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ENGANOSO: Post engana ao dizer que Fauci teria afirmado ser um dos criadores da covid-19 e deletado e-mails sobre origem do vírus

Confira a verificação realizada pelos jornalistas integrantes do Projeto Comprova

ENGANOSO: Post engana ao dizer que Fauci teria afirmado ser um dos criadores da covid-19 e deletado e-mails sobre origem do vírus
Post engana ao dizer que Fauci teria afirmado ser um dos criadores da covid-19 e deletado e-mails sobre origem do vírus | Projeto Comprova
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ENGANOSO: Post engana ao afirmar que o médico Anthony Fauci, principal conselheiro da Casa Branca durante a pandemia, teria ocultado que o vírus da covid-19 foi desenvolvido por cientistas dos Estados Unidos usando um laboratório na China. Acusações tiram de contexto mensagens de Fauci divulgadas em 2020.


Conteúdo investigado: Post afirma que Anthony Fauci “foi novamente exposto” no Senado norte-americano. “A covid-19 foi oficialmente desmascarada como um projeto do governo dos Estados Unidos. Um vírus desenvolvido por cientistas norte-americanos usando um laboratório biológico na China”, escreve o autor do conteúdo, que acompanha vídeo do congressista Ronny Jackson fazendo críticas a Fauci. No início do vídeo, a legenda sobre a imagem de Fauci sugere que ele teria dito: “Nós criamos a covid e deletamos todos os documentos de sua origem”.

Onde foi publicado: X.

Saiba mais:
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Conclusão do Comprova: É enganoso o post segundo o qual o infectologista Anthony Fauci, conselheiro principal de saúde na Casa Branca durante a pandemia, teria confessado participação na criação do vírus da covid-19 e deletado documentos sobre a origem do novo coronavírus. A publicação usa as declarações do deputado norte-americano Ronny Jackson durante audiência com o médico promovida pelo Subcomitê sobre a Pandemia do Coronavírus em 3 de junho. O grupo avalia a atuação do governo frente à pandemia e tem feito audiências para investigar a origem do vírus.

Após acusar Fauci de “falhar miseravelmente” em sua atuação frente à pandemia, Jackson, do Partido Republicano, diz que o ex-diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas (Niaid, na sigla em inglês), ligado ao Instituto Nacional de Saúde norte-americano (NIH), teria muito a perder “se o povo americano descobrisse que a covid-19 provavelmente vazou de um laboratório em Wuhan, na China”. Como o Comprova mostrou, ainda não há evidência científica de que o vírus tenha sido criado no local e sua origem ainda está sendo pesquisada.

O deputado também acusou Fauci de ter financiado, por meio do NIH, pesquisas de “ganho de função” conduzidas de forma imprudente no laboratório. Pesquisas de ganho de função envolvem modificações genéticas em um vírus para avaliar se estas tornam o patógeno mais mortal ou contagioso. Fauci declarou, em 2021, que o NIH nunca financiou pesquisas de ganho de função no Instituto de Virologia de Wuhan.

Uma das acusações feitas contra Fauci se baseia em troca de mensagens entre o imunologista e Peter Daszak, presidente da EcoHealth Alliance, ONG com sede nos Estados Unidos que desenvolve programas de pesquisa relacionados à saúde. O post enganoso distorce o conteúdo dos emails ao afirmar que Daszak teria agradecido Fauci por “esconder que o vírus veio de laboratório“. O email de Daszak elogiava uma declaração pública dada pelo então diretor da Niaid em que ele rejeitou a teoria do vazamento, sem qualquer menção sobre esconder a verdade. O Comprova já fez uma verificação sobre o assunto.

Os emails de Fauci foram divulgados em 2021, após um pedido via Lei de Liberdade de Informação (FOIA, na sigla em inglês) feito por veículos de imprensa. Mas o post investigado aqui desinforma ao dizer que ele teria deletado emails sobre a origem do coronavírus. Um funcionário do NIH incentivou colegas a usar seus emails pessoais como uma maneira de proteger Fauci, mas não há evidências de que a sugestão tenha vindo do médico ou de que ele tenha deletado emails.

Contatado pelo Comprova, o autor do post, BielConn, que se descreve no X como “especialista em desmascarar fraudes que até ‘ontem’ eram teorias da conspiração”, afirmou ter traduzido o que Ronny Jackson disse. Sua página no X saiu do ar após o contato da reportagem.

Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

Alcance da publicação: O Comprova investiga os conteúdos suspeitos com maior alcance nas redes sociais. O post foi visualizado ao menos 432 mil vezes até o perfil ser retirado do ar.

Fontes que consultamos: Buscamos primeiramente entender de que se tratava a audiência por meio de notícias e canais oficiais da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. Também pesquisamos por notícias da época, onde pudemos encontrar, na íntegra, os emails de Fauci divulgados em 2020.

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas e eleições no âmbito federal e abre investigações para aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: O Comprova já checou conteúdos que acusam Anthony Fauci de afirmar que o novo coronavírus aparenta ser fruto de engenharia genética e que máscaras são inúteis e que alegam que emails do imunologista revelam que o Sars-CoV-2 foi criado em laboratório. Também mostrou ser enganoso que Fauci e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) estariam dizendo que “as vacinas não protegem”.

Investigação e verificação

Folha e Correio Braziliense participaram desta investigação e a sua verificação, pelo processo de crosscheck, foi realizada pelos veículos A Gazeta, Estadão, UOL, SBT e SBT News.

Projeto Comprova

Esta reportagem foi elaborada por jornalistas do Projeto Comprova, grupo formado por 41 veículos de imprensa brasileiros, para combater a desinformação. Iniciado em 2018, o Comprova monitorou e desmentiu boatos e rumores relacionados à eleição presidencial. Na quinta fase, o Comprova verifica conteúdos suspeitos sobre políticas públicas do governo federal e eleições, além de continuar investigando boatos sobre a pandemia de covid-19. O SBT SBT News fazem parte dessa aliança.

Desconfiou da informação recebida? Envie sua denúncia, dúvida ou boato pelo WhatsApp 11 97045 4984.

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