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Zona de Convergência do Atlântico Sul: entenda o fenômeno que causa as famosas 'chuvas de verão'

Sistema meteorológico pode trazer temporais prolongados, com risco de enchentes e deslizamentos em diversas regiões do país

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Gabriella Rodrigues
01/02/2025, 10:00 • Atualizado em 01/02/2025, 10:00
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Zona de Convergência do Atlântico Sul: entenda o fenômeno que causa as famosas 'chuvas de verão'

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) colocou 15 estados e o Distrito Federal em estado de atenção para chuvas intensas nesta sexta-feira (31). O alerta deve permanecer até a noite de domingo (02).

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Segundo o Inmet, estão em alerta vermelho, ou seja, em situação de maior gravidade, o Distrito Federal e boa parte dos estados: Amapá, Amazonas, Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins.

As fortes chuvas previstas fazem parte de um fenômeno conhecido como Zona de Convergência do Atlântico Sul (Zcas). Para entender o funcionamento desse evento responsável por provocar as tradicionais chuvas de verão, o SBT News conversou com o professor de Meteorologia do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG/USP), Ricardo de Camargo.

O que são e como são formadas as Zcas?

A Zona de Convergência do Atlântico Sul é um sistema meteorológico que se estende do sul da Amazônia até o Oceano Atlântico, passando pelo sudeste e centro-oeste do Brasil. Basicamente, é uma faixa alongada de nuvens que se estende na faixa central do país.

É importante ressaltar que nem toda chuva que ocorre no verão brasileiro é considerada uma Zcas, para isso ela precisa persistir por mais de dois dias, ter ventos em velocidade específica, chuvas intensas e outras métricas usadas pelos sistemas de meteorologia. Em média, esse fenômeno pode durar até quatro dias, mas há relatos de algumas que persistiram por mais de 10 dias.

O professor Ricardo de Camargo do IAG-USP explicou que o fenômeno acontece em função da interação entre calor, ventos e umidade.

No verão, o aquecimento intenso da Amazônia faz com que o ar quente e úmido suba, iniciando o processo. Essa umidade é transportada pelos ventos para o Sudeste e parte do Atlântico, enquanto um jato de baixos níveis organiza esse fluxo. Além disso, quando frentes frias vindas do Sul encontram essa umidade, formam uma faixa persistente de nuvens e chuvas, caracterizando uma Zcas.

Os dados meteorológicos apontam que os acumulados podem atingir cerca de 100 mm nos próximos cinco dias, podendo superar 200 mm em algumas regiões. Esse fenômeno não ocorre de maneira homogênea, mas pode resultar em eventos extremos localizados. Regiões como Vale do Paraíba, Serra da Mantiqueira e Sul de Minas estão entre as mais vulneráveis.

A frequência das zcas tem variado nos últimos anos. Os verões de 2023 e 2024 registraram chuvas abaixo da média, mesmo com eventos identificados. No entanto, o verão de 2025 mostra-se mais propício para a ocorrência dessas configurações atmosféricas. Fenômenos similares já foram registrados em dezembro e janeiro, e as previsões indicam nova ocorrência em fevereiro.

Embora abasteça boa parte dos reservatórios de água no país para os períodos de estiagem, o excesso de chuva pode provocar desastres naturais, como alagamentos, deslizamentos, cheias de rios, por exemplo.

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