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Um ano após a tragédia, sistema anticheias de Porto Alegre tem obras paralisadas

Na última reportagem da série "Feridas Abertas", SBT Brasil mostra o ritmo lento das reformas nas casas de bombas e diques da capital gaúcha

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Guilherme Rockett, Eduardo Pinzon, Natalia Vieira
02/05/2025, 00:30 • Atualizado em 02/05/2025, 00:30
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Porto Alegre conta, desde os anos 1970, com um sistema anticheias, mas, sem a manutenção adequada, a proteção falhou diante da força da água em maio no ano passado. Durante a tragédia, 19 das 23 casas de bombas foram desligadas porque inundaram ou apresentaram risco de choque elétrico. Com isso, os equipamentos não foram capazes de lançar no Guaíba a água que acabou inundando bairros da capital gaúcha.

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Agora, um ano depois, geradores foram instalados nas casas de bombas, mas as obras para elevar a altura dos quadros elétricos seguem paradas porque a licitação ainda não foi concluída. A anterior foi revogada porque nenhuma empresa foi considerada habilitada para executar o serviço. Um novo edital está sendo elaborado por técnicos do Departamento Municipal de Água e Esgotos de Porto Alegre (DMAE).

Além das casas de bombas, o sistema de proteção também conta com 68 quilômetros de diques. O plano é tornar a barreira até quarenta centímetros mais alta para evitar que a água passe, de novo, por cima dos diques. No entanto, há trechos que a reforma precisou ser interrompida porque há famílias morando sobre o dique. Elas só poderão sair quando receberem novas moradias.

Outro projeto da prefeitura é fechar com concreto 7 das 14 comportas do sistema de proteção contra enchentes e, assim, impedir rompimentos como os de 2024.

"A principal missão, além de proteger a cidade, distribuir água e retirar a água da chuva, é devolver a confiança a Porto Alegre. Do morador, para que ele possa dormir tranquilo", afirmou Vicente Perrone, diretor-executivo do DMAE.

Em Eldorado do Sul, na região metropolitana de Porto Alegre, a situação é mais delicada. O município fica na região do Delta do Rio Jacuí, que recebe a água do Vale do Taquari e deságua no Guaíba. Ou seja, a enchente chegou primeiro e atingiu os moradores. Lá, não há sistema de defesa.

"A grande solução para o município seriam as obras de contenção. Porque, pela nossa localização geográfica, o município fica numa posição mais baixa. As águas não têm para onde ir, a não ser invadir a cidade", explicou Juliana Carvalho, prefeita de Eldorado do Sul.

Um dique de quase nove quilômetros de extensão será construído ao redor do município, com base na altura que a água alcançou. Mas a obra milionária só deve começar no fim do ano que vem. Enquanto isso, nos bairros atingidos, placas de "vende-se" se espalham. O Rubilar, a Tânia e a filha decidiram seguir o caminho oposto. Optaram por ficar, mesmo após a enchente cobrir o telhado da casa. "Sair daqui para ir para aonde? Entrar num aluguel, não há condições", disse Tânia dos Santos, aposentada.

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