Brasil

"Poderia ser um brasileiro também, ninguém está excluído", diz Dom Raymundo, sobre escolha do próximo papa

Arcebispo emérito de Aparecida (SP) não tem direito ao voto, por ter mais de 80 anos, mas participa do Colégio dos Cardeais no Vaticano

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SBT News
06/05/2025, 17:36 • Atualizado em 06/05/2025, 17:53
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Dom Raymundo Damasceno Assis, arcebispo emérito de Aparecida (SP) | Reprodução

Dom Raymundo Damasceno Assis, arcebispo emérito de Aparecida (SP) | Reprodução

Dom Raymundo Damasceno, arcebispo emérito de Aparecida (SP), é um dos oito cardeais brasileiros que pode ser eleito papa no Conclave, que começa nesta quarta-feira (7). Ele embarcou no dia 24 de abril para Roma, na Itália, para participar do Colégio dos Cardeais no Vaticano, que antecede a escolha do novo pontífice.

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O arcebispo, de 88 anos, é o único dos oito brasileiros que não votará no Conclave, que ocorre em Santa Marta, por causa da idade. Em 1970, o então pontífice Paulo VI determinou que cardeais que completarem 80 anos antes do início do Conclave estão impedidos de fazer parte do processo.

Em entrevista ao SBT, Dom Raymundo fala sobre os bastidores da eleição do novo Papa. "Me sinto muito feliz por estar aqui num momento tão importante, tão significativo para a igreja e um acontecimento que atrai a atenção de todo mundo. Toda a mídia estava voltada nesses dias para Roma, para o Vaticano", conta o cardeal brasileiro.

As reuniões do Colégio dos Cardeais no Vaticano, segundo o arcebispo, foram ricas de informações sobre os 103 candidatos a novo pontífice. "Foram tranquilas, num clima muito fraterno, sem nenhuma tensão, sem nenhuma polêmica, de modo que nenhum dos cardeais nas suas intervenções sugerem nomes", diz durante a entrevista.

Após estas reuniões, os cardeais com menos de 80 anos seguem para Capela Sistina, em Santa Marta. "Já não há palestras, não há discussões, não há grupos, simplesmente cada um na oração, no silêncio", fala Dom Raymundo sobre os bastidores do Conclave. De acordo com ele, cada candidato pronunciará um juramento e depositará o seu voto na urna, que será em seguida apurado.

Ao ser perguntado sobre os desafios do novo papa, o arcebispo revela que o primeiro passo é promover a evangelização, porque essa é a missão da Igreja. "E certamente haverá uma continuidade do novo papa com o trabalho do Papa Francisco, sem dúvida nenhuma", conta o brasileiro. Outro desafio, na visão dele, são os conflitos, as guerras e as polarizações.

"Acho que o papa será sempre aquele que vai testemunhar a paz no mundo de hoje, vai promover a paz, vai trabalhar pela construção da paz, pela convivência pacífica entre todos os povos", explica.

Dom Raymundo não acredita que há um favorito a ganhar a votação, por enquanto, e caracteriza o Conclave como uma "caixa de surpresas". " Poderia ser um brasileiro também, ninguém está excluído", afirma o cardeal. Mas, ele destaca que alguns candidatos, como Pietro Parolin, chamou a sua atenção "pela sua capacidade, pela sua argumentação, pelo papel de desempenho na sua diocese".

Ele acredita que o Conclave não deve durar muitos dias. "Os dois últimos foram até relativamente breves. O Papa Bento foi eleito no segundo dia, o Papa Francisco no terceiro dia", relembra o brasileiro, que estima que a votação não deve ultrapassar quatro dias.

Quando questionado se a eleição do novo pontífice enfrenta interferências políticas, como o apoio do presidente americano Donald Trump a um dos candidatos, Dom Raymundo nega categoricamente. "O Estado tem a sua missão de promover o bem ao cidadão, promover a paz entre os cidadãos, mas a missão da igreja é espiritual, é religiosa", informa. Ele ainda completa contando que os cardeais possuem "liberdade total" em suas escolhas.

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