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Ex-vereador Milton Leite é alvo de mandado de prisão em SP

Operação apura infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo em São Paulo; Leite diz que vai provar inocência

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Renato Barone, SBT News
Milton Leite (União Brasil), ex-presidente da Câmara de SP | Alesp

Milton Leite (União Brasil), ex-presidente da Câmara de SP | Alesp

O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal Milton Leite (União Brasil) foi alvo de um mandado de prisão na Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17). A ação apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo em São Paulo.

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Em nota, Leite disse que está em viagem e que vai se apresentar às autoridades em até 24 horas. "Vou provar minha inocência em todas as acusações", completou.

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Ao todo, a operação busca cumprir 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.

Segundo a Polícia Civil, além de Leite, são alvos Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente na SPTrans; Danilo Marco Morgado Silva, candidato a deputado estadual pelo PL; e Paulo Sirqueira Korek Farias, que é presidente da empresa de ônibus A2 Transportes e presidente do Esporte Clube Água Santa. Julio Salvador Filho, diretor da A2 Transportes, também é alvo.

Entre os demais citados na investigação e alvos de medidas cautelares estão advogados, empresários e outras pessoas apontadas pela investigação como suspeitas de integrar ou colaborar com o esquema.

O que dizem os investigados?

Em publicação nas redes sociais, Danilo Morgado afirmou que sua prisão seria uma forma de perseguição política e disse que não vai recuar. Morgado também questionou o momento da prisão, às vésperas do período eleitoral, e pediu que os fatos sejam apurados e esclarecidos.

A A2 Transportes, representando seu presidente Paulo Siqueira Korek e o diretor Julio Salvador Filho, negou “de forma categórica” qualquer envolvimento com o PCC, além de negar a prática de lavagem de dinheiro ou participação em atividades ilícitas. Segundo a A2, todos os recursos financeiros que ingressam na empresa são provenientes exclusivamente de contratos e pagamentos realizados pela Prefeitura pelos serviços regularmente prestados, sem outras fontes de entrada de recursos.

A empresa afirmou ainda que está à disposição das autoridades para apresentar documentos e prestar os esclarecimentos necessários. Para Paulo Siqueira Korek, o movimento em torno da empresa apresenta, em sua percepção, “forte componente político”.

A A2 Transportes declarou que continuará colaborando com as instituições responsáveis pela apuração e respeitando o devido processo legal.

Já a defesa de Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente na SPTrans, disse ele é primário e não possui antecedentes. A defesa informou que ainda não teve acesso aos autos nem às circunstâncias que fundamentaram a prisão.

"Tão logo tenha acesso ao conteúdo da decisão e aos elementos que a embasaram, adotará as medidas jurídicas cabíveis, com confiança nos meios legais para o pronto esclarecimento dos fatos e a revogação de sua segregação", afirmou.

Investigações

A investigação é desdobramento da operação Decúrio, deflagrada em agosto de 2024, quando foi identificada uma complexa rede de informações da qual o PCC se utiliza para manter a comunicação entre seus integrantes, tanto dentro como fora dos presídios, incluindo advogados.

Na ocasião, foram identificadas lideranças da organização criminosa vinculadas às denominadas “Sintonia Restrita” e “Sintonia dos Gravatas”, bem como um projeto de infiltração de agentes do crime organizado nas eleições municipais daquele ano, lançando candidatos aos cargos em disputa.

Nessa nova fase, foi detectada novamente a atuação de advogados em conluio com o crime organizado. Da mesma forma, os agentes identificaram a contaminação, pelo crime organizado, de empresas de transporte coletivo de passageiros na capital e no interior, com a participação ativa de parte dos investigados até aqui identificados.

“A análise do conteúdo do material obtido permitiu a identificação de possível infiltração da organização criminosa no sistema de transporte público da capital, já que foram identificadas pelo menos 12 empresas de transporte coletivo de passageiros em operação na Cidade de São Paulo, que seriam controladas direta ou indiretamente pelo PCC, parte das quais já foram objeto de investigações anteriores”, disse a Polícia Civil.

A Prefeitura de São Paulo se manifestou por nota: A intervenção determinada pela Prefeitura de São Paulo na Transwolff, em abril de 2024, foi uma medida firme e decisiva para proteger o sistema municipal de transporte. Na mesma ocasião, a administração municipal também determinou, por iniciativa própria, a intervenção na UPBus, mesmo sem qualquer solicitação da Justiça. Desde o início das investigações, a Prefeitura agiu com rigor, inclusive encerrando contrato a fim de preservar o interesse público e garantir que a população não fosse prejudicada.

A Prefeitura reforça que, na ocasião, também foi aberto um processo pela Controladoria Geral do Município contra a Transwolff e a UPBus e, desde então, atua em conjunto com o Ministério Público e a Polícia Civil no processo investigatório.

A operação realizada nesta quinta-feira (17) reforça a gravidade dos fatos que motivaram as providências adotadas pela Prefeitura. A administração colabora integralmente com o Ministério Público, fornecendo todos os documentos e esclarecimentos necessários.

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