Sabesp inicia obra para interligar Billings e Alto Tietê em meio a risco de desabastecimento de água em SP
O Alto Tietê tem 26,8% da capacidade de água, segundo dados desta quinta-feira (22); Já a Guarapiranga, da qual a Billings faz parte, conta com 63,0% do volume


Naiara Ribeiro
A Sabesp deu início à construção da Interligação Billings-Alto Tietê, uma obra para reforçar o abastecimento de água da Região Metropolitana de São Paulo. O sistema vai permitir a transferência de até 4.000 litros por segundo de água do braço Rio Pequeno, na represa Billings, para a represa Taiaçupeba, parte do Sistema Alto Tietê.
A obra ocorre em meio um uma crise que pode levar ao desabastecimento de água em 2026.
O Alto Tietê tem 26,8% da capacidade de água, segundo dados disponibilizados nesta quinta-feira (22) pela Sabesp. Já a Guarapiranga, da qual a Billings faz parte, conta com 63,0% do volume. (Veja quadro completo abaixo)
Em 2025, as áreas de represas de São Paulo registraram uma das piores estiagens da última década, com chuvas até 70% abaixo da média.
A Interligação Billings-Alto Tietê substituirá a solução emergencial usada durante a crise hídrica entre 2015 e 2020, que incluiu o uso do volume morto do Cantareira. O sistema passará por seis municípios, de São Bernardo do Campo a Mogi das Cruzes.
Com essa nova capacidade, o volume bombeado poderá atender ao consumo equivalente de 1,9 milhão de pessoas. A água será incorporada ao Sistema Integrado Metropolitano, que abastece toda a região metropolitana e beneficia cerca de 22 milhões de habitantes. O investimento total no projeto está estimado em R$ 1,4 bilhão.
A iniciativa integra o Plano de Segurança Hídrica previsto no novo contrato da Sabesp, firmado após a desestatização da empresa em 2024.
A vazão de 4 mil litros por segundo corresponde a uma pequena fração da capacidade total da represa Billings, que sozinha armazena mais água do que todo o Sistema Cantareira. Esse mesmo volume já é utilizado, quando necessário, por meio de uma interligação existente com o Sistema Rio Grande.
Contudo, essa nova infraestrutura permitirá enviar essa água também para o Sistema Alto Tietê e disponibilizar uma opção permanente de transferência entre os mananciais. A água será tratada no sistema de destino antes da distribuição à população.

Veja como a a capacidade de principais sistemas da região metropolitana de São Paulo:
- Sistema Integrado Metropolitano: 31,9% do volume
- Alto Tietê: 26,8% do volume
- Cantareira: 21,0 % do volume
- Cotia: 43,0% do volume
- Guarapiranga: 63,0% do volume
- Rio Claro: 53,9% do volume
- Rio Grande: 72,0% do volume
- São Lourenço: 69,0% do volume









