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Justiça torna PM ré por matar mulher na zona leste de SP

Policial responderá por homicídio triplamente qualificado; MP pede indenização mínima de R$ 1 milhão para família da vítima

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Antonio Souza
Policial militar Yasmin Cursino responderá por homicídio pelo disparo que matou Thawanna | Reprodução

Policial militar Yasmin Cursino responderá por homicídio pelo disparo que matou Thawanna | Reprodução

A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia e tornou ré a policial militar Yasmin Cursino Ferreira pelo disparo que matou Thawanna da Silva Salmázio. O crime aconteceu durante uma intervenção policial na madrugada de 3 de abril deste ano, no bairro Cidade Tiradentes, na zona leste da capital paulista.

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A decisão judicial foi confirmada nesta segunda-feira (19). Com o acolhimento da denúncia, Yasmin responderá no processo por homicídio triplamente qualificado. Além da responsabilização criminal, o Ministério Público solicitou a fixação de um valor mínimo de R$ 1 milhão para reparar os danos causados aos familiares de Thawanna. A data do julgamento ainda não foi definida.

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De acordo com a denúncia do Ministério Público, Thawanna caminhava pela rua acompanhada do companheiro, Luciano, quando duas viaturas da Polícia Militar passaram em perseguição a dois homens em uma motocicleta perto de um baile funk.

Testemunhas relataram que os policiais provocaram o grupo e chegaram a jogar o veículo em direção ao casal, atingindo o braço do homem. O incidente deu início a um bate-boca com ofensas e tapas. Durante a discussão, a policial sacou uma arma calibre .40 e atirou contra o abdômen da vítima.

A promotoria destacou que Thawanna estava completamente desarmada e que o disparo foi desproporcional, retirando qualquer chance de defesa da vítima, sem que houvesse situação que justificasse o uso de força letal.

Promotoria aponta motivo fútil e crueldade na demora do socorro

O Ministério Público sustenta que o assassinato foi cometido por motivo fútil, provocado por uma discussão banal porque o casal questionou a agressividade da abordagem. A acusação também incluiu a qualificadora de meio cruel por causa da demora no resgate.

Após o disparo, Thawanna permaneceu ferida e caída na rua por mais de 30 minutos (tempo estimado em cerca de 40 minutos por testemunhas), consciente e agonizando com as dores da lesão. Os relatos apontam que os policiais impediram que o marido se aproximasse para prestar ajuda.

A jovem chegou a ser levada ao hospital e passou por cirurgia de emergência, mas não resistiu aos ferimentos. O marido só soube do falecimento na delegacia, onde o boletim foi registrado inicialmente como resistência à prisão e comunicação de óbito, com a liberação da policial na ocasião.

Policial atuava sem câmera corporal durante a ação

As circunstâncias da morte e a conduta da policial militar continuam sob apuração da Corregedoria da Polícia Militar e do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil.

Os investigadores apuram possíveis irregularidades durante o atendimento da ocorrência e analisam o fato de a agente não estar utilizando câmera corporal acoplada à farda no momento da ação. As apurações seguem em andamento e podem resultar em novos desdobramentos na Justiça.

Relembre o caso

A tragédia ocorreu na madrugada de 3 de abril, no bairro Cidade Tiradentes. Segundo testemunhas, duas viaturas da Polícia Militar perseguiram dois homens em uma moto perto de um baile funk quando os agentes se desentenderam com Thawanna e o marido, Luciano, que estavam em um grupo de pessoas.

Os policiais teriam provocado o grupo e chegado a "jogar o veículo para cima da mulher e o do marido dela", de acordo com uma testemunha. Após Thawanna questionar a ação, a confusão escalonou para uma discussão com troca de ofensas e tapas. Então, em dado momento, Yasmin sacou uma arma e atirou.

Testemunhas denunciaram que os policiais não deixaram Thawanna ser socorrida em um primeiro momento. Luciano contou que pedia para chegar perto da esposa, mas que os policiais não permitiram e o mantiveram afastado enquanto ele pedia ajuda. Baleada na barriga, a vítima ficou caída no meio da rua por cerca de 40 minutos.

Thawanna foi levada ao hospital e passou por cirurgia, mas não resistiu. Luciano relatou que só soube da morte depois de prestar depoimento na delegacia. O caso foi registrado como resistência à prisão contra Thawanna e a morte foi citada como "comunicação de óbito";

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