Medição de audiência da TV brasileira nas mãos de fundo dos EUA levanta alerta no mercado
Venda da Kantar Media por US$ 1 bilhão a fundo americano provoca dúvidas sobre transparência e credibilidade dos dados
Vinícius Rangel
14/11/2025, 23:12 • Atualizado em 15/11/2025, 01:20
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Você sabe como é medida a audiência da TV no Brasil? O processo está nas mãos de uma única empresa: a Kantar Media, antiga Ibope. E o controle dessa medição mudou recentemente de dono, o que tem causado preocupação no mercado da comunicação.
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A Kantar Media, responsável por aferir a audiência televisiva e digital no Brasil e em diversos países, foi vendida sem alarde por US$ 1 bilhão para o fundo de investimentos americano H.I.G. Capital. A compradora é especializada em adquirir empresas privadas com a intenção de fazê-las crescer e revendê-las em um período de curto ou médio prazo.
A negociação levanta questionamentos sobre as intenções do fundo no Brasil e, principalmente, sobre a confiabilidade dos números usados como base para decisões no setor publicitário. A medição da Kantar é referência exclusiva para emissoras e agências de publicidade, o que configura um monopólio.
Fábia Juliasz, CEO da Marketdata e conselheira da ABAP (Associação Brasileira de Agências de Publicidade), afirma que a medição integrada de audiência ainda é um desafio global:
“Tem que ser ágil, robusta e ter critério. Os anunciantes investem porque querem dados integrados, mas é preciso ter parâmetros confiáveis”, diz.
Atualmente, os dados da audiência vêm de cerca de seis mil aparelhos instalados em domicílios por todo o país — número considerado baixo para um país com 213 milhões de habitantes, segundo o IBGE.
Esse método gera dúvidas, como explica Danilo Chalita, estatístico e mestre em matemática pela USP: “todo estudo estatístico tem erro, mas no caso da audiência, não sabemos qual é esse erro, nem o intervalo de confiança”.
Outra crítica comum é o modelo considerado arcaico da Kantar, que ainda ignora transmissões simultâneas feitas por emissoras em plataformas digitais. Isso distorce o número real de espectadores e prejudica a leitura precisa do comportamento da audiência.
Fábia Juliasz também aponta que a medição por amostragem não captura a complexidade do consumo atual.
“A Kantar tentou integrar dados do YouTube com a TV, oferecendo um modelo de teste. Mas os canais perceberam que os critérios não eram os mesmos, e o mercado começou a pedir uma nova discussão sobre o modelo”, afirma Fábia.
Com a falta de concorrência e a centralização nas mãos de uma empresa agora controlada por capital estrangeiro, cresce o debate sobre a necessidade de modernizar os métodos e garantir mais transparência nos dados que movimentam bilhões em publicidade.
Medição de audiência da TV brasileira nas mãos de fundo dos EUA levanta alerta no mercadoVenda da Kantar Media por US$ 1 bilhão a fundo americano provoca dúvidas sobre transparência e credibilidade dos dadosBrasil2025-11-14T23:12:19.009ZVocê sabe como é medida a audiência da TV no Brasil? O processo está nas mãos de uma única empresa: a Kantar Media, antiga Ibope. E o controle dessa medição mudou recentemente de dono, o que tem causado preocupação no mercado da comunicação. A Kantar Media, responsável por aferir a audiência televisiva e digital no Brasil e em diversos países, foi vendida sem alarde por US$ 1 bilhão para o fundo de investimentos americano H.I.G. Capital. A compradora é especializada em adquirir empresas privadas com a intenção de fazê-las crescer e revendê-las em um período de curto ou médio prazo. A negociação levanta questionamentos sobre as intenções do fundo no Brasil e, principalmente, sobre a confiabilidade dos números usados como base para decisões no setor publicitário. A medição da Kantar é referência exclusiva para emissoras e agências de publicidade, o que configura um monopólio. Fábia Juliasz, CEO da Marketdata e conselheira da ABAP (Associação Brasileira de Agências de Publicidade), afirma que a medição integrada de audiência ainda é um desafio global: “Tem que ser ágil, robusta e ter critério. Os anunciantes investem porque querem dados integrados, mas é preciso ter parâmetros confiáveis”, diz. Atualmente, os dados da audiência vêm de cerca de seis mil aparelhos instalados em domicílios por todo o país — número considerado baixo para um país com 213 milhões de habitantes, segundo o IBGE. Esse método gera dúvidas, como explica Danilo Chalita, estatístico e mestre em matemática pela USP: “todo estudo estatístico tem erro, mas no caso da audiência, não sabemos qual é esse erro, nem o intervalo de confiança”. Outra crítica comum é o modelo considerado arcaico da Kantar, que ainda ignora transmissões simultâneas feitas por emissoras em plataformas digitais. Isso distorce o número real de espectadores e prejudica a leitura precisa do comportamento da audiência. Fábia Juliasz também aponta que a medição por amostragem não captura a complexidade do consumo atual. “A Kantar tentou integrar dados do YouTube com a TV, oferecendo um modelo de teste. Mas os canais perceberam que os critérios não eram os mesmos, e o mercado começou a pedir uma nova discussão sobre o modelo”, afirma Fábia. Com a falta de concorrência e a centralização nas mãos de uma empresa agora controlada por capital estrangeiro, cresce o debate sobre a necessidade de modernizar os métodos e garantir mais transparência nos dados que movimentam bilhões em publicidade.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/medicao-de-audiencia-da-tv-brasileira-nas-maos-de-fundo-dos-eua-levanta-alerta-no-mercado
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