Moradores penduram faixas contra assaltos em bairro nobre de São Paulo
Cansada da violência, população do Sumaré instala avisos nas ruas para alertar sobre crimes
Juliana Tourinho
Cansados das cenas de violência, moradores do Sumaré, bairro nobre da zona oeste de São Paulo, decidiram pendurar faixas nas ruas para alertar sobre assaltos e furtos. A iniciativa, segundo os próprios moradores, surgiu após sucessivas tentativas frustradas de obter respostas efetivas das autoridades.
“Nada era resolvido”, relata o arquiteto Pedro Ocanha. Para ele, as faixas tiveram ao menos um efeito imediato: “A placa mobilizou um pouco a população a ficar atenta e, de certa forma, espantou também os bandidos, que entenderam que a população ali estava antenada”.
Especialistas em segurança pública afirmam que a estratégia pode trazer resultados de curto prazo, mas não resolve o problema estrutural. “É uma iniciativa que eventualmente pode gerar algum resultado imediato, porque os criminosos se sentem mais inseguros em áreas mais vigiadas pela própria população. Mas isso não é solução; é sintoma de uma população cansada desse tipo de delito”, avalia o especialista Fernando Capano.
Ele reforça ainda a importância do registro formal de cada ocorrência. “O boletim de ocorrência é um dado fundamental para que as autoridades compreendam o cenário e definam ações de médio e longo prazo para enfrentar um problema gravíssimo nas metrópoles brasileiras, especialmente em São Paulo.”
Dados da Secretaria de Segurança Pública mostram que, entre janeiro e novembro de 2025, cerca de 11 mil ocorrências de roubos e furtos foram registradas na delegacia responsável pela região. O reflexo aparece no cotidiano: ruas vazias e moradores com medo de circular, principalmente à noite.
“Insegurança total. A gente sai 10 horas da noite para casa, mas é muito complicado. Assalto aqui sempre ocorre”, diz o segurança Lourival Ferreira. O porteiro Giovanni Severino concorda: “A gente olha para um lado, para o outro, e a segurança aqui é pouca”.
Durante o período em que a equipe do SBT News esteve no bairro, nenhuma viatura passou pelas ruas. A única presença visível é o desenho permanente de uma viatura em um muro — que, segundo os moradores, não inibe a ação dos criminosos. Já as faixas penduradas começam a se espalhar por outros pontos da cidade, como o Parque Ibirapuera.
Para o especialista, o recado é claro: “É um aviso direto às autoridades de que algo não está funcionando. A sociedade passa a adotar medidas por conta própria porque já não acredita que as soluções institucionais sejam suficientes”.
Enquanto respostas mais efetivas não chegam, moradores seguem tentando se proteger como podem — e usando as próprias ruas para denunciar a insegurança que enfrentam todos os dias.









