Promotores e juízes querem frear interferências de milícias e facções nas eleições do Rio de Janeiro
MP e TRE traçam plano para combater ações do crime organizado durante a disputa eleitoral de 2024

Ricardo Brandt
Promotores e juízes do Rio de Janeiro começaram a definir mecanismos para tentar frear a influência das milícias e das facções na disputa eleitoral de 2024. Estudos recentes mapearam as áreas de maior influência do crime organizado, que terão atenção especial durante a disputa.
A iniciativa ganha destaque dias depois de serem revelados os mandantes do assassinato da vereadora do Psol Marielle Franco. De acordo com as investigações, os suspeitos Chiquinho Frazão, deputado federal; Domingos Brazão, conselheiro do TCE-RJ; e Rivaldo Barbosa, então chefe da Polícia Civil fluminense, tinham envolvimento com a milícia.
O procurador-geral de Justiça do Rio, Luciano Mattos, afirmou: "Nós estamos traçando uma estratégia para a atuação na eleição municipal e criar mecanismo para que as organizações criminosas não consigam se infiltrar nas Câmaras e prefeituras." Mattos participou de reunião no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), na tarde desta terça-feira (26), com outras autoridades.

O encontro presidido pelo presidente do TRE-RJ, desembargador Henrique Carlos de Andrade Figueira, busca aproximar os órgãos e o enfrentamento à influência do crime organizado. O tema é um dos principais focos da disputa eleitoral de 2024. "Estamos reunindo esforços com as forças de segurança pública para garantir ao cidadão um processo transparente e democrático."
As eleições 2024 estão marcadas para os dias 6 e 27 de outubro, primeiro e segundo turnos, respectivamente. Segundo o chefe do MP do Rio, o objetivo do encontro foi definir ações de inteligência que barrem candidaturas ligadas ao crime organizado.
Em janeiro, o TRE-RJ anunciou mudanças em locais de votação em áreas dominadas por milícias, em especial na Zona Oeste. Pelo menos 50 pontos serão alterados para se coibir a pressão de milícias.









