8 de janeiro. Talvez, com tantas coisas acontecendo, tenha esquecido o que ocorreu em 2017, quando vândalos invadiram o Congresso Nacional, quebraram ministérios, feriram policiais, e que naquela época o então presidente Michel Temer assinou Garantia da Lei e da Ordem".

Fernandes prosseguiu: "E que algumas dessas pessoas que hoje dizem que foi uma tentativa de golpe reagiram [em 2017], mas não à tal tentativa de golpe, e sim à atitude do então presidente Michel Temer tentando defender os Poderes. Atitude essa que não vimos acontecer este ano".

Ainda em seu discurso, disse que a CPMI teria "parlamentares lutando pela verdade, por transparência". "Quando a relatora aqui diz que houve uma tentativa de golpe, até parece que já se concluiu a CPMI, já tem relatório, nem precisa mais da presença. Porque a gente está para investigar, ela parece que já investigou. Mas para tranquilizar o coração do povo brasileiro, relator é um voto. Existem outros votos, existe relatoria paralela, e nós não desistiremos do nosso povo brasileiro e dos patriotas presos inocentes".

Doação ao PL

Outra pessoa que se tornou réu por envovimento no ataque às sedes do Executivo, Legislativo e Judiciário fez uma doação de R$ 300 à direção do Partido Liberal (PL) do Paraná durante a campanha eleitoral no ano passado. Sideir Cassiano, de 45 anos, realizou um depósito em espécie no dia 23 de agosto. Ele é morador de Apucarana (PR) e, segundo seu perfil no LinkedIn, tem experiência como mestre de obras e empreiteiro. Na campanha eleitoral, fez publicações de apoio a Jair Bolsonaro no Facebook -- em que se apresenta ainda como "Deir Bolsonaro" -- e no Instagram.

Em 24 de outubro, compartilhou uma escrita com crítica a Lula (PT) dizendo: "Jamais vou aceitar e achar bonito um ex-presidiário me representar. Tenho vergonha na cara. Não achei minha integridade no lixo". Posteriormente, em 2 de janeiro de 2023, publicou uma imagem na qual o Palácio do Congresso Nacional era representado com rolos de papel higiênico e penicos.

Sideir se tornou réu no mês passado por incitação ao crime e associação criminosa. As denúncias aceitas pelo Supremo Tribunal Federal também foram apresentadas no âmbito do inquérito 4921. No início do ano, chegou a ser preso em flagrante por envolvimento no ataque aos Poderes. A prisão foi convertida em preventiva e, depois, ele foi liberado mediante uso de tornozeleira eletrônica.

Wenderson Luiz Brandão Barros usa faixa de apoio a Jair Bolsonaro (Reprodução/Instagram)
Morador do Paraná fez publicações de apoio a Bolsonaro no ano passado | Reprodução/Instagram

Um membro titular da CPMI foi eleito deputado federal filiado ao PL-PR, cuja direção recebeu os R$ 300 de Sideir no ano passado: o bolsonarista Filipe Barros. Na primeira reunião da comissão, o parlamentar pontuou: "Eu espero muito que esta CPMI, e eu sei que no que depender de vossa excelência [presidente Arthur Maia], ela será feita da maneira como ela tem que ser feita, com seriedade, com isenção, com imparcialidade. Não me parece conveniente a senadora relatora antecipar qualquer tipo de pré-julgamento, antes mesmo do início dos trabalhos, antes mesmo das investigações".

Ainda de acordo com ele, espera, portanto, "que a condução das investigações seja feita da maneira mais isenta possível. Porque convém lembrarmos que nós, oposição, sempre quisemos esta CPMI, nós nunca negamos esta investigação, ao contrário do governo".

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